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terça-feira, 25 de abril de 2023

A Artista saiu à rua

«Na manhã do dia 25 de Abril de 1974, Ana Hatherly contrariou as recomendações para que "os habitantes de Lisboa se conservassem nas suas casas" e, como tantas pessoas, saiu à rua e fotografou o pulsar, a surpresa, a alegria, a celebração da liberdade.»
A exposição está no Museu do Aljube até 31 de dezembro.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Carta de amor informático

Ana Hatherly faria hoje 90 anos.


Penetraste no meu coração
Como um vírus no meu computador

Vindo de lado nenhum
Ofereces-me agora
O vazio da não opção

Estragaste-me o real
Obrigaste-me a reinventá-lo:
Para quê?

Agora estás
No meu cemitério de textos
Já não te posso reencaminhar

Arquivei-te no lixo da memória
Do meu Pentium IV
Que aliás já vendi

Troquei-o por um lap top
Mais leve
Mais portátil
Mais facilmente descartável

Ana Hatherly

sábado, 2 de dezembro de 2017

Ana Hatherly e o Barroco: Num Jardim Feito de Tinta

Ana Hatherly - «A Romã», 1971
Museu Calouste Gulbenkian – Coleção Moderna

«Esta exposição-ensaio tem apenas um assunto: Ana Hatherly e o Barroco. No entanto, não nos centramos apenas na influência do Barroco nas obras da artista, mas em como a investigação e experimentação de Ana Hatherly revalorizou esse denegrido período histórico e modificou a nossa conceção do passado – afinal, a tradição é um território inexplorado de aventura e de contínuo espanto. Deste modo, juntando objetos, obras e documentos de períodos históricos distintos, que Ana Hatherly analisou ou indicou nos seus ensaios, organizamos um percurso expositivo a partir de categorias essenciais do Barroco: o Mundo como Labirinto; a importância do Lúdico; a Vida como Nada diante da Morte; a Alegoria e a folia da Interpretação; o Diálogo oblíquo entre pintura e poesia; e a Metalinguagem da obra de arte que se reflete a si mesma.
São muitas as portas de entrada neste edifício, pois também foram variadas as declinações da obra de Ana Hatherly: nos ensaios e investigação académica; na poesia e na prosa; nos desenhos, nas re-colagens, nas performances, nos filmes, nos programas televisivos… Um labirinto onde tudo gira à volta da escrita, como afirmou. Esse jardim feito de tinta, onde a artista reinventa o mundo caminhando por entre signos, é o lugar enigmático do jogo – e desta exposição como jogo.» (Do site.)
Exposição comissariada por Paulo Pires do Vale, pode ser vista na Gulbenkian até 15 de janeiro de 2018.