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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Em Macau à procura de Camilo Pessanha


Onde foi a casa do poeta
agora é um pátio de escola em que brincam crianças
e tem à frente um baloiço
e lá atrás duas árvores. 
Na esquina da rua com o seu nome
um mendigo serrazina a sua viola
e o som alonga-se chorado, 
chora e perde-se devagar
nas outras ruas que levam 
à Travessa do Pagode, 
à porta da loja onde ainda o espera 
o amigo antiquário Ah-Men. 

Já ninguém sabe o destino 
do cachimbo com que inventava
paraísos e princesas
ou sereias, com seus cantos, 
músicas e campos de liliáceas, 
cores de mil maravilhas 
ao mundo que bem sabia 
que era mais o daquele mendigo 
àquela esquina para a Sam Má-lô 
e a sua viola chorando 
pela moeda de meia pataca 
que também eu me esqueci de deitar 
na tigela que tinha ao lado. 

Pedro da Silveira
In: Corografias. Lisboa: Perspetivas & Realidades, 1985.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Macau na atualidade


Nada que não se saiba, mas um bocado assustador. Ao que se suspeita. algo no estilo se passou no Porto recentemente.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Livros de Macau


Grande Feira do Livro de Macau até 3 de novembro, na Livraria do Turismo de Macau (Av. 5 de Outubro, 115, Lisboa).

• Dia 29 de outubro
16h00 – Sessão sobre Poetas de Macau (com evocação de Camilo Pessanha), na Fundação Casa de Macau em Lisboa, no Príncipe Real.
18h30 – Chá gordo*.

• Dia 31 de outubro
15h00 – Conferência tendo por tema os livros de Direito publicados em Macau, na Universidade Católica, por Filipa Guadalupe.
18h30 – Lançamento do livro de Shee Va, Espíritos, apresentado por Beatriz Basto da Silva, na Delegação Económica e Comercial de Macau.

• Dia 1 de novembro
17h30 – Conferência “Macau Visto do Mar: olhares sobre a cidade de marinheiros portugueses do século XX”, por Alfredo Gomes Dias, no Clube Militar Naval.

• Dia 2 de novembro
18h30 – Conferência sobre as Histórias de Macau, por Beatriz Basto da Silva, na Delegação Económica e Comercial de Macau.

• Dia 3 de Novembro
18h30 – Evocação de Maria Ondina Braga, em sessão orientada por José António Barreiros, na Biblioteca Nacional de Portugal.

*O 'chá gordo' é uma festa. «Ao final da tarde, por volta das 17h00-18h00 as pessoas reúnem-se em grupos familiares e de amigos para uma refeição e momento de convívio que se prolonga até ao jantar. É portanto um lanche ajantarado que inclui dezenas de iguarias... um pouco de tudo o que constitui a gastronomia macaense.»
(http://macauantigo.blogspot.pt/2012/12/cha-gordo-de-natal-na-casa-de-macau-em.html)
Acrescentado depois do comentário de bea.

terça-feira, 15 de abril de 2014

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Caixa do correio - 14

Uns selos com o retrato de Henrique de Sena Fernandes (1923-2010). Já em tempos aqui falei do filme  de Luís Filipe Rocha, Amor e Dedinhos de Pé, baseado num livro dele.
Há muitos anos comprei na Feira do Livro, no Pavilhão do Instituto Cultural de Macau, uns livros deste macaense que estudou em Coimbra. Livros que li com agrado.
Para além de escritor, Sena Fernandes foi advogado e  professor. 

Macau: Ed. do autor, 1978 
Lisboa: Fundação Oriente, 1993 
Este livro também foi adaptado ao cinema.
Macau: Instituto Cultural de Macau, 1980 
Lisboa: Gradiva, 1988

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Leituras no Metro - 120


Camilo Pessanha e a escrita chinesa

Camilo Pessanha profere uma conferência no Grémio Militar de Macau, em 28 de maio de 1910, a qual é relatada pelo jornal A Verdade (Macau, 2 jun. 1910):
«Mostrou como a língua chinesa falada, tendo-se conservado monossilábica, ao contrário de todas as outras, atingiu, não obstante, um grau de cultura suficiente para poder traduzir com precisão e clareza as mais complexas noções de ciência contemporânea, lucrando ainda, em se ter conservado monossilábica, o ser enriquecida com um elemento prosódico, os tons, que não tem correspondente em nenhuma outra e é de um alto valor oratório e poético; e como a escrita, tendo-se conservado fundamentalmente hieroglífica, quando a de todo o resto do mundo é fonética desde o tempo dos Fenícios, e constando de mais de duzentos mil caracteres, não só é relativamente fácil para a memória dos chineses, especialmente treinada na fixação dessas grafias, mas ainda deu origem a uma caligrafia que é verdadeira arte, realizando a beleza plástica e interpretando e comunicando emoções, - arte cuja existência, nós, os europeus, mal podemos compreender por ser incompatível com a nossa escritura fonética. […] Ocupando-se especialmente da estética, referiu-se ás brilhantes qualidades artísticas naturais da raça chinesa: a vivacidade de imaginação, a perspicácia de intuição do pitoresco, o equilibrado sentimento da composição, o enternecido amor da natureza. Mostrou, porém, como, não obstante esses dotes naturais, os chineses não conseguiram levantar o seu espírito até à noção de arte pura ou arte filosófica: a sua arte é apenas decorativa ou de aplicação. A sua escultura não é estátua: é ícone, ou alfaia, ou bibelot. A sua pintura é mera decoração mural.»

