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quinta-feira, 1 de julho de 2021

O «Tesouro dos remédios da alma» - 49

The John Rylands Library, Manchester

«Quando era jovem e estava a tirar o meu doutoramento em Inglaterra tentava aproveitar o máximo de tempo para ler e escrever e assim não tive vida. Pensava: "Já tenho 20 anos, nunca mais vou estar aqui e por isso tenho de aproveitar para ler, ler e ler." O mal dos países ditos civilizados é que têm muitos estímulos. As bibliotecas estão cheias de livros maravilhosos e se uma pessoa for maluquinha de trabalho nunca mais pára. Pode-se enlouquecer com tanto para usufruir.» 

Miguel Esteves Cardoso - entrevista à Revista do Expresso, 7 nov. 2020, p. 52.


sexta-feira, 23 de abril de 2021

«O livro é muito bom?»

Londres, Tate

- Quando começou a aprender a desperdiçar tempo?
- Estou ainda a tentar: - «O livro é muito bom? Deixa-o estar um bocadinho.» Ler só uma página ou duas e depois passar para outro. É um processo de aprendizagem. Verdadeiramente, ainda não o aprendi. Oscilo entre aquela consciência de que está tudo a desaparecer e que o tempo está a passar e se não se suga tudo agora nunca mais se vai sugar.
Miguel Esteves Cardoso - entrevista à Revista do Expresso, 7 nov. 2020, p. 52

Como eu o percebo. Antes do último confinamento almocei com um amigo que estava a ler Terra Alta de Javier Cercas e falámos dessa sensação de não querer que o livro acabe. 
Mas se «o livro é muito bom», leio-o de rajada. Só se não puder.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

quinta-feira, 2 de abril de 2020

O bem português


Não é só gostar dos italianos: eu seria incapaz de gostar de alguém que não tivesse uma grande ternura pelos italianos. 
É um alívio que o coronavírus esteja a abrandar na Itália. Comoveu-me o cuidado que os italianos tiveram — até os mais aflitos — de avisar os outros países, instigando-os a proteger-se mais cedo do que eles puderam. É por isso que me envergonha que os italianos tenham pedido ajuda e que não a tivéssemos dado quando mais precisavam. 
Tudo isto da solidariedade e da entreajuda é mais antiga do que a conversa dos coronabonds. Não é só a União Europeia que está em causa: é a Europa. Nem é só simpatia e admiração. Aprendemos muito com os italianos, tanto no pretérito como no presente do verbo. 
Foi a Itália que assustou Portugal. Os nossos médicos identificam-se com os italianos. Há até um certo complexo de inferioridade na questão — mas quem não é inferior aos italianos? E haverá maiores peritos em complexo de inferioridade do que nós portugueses? 
Pensámos: «Se é este inferno em Itália, imagine-se o que vai ser em Portugal. Sendo eles mais ricos, populosos e experientes do que nós, a nossa única maneira inteligente de reagir é fazer como eles fazem, com a vantagem de estarmos mais atrasados na pandemia.» 
Assim fizemos, porventura com o zelo acrescido do bom aluno. Nunca percebi qual era a vergonha de ser bom aluno. Vergonha é não reconhecer e não agradecer os bons professores que se teve. 
Ainda bem que não caímos na asneira de tentar uma via original para o coronavírus, daquelas «bem portuguesas».

Miguel Esteves Cardoso
Público, 1 abr. 2010

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Citações



(...) Quando fomos viver para o Banzão, tínhamos tantos caixotes de livros num armazém que não arranjámos, durante um ano inteiro, coragem para os transferir para as estantes da nova casa.
No meu escritório, fiquei com três grandes estantes vazias. Fui enchendo-as de tudo o que queria guardar, desde livros novos a pedrinhas da praia, máquinas fotográficas, pinturas, frascos de perfume, flores , latas de bolachas, cadernos, canetas e todas as tralhas do dia-a-dia.
Foi maravilhoso dispor de tantas superfícies para ocupar. Estava tudo à vista e à mão. Desde o princípio, tratei as estantes como composições, mudando os materiais até ficarem como eu queria. Depois passei por uma fase em que me diverti a ver os resultados estéticos da acumulação aleatória.
Era bom estar rodeado das coisas que me iam acontecendo. Ajudava-me a escrever. Dava-me vontade de ir enchendo também o écran do computador de palavras apanhadas de sítios diferentes da minha cabeça.
Agora tenho todas as estantes ocupadas e os livros parecem-me presos, sem saberem pedir socorro.

