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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

sábado, 14 de março de 2015

Leituras no Metro - 205

Lisboa: Tinta da China, 2015

Estou a gostar bastante deste livro de Paulo Varela Gomes.
A dado passo, «uma acalmia do rolar das ondas me deixou ouvir, com a nitidez de uma alucinação, vinda do alpendre de uma casa localizada um pouco atrás e à minha direita, uma imitação da voz de cana rachada do Bob Dylan» (p. 86)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

De l'Allemagne, 1800-1939. De Friedrich à Beckmann

Até 24 Jun., no Louvre.

Crónica de Paulo Varela Gomes. (Pública, 19 maio 2013). 

E o que, sobre a mesma exposição, Eduardo Lourenço disse a Teresa de Sousa, no mesmo jornal, seis páginas à frente: 
T. de S.: «[A Alemanha] Quer fazer uma Europa alemã, como agora se diz?
«[E.L.:] Não creio. Nunca o conseguiu fazer. A nossa geração pensou que, depois do que aconteceu, a França e a Alemanha iriam entender-se melhor do que se têm entendido. Neste momento, à mínima dificuldade, vêm sempre as mesmas coisas ao e cima. Ultimamente, a propósito de uma exposição, a primeira que os franceses fazem sobre a pintura alemã...
«[T. de S.:] Que está no Louvre.
«[E.L.:] E que eu vi. Os alemães não gostaram nada. Porque aquela visão franco-francesa da Alemanha é também uma cegueira da parte dos franceses, que deviam ser mais finos para compreenderem que há outra Alemanha.»

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Paulo Varela Gomes sobre Dürer


A propósito da exposição de Dürer que abre hoje na National Gallery of Art de Washington, Paulo Varela Gomes escreveu no Público de domingo, esta crónica:

Também tenho pena de não poder ir ver esta exposição, além de que aproveitava para conhecer Washington. :-)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Os intelectuais e a internet

" (...) Mas hoje há uma verdadeira cultura popular, que já não é urbana, é televisiva, e é inteiramente impermeável aos intelectuais.
O discurso optimista e democrático que insiste em achar que estamos sempre no melhor dos mundos possíveis argumenta com os nichos: que haveria nichos para todos os segmentos, incluindo todos os tipos de intelectuais: canais de televisão que produzem excelentes séries, cada vez mais magníficas produções em música, teatro, cinema, etc.
Tudo isso é verdade. Mas o ponto é que os intelectuais perderam o poder: não são eles que medeiam a cultura nos espaços colectivos, em especial na televisão. Agora, ocupam um nicho: são seus alguns lugares da cidade, certas ruas, certas salas de espectáculo. Para lá chegarem, têm que atravessar ruas e praças que detestam. São seus certos programas de televisão, a certas horas. Para os verem têm que fazer zapping. São suas certas estantes de certas livrarias. Para verem o que lá está, têm que passar pelas outras estantes com intenso espanto perante as porcarias que o «povo» lê. Ao viajarem, restam-lhes cada vez menos paisagens intocadas por horrendas casas, estúpidos anúncios, hordas de turistas que todos os dias os fazem pensar que o mundo está cada vez mais feio.
Como não têm dinheiro para fugir para longe ou construírem um mundo à parte, remetem-se aos seus nichos como se os tivessem escolhido. Mas não se trata de escolha. Trata-se de exílio.
Todavia, há um território onde os intelectuais podem entreter a ilusão da sua importância: a Internet. A ilusão é aqui possível porque na Internet não há espaço público, não há ruas, não há praças, não há sobretudo televisão, ou seja, na Internet os intelectuais não são obrigados a conviver com o «povo»- podem, como toda a gente, saltar de sítio em sítio nesse território atomizado e sonhar que estão na academia, numa enciclopédia, numa galeria de arte. Refugiados em casa, vêem suspensa, no brilho tremeluzente do ecrã do computador, a sua condição de exilados. "

- Paulo Varela Gomes, Exílio, no PÚBLICO de ontem.


Como não concordar com Paulo Varela Gomes? Todos já sentimos este "exílio", ou não?