De uma conferência de Camilo Pessanha sobre literatura chinesa, relatada pelo próprio no jornal O Progresso (Macau, 21 mar. 1915):
«[…] natureza ideográfica dos caracteres e o seu consequente grande poder de evocação visual; o intrínseco valor estético desses caracteres – cada um dos quais é fundamentalmente um desenho  estilizado do mais puro gosto e do melhor efeito decorativo; e a euritmia musical da frase escrita, na sua transliteração prosódica, que, pela sábia valorização dos tons , é mais rica, mais expressiva e mais perfeita na literatura chinesa do que o de nenhuma métrica europeia, ao mesmo tempo que elemento essencial de toda a composição literária chinesa, seja qual for o género a que esta pertença.»
(Cit. por Daniel Pires in Camilo Pessanha - Correspondência, dedicatórias e outros textos. Lisboa: BNP; Campinas: Unicamp, 2012, p. 59, 66)

Algumas as peças de arte chinesa, da coleção que Camilo Pessanha ofereceu ao Estado português. Bem se podia fazer uma exposição dessa coleção que me parece estar disseminada por vários museus. Aliás, a aceitação dessa oferta foi cheia de vicissitudes. José de Figueiredo, na época diretor do MNAA, dizia que ela não tinha dignidade para integrar um museu nacional.
Vasos com tampas decorados a cinco cores. ca 1640, reinado Chongzhen, dinastia Ming
Prato em porcelana chinesa de exportação (Companhia das Índias), decorado em esmaltes da paleta Família Rosa, ca 1730, reinado Yongzhen, dinastia Qing

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Leituras no Metro - 118


Paris: Baudinière, cop. 1938

Nunca tinha lido este livro que deu origem ao filme de Jean Delannoy, gravado em 1939 e que estreou oito anos mais tarde, em Portugal, com o título Labaredas. Mas não fiquei fã...


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Publicidade de Macau

Mais anúncios às empresas de fogo de artifício que se encontravam instaladas na Taipa, em Macau (V. Leituras de Metro - 115).

sábado, 26 de janeiro de 2013

Leituras no Metro – 116


«Macao était plongé dans une douce léthargie.»
In: Joseph Kessel – Hong Kong et Macao. Paris: Gallimard, 1957, p. 226. (L’air du temps)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Leituras no Metro - 115

Paris: Gallimard, 1957. (L’air du temps)

«- Vous allez voir ce qui fait la gloire de Taïpa: ses fabriques de feu d’artifice.
«J’appris allors que cette petite île perdue de la baie de Canton, faiblement peuplée, infertile et ingrate, était reputée dans deux continentes parles raquetes crepitantes, les fusées magiques, les soleils tournoyants, les pluies d’étoiles embrasées qui s’épainouissent au ciel, dans les nuits de célébration et de joie.
«Pendant des siècles, la Chine avait été la grande cliente de cette industrie du merveileux. La Chine où pas une fête, aps une cérémonie, pas une réjouissance ne pouvait se dérouler – fût-ce dans les provinces les plus lointaines – sans joindre aux astres véritables les astres par l’homme inventés. Il fallait, sous peine de condamner une vie ou un couple au malheur, étoiler de feux célestes chaque naissance, chaque mariage et chaque anniversaire. C’était plus qu’une coutume et même qu’une superstition. C’était un rite, une necessite.
«Ensuite, la renommée de Taïpa s’étendit jusqu’aux États-Unis et ses fabriques dispensèrent alors les mêmes illuminations au ciel nocturne de la californie qu’à celui du Sé-Tchouang.» (p. 214-215)

Alguma publicidade de Macau às empresas de fogo de artifício.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Relendo Michel Vaillant

Lisboa: Meribérica, ca 1985 
A edição original (Rendez-vous à Macao) é de 1983.

É o título de um álbum de bd da série Michel Vaillant da autoria de Jean Gration. Enquanto o grande prémio de Macau decorre, a equipa de Michel Vaillant aproveita para se reunir com um hipotético parceiro asiático… Nunca fui grande (nem pequena) consumidora de bd, mas gostava dos livros de Michel Vaillant e li-os quase todos.

sábado, 19 de junho de 2010

Estátua de Sal!

Museu Nacional de Arqueologia de Atenas, escultura
x
Grécia 2008.


Haverá alguma coisa que eu possa viver nesta hora, algum sonho que não me doa a realidade?
Arrumei o quarto. Tirei os retratos da parede, o Cristo de metal todo verde, o Buda de porcelana. Relacionei, depois estas humildes tarefas com uma hipotética partida e estremeci de alegria. Fiz de conta que ia partir. Vi-me a despedir das alunas, das professoras, da directora, a atravessar as ruas de Macau: «Vou-me embora, sabem?» Falava para as pedras, para os caracteres doirados dos anúncios, para as velas negras das lorchas no cais.
Partir é bom, mas pensar em partir melhor ainda. Quanto a mim, acho que tenho sempre chegado. Partir é esperança. Chegar desencanto.

Maria Ondina Braga, Estátua de Sal, Lisboa: Editor José A. Ribero, 1983, p.72

domingo, 10 de janeiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Macau nos séculos XVIII e XIX - 2


Peter Bernhard Wilhelm Heine (1827-1885) - Jesuit convent, Macao [Ruínas de S. Paulo]
Litografia, ca 1860http://purl.pt/13064

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Macau: The eight


Oito, o número da sorte. O nosso almoço está a ser aqui. Parece que é preciso marcar com oito dias de antecedência.
É uma estrela Michelin.

Inspiração em Sintra?

Talvez inspirado em Sintra, no famoso tecto da sala do Palácio da Vila (decorado com os não menos famosos veados com as armas dos Grandes de Portugal), vi encontrar em Macau, no MGM Grand, uma parede toda decorada com estas armas e divisas que, confesso, não sei se são apenas fruto da imaginação... Mas que fica original e que dá saudades...
Aqui ficam algumas fotos:

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010