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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Livros de Macau


Grande Feira do Livro de Macau até 3 de novembro, na Livraria do Turismo de Macau (Av. 5 de Outubro, 115, Lisboa).

• Dia 29 de outubro
16h00 – Sessão sobre Poetas de Macau (com evocação de Camilo Pessanha), na Fundação Casa de Macau em Lisboa, no Príncipe Real.
18h30 – Chá gordo*.

• Dia 31 de outubro
15h00 – Conferência tendo por tema os livros de Direito publicados em Macau, na Universidade Católica, por Filipa Guadalupe.
18h30 – Lançamento do livro de Shee Va, Espíritos, apresentado por Beatriz Basto da Silva, na Delegação Económica e Comercial de Macau.

• Dia 1 de novembro
17h30 – Conferência “Macau Visto do Mar: olhares sobre a cidade de marinheiros portugueses do século XX”, por Alfredo Gomes Dias, no Clube Militar Naval.

• Dia 2 de novembro
18h30 – Conferência sobre as Histórias de Macau, por Beatriz Basto da Silva, na Delegação Económica e Comercial de Macau.

• Dia 3 de Novembro
18h30 – Evocação de Maria Ondina Braga, em sessão orientada por José António Barreiros, na Biblioteca Nacional de Portugal.

*O 'chá gordo' é uma festa. «Ao final da tarde, por volta das 17h00-18h00 as pessoas reúnem-se em grupos familiares e de amigos para uma refeição e momento de convívio que se prolonga até ao jantar. É portanto um lanche ajantarado que inclui dezenas de iguarias... um pouco de tudo o que constitui a gastronomia macaense.»
(http://macauantigo.blogspot.pt/2012/12/cha-gordo-de-natal-na-casa-de-macau-em.html)
Acrescentado depois do comentário de bea.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Marcadores de livros - 170

Cinco marcadores com frases de Maria Ondina Braga. Edição do museu Nogueira da Silva, de Braga, onde se encontra o espólio da escritora.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Homem Pássaro







A noite ia avançada. Mr Green pôs-se a encher o cachimbo. Um sossego completo, não fosse o estalar da lenha no lume e um vago rumor de penas. Entretanto, surpreendida com a loquacidade de Mr Green, eu ia dando conta de quanto ele estava a parecer-se com um pássaro. Caminhava aos saltinhos; bebericava o chá erguendo e baixando a cabeça; ao contrário do que se espera de um inglês, abria os braços a meio da conversa, como se batesse as asas; e os seus olhos miúdos e de bordos avermelhados, piscavam mansamente como os de um pombo.

Maria Ondina Braga, " O Homem Pássaro", in estação morta, Lisboa: Vega, 1980, p.88.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ondina Braga!

Ando a ler Ondina Braga, uma escritora que descobri há pouco tempo embora conhecesse o seu nome.
Perdi durante estes anos todos a beleza e profundidade da sua escrita. O encontro com o Oriente, as viagens, a percepção cuidadosa das descrições às quais junta a sua alma. É sem dúvida uma grande escritora.
A sua personalidade feminina tem um toque de masculinidade na procura do ser, nas experiências vividas, tirando partido do destino que se lhe apresentara.
Viveu cada momento com intensidade, com inteligência, com a reserva da sua identidade e solidão. Ao mesmo tempo que parece corajosa, desafiadora é também sensível e frágil. Não sei se penetrei na sua interioridade mas até onde entrei encantou-me.
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"Estavam no salão e o senhor Wei falava em bebidas, em aperitivos. Ela pediu chá. Apreciava chá de jasmim, mas o que lhe trouxeram foi chá de rosas, ao mesmo tempo amargo, brando, quente e fresco, com uma pétala acabada de colher e da cor da bebida.
Criados silenciosos preparavam o uísque do senhor Wei, deitavam o chá.
O senhor Wei disse:
- Miss, vai viver estes dias no meio de homens. Tai-tai mora no fundo do parque. Desejo que se sinta em sua casa.
Sorvendo o chá, de olhos baixos , Maria não respondeu."
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Maria Ondina, O Amor e a Morte, (contos) Braga: Livraria Editora, sd. p. 47. Este livro obteve o prémio Ricardo Malheiros.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

As melhores compras dos últimos tempos!

Um dia proveitoso a todos os níveis. Fiquei feliz com as minhas compras, tive que sair da livraria para não me tentar mais.


Comprei dois livros de Ondina Braga, primeira edição, não sei se houve mais, a um preço muito simpático e eram os únicos que existiam na livraria.

Um deles foi Amor e Morte de 1969 pela módica quantia de 7,5 euros. O outro foi Estação Morta por 6,5 euros.



Comprei uma segunda edição de Três Histórias de Amor de Yvette Centeno


De Rainer Maria Rilke, que adoro, comprei a primeira edição de As Elegias de Duíno e Sonetos a Orfeu, traduzida por Paulo Quintela.


Paulo Quintela escreveu: "das presentes versões portuguesas das Elegias de Duíno foram anteriormente publicadas as seguintes:
1ª Elegia, no nº 8 da Revista de Portugal, Director Vitorino Nemésio, Coimbra, 1939;
2ª e 3ª Elegias, respectivamente no 2º e 3º fascículo da revista Arvore, de Lisboa, Maio e Agosto de 1952;
4ª,5ª e 6ª Elegias, respectivamente nos nºs 5 (Maio de 1963) e II (Dezembro de 1963) da revista de Lisboa «O Tempo e o Modo». As restantes publicam-se aqui pela primeira vez.
Coimbra, 24 de Dezembro de 1968".
Rainer Maria Rilka, As Elegias de Duíno e Sonetos a Orfeu, Porto: Editorial Inova, 1968, p.177

sábado, 19 de junho de 2010

Estátua de Sal!

Museu Nacional de Arqueologia de Atenas, escultura
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Grécia 2008.


Haverá alguma coisa que eu possa viver nesta hora, algum sonho que não me doa a realidade?
Arrumei o quarto. Tirei os retratos da parede, o Cristo de metal todo verde, o Buda de porcelana. Relacionei, depois estas humildes tarefas com uma hipotética partida e estremeci de alegria. Fiz de conta que ia partir. Vi-me a despedir das alunas, das professoras, da directora, a atravessar as ruas de Macau: «Vou-me embora, sabem?» Falava para as pedras, para os caracteres doirados dos anúncios, para as velas negras das lorchas no cais.
Partir é bom, mas pensar em partir melhor ainda. Quanto a mim, acho que tenho sempre chegado. Partir é esperança. Chegar desencanto.

Maria Ondina Braga, Estátua de Sal, Lisboa: Editor José A. Ribero, 1983, p.72

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Casas de chá de Macau


Casas de chá tradicionais chinesas, emissão de 4 selos pelos Correios de Macau, 1996

«Foi uma tristeza nova a que ontem me visitou na casa de chá, no meio das minhas amigas macaenses. Estava connosco um moço que tinha graça, e ríamos. Falou-se de jogo, de dança, de papagaios. Nas outras mesas, mulheres e homens metropolitanos, macaístas, um ou outro chinês. No ar, música suave. A tarde tombava.»
Maria Ondina Braga
In: Estátua de sal. Lisboa: Ulmeiro, 1983, p. 36

Há quantos anos não abria este livro?