Prosimetron

Prosimetron
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Teixeira Gomes (1860-1941). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Teixeira Gomes (1860-1941). Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Boa noite!

Um filme sobre os anos de Manuel Teixeira Gomes em Bougie (Argélia).
O filme vê-se bem, apesar de algumas incoerências, como a pena que escreve como uma caneta de tinta permanente. E não só.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Leituras no Metro - 221

Lisboa: Tinta da China, 2010

Gostei de ler este livro sobre Manuel Teixeira Gomes, cujo pai queria-o médico: «Meu pai queria que me formasse em Medicina. Cabulei. E ainda bem que não me formei.» Para bem dele e de todos nós.
Negociou em figos, viajou imenso, fez dinheiro, escreveu, foi embaixador em Londres, Presidente da República e, depois, largou tudo e foi viver para Bougie, na Argélia. Aí se instalou em 1931 e aí faleceu dez anos depois.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Alguns amores comuns

O Vítor Wladimiro e eu tínhamos alguns (muitos) amores em comum, de que os colocados são apenas alguns exemplos. Como o Luís já aqui referiu, ele era um excelente comunicador e contador de histórias, tendo  desenterrado, para nosso deleite, outros excelentes contadores de histórias, em edições primorosamente anotadas.

Manuel Teixeira Gomes
Alguns volumes das obras completas de Teixeira Gomes com comentários e notas de V.W.F.

Júlio César Machado


Uma antologia editada pela CM do Bombarral.

Alfredo Mesquita e Lisboa

«Alfredo Mesquita consulta olisipógrafos, crónicas do passado, memorialistas e folhetinistas de Lisboa, mas recorre, igualmente, ao percurso das suas leituras pessoais [...]. Encontramos nos textos o seu fascínio por figuras que expressavam a vivência lisboeta na sua diversidade humana. A Lisboa popular, cujas origens sarracenas evoca, tem, na rua e nos bairros mais populares o seu espetáculo com os tipos excêntricos que o autor conheceu ao vivo mas também com aqueles que recuperou nas páginas de Luís Augusto Palmeirim; passa, também, com os flagrantes, instantâneos da mentalidade e práticas citadinas, documentadas por Júlio César Machado; as referências a literatos são colhidas em Bulhão Pato enquanto que o calcorrear do passado das pedras foi apreendido com Júlio de Castilho que os carreou, num incessante labor de pesquisa por documentação dispersa e ignorada.» «A Lisboa de Alfredo Mesquita», (p. X-XI)
Sobre estes dois livros de Bulhão Pato, cujo centenário da morte passou em 24 de agosto, igualmente apresentados e anotados pelo Vítor Wladimiro Ferreira, já falei aqui no Prosimetron: 

Pref. de V.W.F. 
Lisboa: Perspectivas & Realidades, 1989

Outro dos amores comuns era a gastronomia nas letras. Aqui ficam dois exemplos, muito bem sucedidos, de antologias organizadas por V.W.F.: uma de crónicas de Júlio César Machado, outra com trechos da literatura portuguesa. 

Os jornais de Teatro ficarão para outra altura.

sábado, 20 de novembro de 2010

Teixeira Gomes, os anos passados no Porto

Pormenor do retrato de Teixeira Gomes por Marques de Oliveira.
Porto, MNSR

É evocado o republicano, o escritor e o coleccionador que ofereceu ao Museu Nacional Soares dos Reis o seu retrato, pintado pelo amigo Marques de Oliveira, e o da filha do Visconde de Meneses, a quem o ligaram sentimentos cuja memória não quis deixar apagar.
A visita que Teixeira Gomes faz ao Porto, em 1924, como Presidente da República, é pretexto para, na exposição, se evocar a cidade desses anos.


Visconde de Meneses (1817-1878) - Retrato da filha, Elisa Wilfrida
Óleo sobre tela, ca 1878
Porto, MNSR


Gostava de ter aqui transcrito um trecho de uma carta de Teixeira Gomes a um amigo em que explica que deixou estas duas pinturas ao Museu Soares dos Reis, com a condição de ficarem expostas de determinada maneira, de modo que ficassem os dois a olhar um para o outro. Ele dizia qualquer coisa como: «Alguma vez poderemos olhar um para o outro.» :) Não consegui encontrar essa carta.

Um dia destes, vou até ao Porto ver esta exposição.

No Museu Nacional Soares dos Reis
Até Março de 2011

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Manuel Teixeira Gomes: entre dois séculos e dois regimes

Algumas fotos da exposição sobre Teixeira Gomes que esteve patente até ontem em Portimão.


Aspecto geral.




Embaixador em Londres.


O exílio em Bougie, na Agélia.

Para Miss Tolstoi.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Manuel Teixeira Gomes

entre Dois Séculos e Dois Regimes


Esta exposição, integrada no plano de comemorações nacionais do 150.º aniversário do nascimento de Manuel Teixeira Gomes, mostra, pela primeira vez, alguns objectos decorativos e móveis utilizados pelo antigo embaixador da 1.ª República em Londres. Também se pode ver o telégrafo pelo qual Manuel Teixeira Gomes recebeu, em Portimão, a notícia da implantação da República.
Museu de Portimão
até 31 Out.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A nossa vinheta


Ilustração Luís Filipe Cunha.
Lisboa: Expo'98, 1998.


