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quinta-feira, 21 de maio de 2015
Pensamento ( s )
(...) O homem nem sequer para si mesmo é transparente . Segundo Freud, o eu nega precisamente aquilo que o inconsciente afirma e deseja sem limites . (...) Há, pois, uma cisão que atravessa a alma humana, e não permite que o eu esteja de acordo consigo mesmo . Esta cisão fundamental torna impossível a transparência própria . E também entre as pessoas se entreabre uma fissura . É impossível a instauração da transparência interpessoal . Que não é sequer desejável . É precisamente a falta de transparência do outro que mantém a relação viva . (...)
( Tradução do grande Miguel Serras Pereira )
domingo, 6 de novembro de 2011
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Aquisições recentes - 2 : A MONSTRUOSIDADE DE CRISTO
O autor deste A MONSTRUOSIDADE DE CRISTO faz parte da minha "santíssima trindade" de pensadores contemporâneos que vou seguindo atentamente, sendo os outros dois Michel Onfray e Peter Sloterdijk. Apesar do provocador título, não se trata de maneira nenhuma de um ataque ao cristianismo por parte do Slavoj Zizek, mas antes uma análise da figura de Cristo com recurso a autores como Hegel, Badiou e Kant, mas também cotejando fontes menos habituais: Chesterton , Hitchcock ou V for Vendetta... . A tradução é do grande Miguel Serras Pereira.Aqui fica um excerto constante da contra-capa do livro:
" (...) Quando as pessoas imaginam toda a espécie de sentidos profundos porque as "assustam as palavras que dizem: Ele fez-se Homem", aquilo que na realidade receiam é perderem o Deus transcendente que garante o sentido do universo, Deus como o senhor oculto que move os cordelinhos-em seu lugar encontramos um deus que abandona a sua posição transcendente e se precipita na sua própria criação, comprometendo-se com ela até à morte, o que faz com que nós, seres humanos, fiquemos sem qualquer Poder superior que olhe por nós, sem outra coisa que não seja o terrível fardo da liberdade e da responsabilidade pelo destino da criação divina e, portanto, do próprio deus. Não continuaremos hoje a recear demasiado assumir todas as consequências dessas palavras? Não preferirão aqueles que se dizem "cristãos" guardar a imagem confortável de um Deus sentado lá em cima, que observa benevolentamente as nossas vidas, nos envia o seu filho como símbolo do seu amor, ou, ainda mais confortavelmente, com a simples imagem de uma Força Superior impessoal? "
- Slavoj Zizek, A MONSTRUOSIDADE DE CRISTO, trad. de Miguel Serras Pereira, Relógio D'Água, 2008.
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