- Miguel Esteves Cardoso, no Público da passada Sexta-feira.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Um quadro por dia - 370


Willem van Aelst, Natureza morta com fruta e borboletas , National Gallery of Art, Washington.

Comemos pêssegos carecas e peludos, ginjas anãs, cerejas pretas, os melhores damascos de sempre, morangos atrasados, ameixas amarelas, pêras verdes, nêsperas das árvores mais sombrias. Fiquei com barriga de pomar. Já não podia comer mais. Esta é a semana pela qual esperámos todo o ano, a semana que já não volta mais, a semana de todas as frutas, a semana de tudo. (...)

- Miguel Esteves Cardoso, no Público da passada Sexta .

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Citações



(...) É sempre mau sinal quando começam a contar os estrangeiros. É sempre mau sinal quando se começa a dividir as pessoas em elas e nós. É sempre mau sinal quando um fabricante de sofás, acusado de empregar mais estrangeiros que britânicos, responde que é mentira e apresenta provas de que emprega mais britânicos. A resposta correcta seria mandá-la dar uma volta ao bilhar grande. Com toda a legalidade- pelo menos por enquanto-, a empresa pode nem sequer ter um único trabalhador britânico.
Os conservadores ingleses estão a competir selvaticamente para ver quem é que consegue ser mais " brexiteiro " . No Spectator até o civilizado Charles Moore faz piadas sobre pessoas excessivamente educadas e escolhe como lema as palavras suspeitas do genial mas xenofóbico pseudo-inglês T.S. Eliot : " Now and England ".
A retórica da solidão é sempre perigosa. E já começou a apodrecer. Os ingleses estão a tornar-se no que mais temiam : ridículos .

- Miguel Esteves Cardoso, no PÚBLICO de Sexta-feira .


E ainda a procissão vai no adro ...

sábado, 11 de julho de 2015

O segredo das boas carnes frias é o segredo sensacional da mostarda inglesa da Colman’s