Agosto azul é um livro de Manuel Teixeira Gomes, publicado pela primeira vez em 1904 (Lisboa: Livr. Clássica Ed.) e que reúne dois textos: «Colónia» (relato de uma visita do escritor a essa cidade alemã) e «Agosto azul».
«Vamos visitar a esquadra inglesa do Mediterrâneo que ancorou ontem na baía de Lagos», assim se inicia a última narrativa. E continua:
«Chego ao cais muito antes de nascer o sol, quando o crepúsculo se anuncia por súbitas opacidades que tisnam o céu absorvendo momentaneamente o brilho das estrelas.
«A água cuspinha nas pedras do embarcadoiro sob a tenda de trevas que o encobre e a meio dório, ao sabor da sua corrente de tinta negra, serpeia uma oleosa, fugitiva esteira de luzentes reflexos.
«Mas depressa bafeja a subtil aragem matutina…
«Pelo azul nocturno do remotíssimo céu alargam-se claridades de vidro que um forro de pano escuro espelhasse…»

Para Miss Tolstoi, porque também gosta de MTG.

sábado, 14 de agosto de 2010

Frascos de rapé





Alguns exemplares de uma impressionante colecção de frascos de rapé, reunida por Manuel Teixeira Gomes, que se encontra exposta no Museu do Oriente, em Lisboa.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Da Política...

Os posts de MR com a apresentação do livro: Manuel Teixeira Gomes e do Luís com uma citação de Sophia de Mello Breyner Andresen, fizeram-me ir ao encontro deste pensamento.

Robert Schefman, Politcs, 2008
x

"A política longe de me oferecer encantos ou compensações converteu-se para mim, talvez por exagerada sensibilidade minha, num sacrifício inglório. Dia a dia, vejo desfolhar, de uma imaginária jarra de cristal, as minhas ilusões políticas. Sinto uma necessidade, porventura fisiológica, de voltar às minhas preferências, às minhas cadeiras e aos meus livros".
Manuel Teixeira Gomes

Do prefácio do livro de Joaquim António Nunes Da Vida e da Obra de Teixeira, Lisboa : [s.n.], 1976.
x
Para além da beleza do pensamento é, no meu entender, o que é a política: desencanto!
Obrigada MR e Luís.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

150 anos de Manuel Teixeira Gomes

Só me lembrei, depois de ter passado pelo Arpose.


Veremos o que vai dar esta iniciativa da Câmara de Portimão,
que me parece boa para comemorar M.T.G.

sábado, 18 de outubro de 2008

18 de Outubro - 3

Manuel Teixeira Gomes
O escritor Manuel Teixeira Gomes, Presidente da República entre 1923 e 1925, morreu em Bougie (actual Bejaia), na Argélia, em 18 de Outubro de 1941. Vivia exilado desde 1925.

Marques de Oliveira – «Manuel Teixeira Gomes»,
óleo sobre tela, 1881
Porto, col. Museu Nacional de Soares dos Reis

DOIS EXCERTOS:

Junho, 14 [1895]
É um verdadeiro enigma o modo como se mantém o café do Hotel Internacional, conhecido geralmente pelo «Aquário dos imbecis». Os frequentadores, que são pouco numerosos, nada tomam: vão lá para conversar e ver a gente que passa a caminho da Avenida.
Um exemplo bem frisante: uma vez ouvi o barão da Regaleira dizer ao criado: - «Olha, Paço, se alguém procurar por mim dize que não tardo nada; vou ali a casa tomar café e já volto…»* Um freguês fixo, e invariável nas bebidas fortes, complicadas e caras, é o grandíssimo borrachão do encarregado de negócios da Rússia, mas esse nunca paga coisa a conta do hotel, onde ocupa há mais de um ano um belíssimo aposento.
Nisto pensava eu, muito repimpado em cómodo cadeirão, à porta do «aquário», esperando pelo Fialho, a quem dera rendez-vous, quando ele me aparece mais enfeitado do que uma noiva de aldeia. O que el trazia na gravata não era alfinete mas um autêntico broche; a abotoadura do colete de vidro colorido; e a cadeia do relógio toda resplandecente de pedraria falsa. A abordagem foi algo penosa. Não resisti a perguntar-lhe se eram aquelas as jóias com que a Emília das Neves representara «Joana a louca», e ele, todo abespinhado, faz menção de se ir embora. Mas serenei-o como pude e ficou. Passámos o dia juntos, alegres e descuidados como sucedia há dez anos; ele, despido de pompas literárias, estava singularmente feliz nos seus ditos, e eu ri de gosto vezes sem conto. […]
In: Regressos. 2.ª ed. Lisboa: Seara Nova, 1935
* Devíamos seguir este método: sentarmo-nos na Brasileira e ir tomar café à Benard.

Tunes, 7 de Janeiro de 1927
Meu caro Amigo [Ferreira Mira]:
Quando me soltei de Belém, para voltar às minhas antigas peregrinações, foi no propósito de me remeter ao mais absoluto e intangível silêncio. Não tencionava visitar lugares que tivesse visto antes, e a comparação das impressões actuais e passadas desdobrava-me suficientemente, para que eu pudesse manter comigo esse diálogo, a que tanto se prestam as viagens, e que na maioria dos casos torna apreciável a presença de um companheiro, ou a correspondência seguida com um amigo. Supunha-me suficientemente apetrechado para a existência solitária. O meu amor à solidão tem de particular que de forma alguma me exalta ou excita o espírito revolucionário. Dizia um filósofo da antiguidade que viver «sozinho» é próprio de um deus ou de uma fera. Graças ao progresso eu julgo que se pode viver contente na solidão, sem ser deus ou fera. Mesmo o espírito subversivo, hoje, pela complicação da vida actual, precisa, para se desenvolver e fortificar, da cooperação de muitos indivíduos –, aliás não cria asas e morre gorado, como o pinto na casca. […]
In: Miscelânea. Venda Nova: Bertrand, 1991, p. 39-40