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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Citações

" A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa, frequentados pelos gangsters de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo. Não há cafés antigos ou definidores em Moscovo, que é já um subúrbio da Ásia. Poucos em Inglaterra, após um breve período em que estiveram na moda, no século XVIII. Nenhuns na América do Norte, para lá do posto avançado galicano de Nova Orleães.
Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da ideia de Europa."




- Para M.R., que nos tem dado e mostrado bastantes :)

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

«Tratem-me por Ismael»!

Joseph Oriel Eaton - Herman_Melville, 1870 
Harvard University, Houghton Library 

Herman Melville nasceu há 150 anos.

«Tratem-me por Ismael. Há alguns anos - não interessa quando - achando-me com pouco ou nenhum dinheiro na carteira, e sem qualquer interesse particular que me prendesse à terra firme, apeteceu-me voltar a navegar e a tornar a ver o mundo das águas. É uma maneira que eu tenho de afugentar o tédio e de normalizar a circulação. [...] Embora inconscientemente, quase todos os homens sentem, numa altura ou noutra da vida, a mesma atração pelo oceano.» (Ed. Relógio d'Água)
Assim começa um dos mais empolgantes romances da literatura universal. Li-o muito jovem numa versão que Alsácia Fontes Machado fez para a Biblioteca dos Rapazes.


Muito mais tarde, li a obra numa tradução de Alfredo Margarido e Daniel Gonçalves para a Relógio d'Água:

1990

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Novidades


É pela mão da Inês de Ornellas e Castro e da Relógio D'Água que surge uma nova edição, revista e aumentada , do único tratado gastronómico de Roma Antiga que chegou até nós . Vale a pena ler e, sobretudo, praticar ...

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Pensamento ( s )


(...) O homem nem sequer para si mesmo é transparente . Segundo Freud, o eu nega precisamente aquilo que o inconsciente afirma e deseja sem limites . (...) Há, pois, uma cisão que atravessa a alma humana, e não permite que o eu esteja de acordo consigo mesmo . Esta cisão fundamental torna impossível a transparência própria . E também entre as pessoas se entreabre uma fissura . É impossível a instauração da transparência interpessoal . Que não é sequer desejável . É precisamente a falta de transparência do outro que mantém a relação viva . (...)

( Tradução do grande Miguel Serras Pereira )

sábado, 24 de agosto de 2013

Novidades


" Será possível escrever uma História da Literatura Portuguesa anterior a 1900 que inclua as mulheres? Ou, dito de outro modo : será possível falar de escritoras antes da contemporaneidade? "

Uma das interrogações de Vanda Anastácio, organizadora desta interessante antologia publicada na Relógio D'Água.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Dia Mundial do Doente

Neste Dia Mundial do Doente, um quadro ( A criança doente, de Edvard Munch, 1907, óleo sobre tela, sendo que esta tela da Tate Gallery de Londres é a quarta variação sobre o mesmo tema. A inspiração foi a irmã mais velha e preferida de Munch, Sophie, que faleceu aos 15 anos vítima de tuberculose. ) e um texto:

(...) O que aprende o doente com a dor, com o medo? A grande dificuldade para aquele que está doente e que sofre, é não estar autorizado a ser ferido por si próprio- e só esta afecção o poderá aliviar-, i.e., a sonhar, a ter visões, a evadir-se: os tratamentos quase sempre não o permitem. Na verdade, a cura só pode vir do som da voz e não do sentido da voz. Essa voz terá de saber, e fazer ressoar em si, que estar doente é uma das iniciações mais decisivas e terríveis à nossa vida, conhecer o que é perder o seu sangue, sem conhecer a causa, não no sentido da etiologia mas do estandarte que está em jogo, sacrifício que põe à prova e prova que qualquer um só se pertence a si próprio, que o homem por essência pertence-se.
Rainer Maria Rilke pede-nos que aceitemos que a dor é o nosso fundo, a nossa paisagem. Quando se sente o fundo que é a dor, diz ele, então os homens sentam-se diante dela, ela que está atrás deles, as estrelas caem e demoram-se no silêncio. A dor, o fundo que é a dor, murmura, rumoreja por cima deles como uma floresta. E eles estão perto uns dos outros como nunca estiveram. A dor é nosso fundo, é ela que nos obriga a procurar auxílio, a caminhar ao lado de alguém (...)

- Maria Filomena Molder, Princípios de Método. 4, in A Imperfeição da Filosofia, Relógio D'Água, 2003.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Biografias, autobiografias e afins - 56

Como acontece frequentemente, atrás do filme vem o livro. No caso, trata-se da biografia de Hipátia de Alexandria, personagem principal do filme Ágora de Alejandro Amenabár, da autoria da investigadora polaca Maria Dzielska.

- Hipátia de Alexandria, Maria Dzielska, Relógio D' Água, Dezembro de 2009.

sábado, 5 de setembro de 2009

PENSAMENTO DO DIA


24 - Nos seus festivais os Lacedemónios punham bancos à sombra para os estrangeiros se sentarem; eles sentavam-se em qualquer parte.

- Marco Aurélio, Pensamentos, Livro XI, Trad. e notas de João Maia, Relógio D' Água, 1995.


Porque para todos os Gregos a hospitalidade era sagrada.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

PENSAMENTO DO DIA

- denário de prata do Imperador Marco Aurélio.

74- Ninguém se cansa de receber obséquios. Recebê-los é conforme à natureza. Não te canses, pois de os receber, e ao mesmo tempo vai-os fazendo.

- Marco Aurélio, Pensamentos, Livro VII, Trad. e notas de João Maia, Relógio D'Água, 1995.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Dos meus presentes - Last but not least...

Não, não me esqueci deste quando falei em Março dos meus presentes de aniversário. Falo dele agora, porque só agora me chegou às mãos este livro do filósofo espanhol Ortega y Gasset. E como os últimos são os primeiros... vou ver se começo a ler em breve estes Estudos sobre o Amor. Obrigado!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O que estou a ler - 4

Estou a ler o mais recente ensaio do José Gil, publicado no mês passado, e onde o autor continua a sua exploração dos traços distintivos da nossa identidade. Deixo-vos hoje o primeiro dos excertos que escolhi pela sua impressividade:

" (...) Neste sentido a identidade é uma patologia de que o eu é o vírus despótico. Eu uno, unificador e omnipresente. Em tudo, na acção, na fala, nas relações sociais, na vida profissional, no espaço público, nós somos «fulanos de tal», somos pessoais e auto-reflexivos ( ao contrário da criança ou do artista ou artesão, perdidos no objecto e no jogo ) . Somos portugueses antes de sermos homens - eis a doença da hiperidentidade que nos corrói. 2. A nossa falta de confiança, a inércia, a autocomplacência, o queixume e a inveja são pragas nacionais que nos envenenam. Todas decorrem naturalmente do tipo de subjectividade produzida pela doença da identidade. Esta fecha-nos em nós mesmos, impedindo-nos de criar um «fora», ar e vento livres, respiração para viver. " ( p. 10 )

- EM BUSCA DA IDENTIDADE - o desnorte, José Gil , Relógio D' Água Editores.