Há carnes frias e carnes frias. As melhores carnes frias são aquelas que se comeram assadas na véspera. A melhor de todas é de roast beef britânico que nada tem a ver com o menos delicioso rosbife português. 
Na ressaca do Natal são as fatias frias da perna de peru mas melhores ainda são as pernas (ou o lombo) de porco. E são boas frias porquê? 
Porque são a melhor desculpa que há para comer mostarda inglesa. 
Há muitas mostardas inglesas mas só uma é séria: a Colman’s em pó. Vem em latinhas lindas de 57, 113 e 454 gramas (uma libra britânica). Esta última sai mais barata e, caso consiga comer a mostarda toda, fica com uma lata estupenda para pôr lápis e canetas. É a mostarda mais vendida no Amazon.co.uk e a lata gigante custa 11 euros. Sai a 3 euros por 100 gramas e 100 gramas de pó dão para fazer mais de um quilo de mostarda. 
Este ano a Colman’s fez 200 anos e tive a sorte de poder experimentá-la em bons restaurantes londrinos com mais de duzentos anos de idade. Mandei vir a mostarda no Wilton’s em Jeremyn Street (de 1742), para mim o melhor restaurante de Londres. Provei-a no decadente mas épico Simpson’s-in-The-Strand (de 1828), no Ritz Hotel (de 1906) e no Tea Salon do Fortnum’s (de 1707). A mais bem misturada (numa vasta molheira de prata) foi o do Ritz mas estavam todas magníficas. 
São caríssimos, estes restaurantes, mas a mostarda que usam é a mesma: é aquela que custa 11 euros por 454 gramas. Terão alguma maneira secreta de misturar a mostarda? Embora haja algumas manias (como misturar com leite para ser menos picante) só há uma maneira de transformar a farinha de mostarda em molho de mostarda: é misturar-lhe igual quantidade de água, mexer bem e esperar 10 minutos. 
Estou sempre a esbarrar com mais um exemplo da epifania de Andy Warhol, ao observar que os ricos não podem comprar uma Coca-Cola melhor do que pode um vagabundo. 
A mostarda da Colman’s é a melhor mostarda inglesa, é a que sai mais barata e é a mais fácil de fazer. A coisa mais difícil é esperar 10 minutos. 
Claro que a Colman’s também fabrica dezenas de mostardas já misturadas. São mais convenientes e também são boas. Mas não são a mesma coisa. Este é o segredo que a Colman’s preferia que não soubesse mas vai ser a minha boa acção contá-lo.
O único ingrediente do pó de mostarda é farinha de mostarda, a invenção de Jeremiah Colman em 1814. Quando se junta água para fazer a mostarda são esses os dois únicos ingredientes: farinha de mostarda e água. A mostarda já feita da Colman’s só tem 21% de farinha de mostarda. Leva também açúcar (iaque!), sal (que salga de mais), farinha de trigo (batota!), curcuma (influência do Raj?) e ácido cítrico (para preservar). 
A mostarda já feita ainda pica mas não é nem de longe tão picante como a mostarda verdadeira, feita a partir do pó. Nós portugueses temos, às vezes, a mania que gostamos de picantes e que aguentamos com altos graus de piripiri mas o verdadeiro teste da capacidade de resistência é a mostarda inglesa. O verdadeiro wasabi é um doce comparado com ele, enquanto o wasabi feito do pó verde, que se come na grande maioria dos restaurantes de sushi, é uma versão mais suave da mostarda inglesa. 
A Unilever comprou a Colman’s em 1995 e muitos temeram que deixasse de produzir o pó original que rende tanto e sai tão barato. Tiveram o bom senso e o respeito de continuar a produzi-la, nas mesmas embalagens atraentes, pelos mesmos preços de amigo. 
Não é pequeno o gesto. Quem descobrir a mostarda em pó da Colman’s deixará de comprar as versões já feitas, que são mais lucrativas.
Em 2000 a Unilever comprou um fabricante de mostardas ainda mais antigo do que a Colman’s: a Maille, que nasceu em 1723 e fará 282 anos em 2015. 
A Maille também se desdobra em dezenas de versões. A melhor de todas (e a mais barata) continua a ser a Dijon Originale. Um frasco de 215 gramas custa 3,50 euros. Falo nela porque é a mostarda mais parecida com a inglesa da Colman’s. Caso ache a Colman’s picante de mais (ou não gosta do efeito secundário de fumegar as vias respiratórias), a Dijon Originale, sendo um pouco mais suave, substitui-a perfeitamente.

Miguel Esteves Cardoso
(Público, 27 dez. 2014)

Também gosto de mostarda Colman's. Guardei o artigo para esta época, porque agora sabe bem comer umas carnes frias.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Será verdade?

"Nunca crescemos. Julgamos que ficamos crescidos mas a única, inútil verdade é que fomos andando, de ano para ano e de idade para idade, enaltecendo a ilusão venenosa de estarmos a progredir."

