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sábado, 1 de junho de 2013

Leituras no Metro - 134

Lisboa: Texto, 2013
€14,90

Enid Mary Blyton nasceu a 11 de agosto de 1897, em Londres, e morreu a 28 de novembro de 1968, numa casa de repouso, onde se encontrava há meses, devido à doença de Alzheimer. 
Publicou o primeiro livro - Child Whispers - em 1922 e os últimos em 1967. Em pouco mais de 40 anos, escreveu mais de 700 livros. E, até à data da sua morte, foram editadas mais de 1070 obras - incluindo antologias de contos,peças de teatro,  textos peda­gógicos, crónicas em jornais, revistas, anuários e almanaques.
Devido ao grande volume de obras escritas, durante algum tempo correu que Enid Blyton teria uma ajudantes, uma espécie de escritoras fantasmas. Afinal, toda esta vasta obra saiu da sua máquina de escrever.
Vem isto a propósito do livro que Alice Vieira escreveu sobre Enid Blyton, que li. E como toda a gente também li e vibrei com os Cinco, os Sete e alguns livros das coleções Mistério e Aventura. Não apreciei muito o Clube dos Sete, que li depois dos Cinco. Hoje percebo porquê. Eram dedicados a um público mais jovem.
Só li uma ou outra  aventura do Colégio das 4 Torres e das Gémeas, já adulta.
Muito do que Alice Vieira escreve eu já sabia. Não sabia era que essa idiotice que hoje paira no mundo do 'politicamente correto' tivesse chegado aos livros de Enid Blyton, levando as editoras a alterar certas palavras nos seus livros - é o que faz a atual detentora dos direitos de publicação, a Hachette. 
Da mesma tentativa de censura, foram vítimas clássicos como A cabana do Pai Tomás, de Harriet  Beecher Stowe - uma abolicionista, cujo livro fez mais pela abolição da escravatura que mil discursos  -, e Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, já aqui referido no Prosimetron.
É verdade que os personagens dos livros de Enid Blyton vivem e agem num quotidiano que não tinha muito a ver com a Inglaterra de então, mas era a época e a verdade é que esses livros criaram o gosto pela leitura em muitas gerações. 
Os livros chegaram a estar banidos das escolas e das bibliotecas do Reino Unido, mas, «quando, em agosto de 2009, um estudo oficial revela que "um quarto dos rapazes e 15 por cento das raparigas tinham saído nesse ano da escola primária sem saber ler nem escrever corretamente", os livros de Enid regressam como poderoso auxiliar no combate à ileteracia.» (p. 174)
Não há uma biblioteca que tenha o nome de Enid Blyton, não há um museu, deixaram deitar abaixo as casas onde ela viveu. Estrambólico!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

«Que livros na Escola?»


Caçadas de Pedrinho
é uma obra de Monteiro Lobato (1882-1948), escrita em 1933.
Nunca li este livro, logo socorro-me da Wikipédia para saber algo da sua história: «O livro relata uma descoberta do Marquês de Rabicó: uma onça anda rondando as proximidades do Sítio do Picapau Amarelo. Pedrinho e Narizinho decidem, então, organizar uma expedição para caçar a fera, mas sem avisar Dona Benta ou Tia Nastácia, que com certeza se oporiam à aventura. Durante a caçada, eles encontram Quindim, um rinoceronte falante, e decidem trazê-lo para morar no sítio.»
E porque fiquei com vontade de ler o livro? José Carlos de Vasconcelos, no editorial do JL (1 Dez. 2010, p. 3), escreve sobre uma polémica acesa no Brasil depois da Câmara da Educação Básica do Conselho Nacional de Educação daquele país ter emitido um parecer, pelo qual deveria deixar de ser usado nas escolas como livro de texto este Caçadas de Pedrinho. E porquê? Por ter um cunho «racista», «por isso não devendo ser uma daquelas obras que o Estado compra às centenas de milhar, senão milhões, para as escolas. Cunho racista por 'pecados' tão graves como uma personagem dizer que só toma leite para não ficar preta ou outra (Emília) dizer, a certa altura, "... parecem-me muito grosseiras e até bárbaras - coisa mesmo de negra beiçuda, como Tia Nastácia".»
«Claro que o 'caso' teve enorme repercussão, porque Monteiro Lobato é dos mais lidos e populares escritores brasileiros, mesmo o mais, para os leitores "mirins", sendo a sua série O Sítio do Pica-pau Amarelo, em que aquele título se integra, famosíssima, até porque teve diversas adaptações televisivas, a última da Globo, entre 1977 e 1986, que também passou em Portugal.»
O editorial refere também que o Ministro da Educação do Brasil não homologou o parecer, tendo-o devolvido para nova apreciação, o que vai ter lugar este mês.
Entretanto, andei pela net e transcrevo de um blogue: «Um dos trechos da obra que sustenta a argumentação do CNE diz: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão". Outro diz: "Não é a toa que macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens." De acordo com Nilma Lino Gomes, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autora do parecer, o livro deve ser banido das escolas ou só poderá ser adoptado caso a obra seja acompanhada de nota sobre os "estudos actuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura".» (http://periscopio.bligoo.com.br/content/view/1085037/Censura-do-MEC-As-Ca-adas-de-Pedrinho.html)
E para que servem os professores nas aulas? Não é para introduzirem e contextualizarem os textos ou livros que os seus alunos lêem? É mais fácil censurar do que explicar.
Nós, por cá, também conhecemos este estilo, sob várias nuances. Um exemplo: durante um ou dois anos, Os Lusíadas também foi banido do ensino. Já não me lembro por que razão.