Excerto da crónica de Miguel Esteves Cardoso, na edição de hoje do Público


sábado, 10 de janeiro de 2015

Citações


(...) Os psicopatas assassinos que invocam o Islão para passarem por pessoas religiosas podem achar que a nossa misericórdia é um sinal de fraqueza.
Não é. É uma prova de força. Tal como já não se sacrificam animais, não se matam pessoas. Pelo menos na Europa que, por muitos problemas que tenha, está sempre à frente dos países mais antigos ( como a China ) ou mais novos ( como os EUA ) que continuam a tolerar as penas de morte.
Com o desprezo dos assassinos e dos intolerantes podemos nós bem. As pessoas que acham que está certo matar pessoas que matam já são desprezíveis. Mas não é preciso matá-las por causa disso.
A vingança certa é ser condescendente com os assassinos. É tirar-lhes a razão. É não termos pena deles. Nunca.

- Miguel Esteves Cardoso, no Público de ontem .

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O riso...

Frans Hals the Elder, Three Children with a Goat Cart, c. 1620,
Wikipedia 


 O choro, como o bocejo, é contagiante. O riso, como a batata doce, é uma partilha de cumplicidades. Chorar é público. Rir é particular. E por isso que conseguir que se ria pública e colectivamente é um feito glorioso e irrelevante.


Miguel Esteves Cardoso a propósito de Ricardo Araújo Pereira no Público de hoje.



segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Outono


Quando começa a chuva a nossa alma portuguesa atrasa-se uma antiguidade. Convencemo-nos que doravante vai ser sempre assim, que já não nos livramos; que havemos de ser enterrados com a chuva a bater-nos na terra molhada que nos pinga para o caixão.”


Miguel Esteves Cardoso (excerto da sua crónica publicada hoje, no Público)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

R.I.P. Jimmy Scott

Sempre foi difícil para mim não chorar um bocadinho quando ouvia Jimmy Scott a cantar My Foolish Heart.
Não houve outra canção que ele cantasse melhor nem houve outro ou outra vocalista que cantasse melhor My Foolish Heart.
Ouça My Foolish Heart cantado por Carmen McRae, Joe Williams, Frank Sinatra, Tony Bennett, Susannah McCorkle, Jane Monheit ou Kurt Elling, por exemplo. Depois ouça as várias versões dos pianistas Bill Evans, Oscar Peterson, Keith Jarrett e Liz Story.
Ficará com uma apreciação da maravilhosa instabilidade da canção de Victor Young (música) e Ned Washington (letra). Há ali um peso misterioso, uma lúgubre melancolia que, ninguém sabe como, consegue ser angustiante e erótica ao mesmo tempo.
Depois ouça Jimmy Scott e, logo a seguir, a versão de Bill Evans no álbum Waltz for Debby, gravado ao vivo no Village Vanguard em Junho de 1961. Parece que Jimmy Scott está a responder a Bill Evans, com grande respeito mas com maior indignação.
Jimmy Scott canta em sílabas. Algumas surgem com um sotaque escocês e outras são soletradas como se o cantor não conseguisse falar inglês. A canção quer ser calma e engatatona mas Scott impede-a de ser. Desmascara-a e encruece-a. Carrega-a de nervosismo glorioso. Salva a canção do lamento autobiográfico e atira-o para o aqui e agora de uma ilusão amorosa que se segue a muitas outras mas que se quer, desta vez, que seja de verdade.
Requiescat in pace, Jimmy Scott. Agora choro-te a sério.

Miguel Esteves Cardoso
(Público, 18 jun. 2014)

segunda-feira, 5 de maio de 2014

MEC


(...)
Espanta-se por escrever tanto sobre os pêssegos-rosa, sobre Colares, o mar, os andorinhões? Ou fazer uma crónica diária implica, por vezes, trocar a qualidade pela quantidade ?

Quando as crónicas saem mal, estão péssimas. Muitas saem mal, não têm qualidade nenhuma. Mas outras saem bem. Mas em relação a temas como Colares, o mar, os pêssegos, as cerejas, as andorinhas,  tenho uma coisa militante - já não tenho pachorra para ouvir alguém elogiar um restaurante em Paris ou em Manhattan, ou dizer que está maravilhosamente bem nas Ilhas Maurícias ... Irritam-me. Temos jornais e revistas  cheios de coisas caríssimas que não são acessíveis. Estamos a fugir para algo ultracomercializado. A ler jornalistas que vão para os hotéis e que viajam a convite de ... : são experiências por procuração, nós não temos acesso a elas. Eu quero saber de coisas que todos possam comprar.

(... ) Não é recomendar um vinho que custa 50 ou 70 euros, quem é que pode comprar um vinho assim?! Trata-se de falar de coisas que estão ao nosso alcance. E há muitas. Por exemplo, o tremoço : é tão difícil encontrar um bom tremoço. Vêm todos da Austrália e assim. Os únicos tremoços bons são os da Portugália : fazem-lhes uma cura de três dias em água quente e são óptimos. (...)

- entrevista à VISÃO. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Bom dia !



Não porque o tempo esteja stormy, felizmente, mas porque foi a primeira canção que ouvi hoje, a " recomendação " do dia de Miguel Esteves Cardoso na Antena 1.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Citações



É difícil despedirmo-nos das noites quentes. De uma janela da nossa casa vê-se o farol do cabo da Roca. Cada vez se acende mais cedo. Mas o calor no ar absolve a pressa da luz para desaparecer. Ainda.
As noites da última semana de Agosto são antecedidas por estranhas formações de nuvens, a moverem-se contra as aquarelas lavadas do céu.
Estas são as noites de janelas abertas, em que os sons, os cheiros e as luzes das cercanias se apresentam e nos visitam como os vizinhos que, de facto, são. Sabe bem pertencer a uma comunidade de sentidos. Daqui a pouco partilharemos as primeiras trovoadas inesperadas, traduzidas nas mesmas frases de espanto de sempre, trocadas enquanto esperamos para pagar o pão e o leite. (...)

- Miguel Esteves Cardoso, As noites de Agosto, no PÚBLICO de sábado passado.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O tempo

Que horas são, Dona Cândida? Nelson Leiner, 1965
Cortesia do Google

O tempo  é o meu maior património.
Miguel Esteves Cardoso

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ainda os ovos

(... ) Quando era pequenino, o meu pequeno-almoço favorito era ovo cozido com soldiers : tiras de torrada com manteiga que mergulhávamos nas gemas. Um só ovo de três minutos, num copinho especializado, temperado por quem come ( com mais manteiga se a gema estiver para o seco ), é a primeira experiência gastronómica de quem nasceu há pouco tempo.

- Miguel Esteves Cardoso, idem

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Na hora de ...

                           
             Thomas Waterman Wood, Fresh Eggs, 1883, óleo sobre tela, Metropolitan Museum, Nova Iorque ( com agradecimento a M.R. que foi mais diligente do que eu na descoberta da autoria ).

(...) O cúmulo francês é escalfar os ovos em manteiga. O cúmulo inglês ( o melhor ) é estrelar os ovos na gordura que deixa o bacon, quando é sumariamente frito.
Para quem gosta da clara muito estaladiça dos dois lados, pode fritá-la sozinha e deitar-lhe a gema em cima quando quiser.
Em Portugal há a tradição - é escusado negá-la- da Margarina Vaqueiro, que só não é mais heroicamente defendida porque os apreciadores não sabem que os ovos estrelados de que tanto gostam são fritos com ela.
Deve-se experimentar estrelar ovos em todas as gorduras, devagar ou menos devagar, com a clara e a gema tal qual as preferimos.
Para começar, frite-se um ovo fresco num bom azeite extra virgem. Não vá na conversa que isso é estragar bom azeite. Não é. Embora a estrela do ovo estrelado seja sempre o ovo. A gema é como o sol,
Que se estrelem mais ovos por este país fora!

- Miguel Esteves Cardoso, A felicidade, quando ataca, pode ser só um ovo estrelado ( ou dois ), há uns meses no Público.

( E o MEC dá mais umas sugestões que aparecerão por aqui a breve trecho, até porque gosto muito de ovos )