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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

António Pedro (1909-1966)


«Nasceu a 9 de Dezembro de 1909, na cidade da Praia, em Cabo Verde. Frequentou a Faculdade de Direito e de Letras de Lisboa, e expôs pela primeira vez desenho e caricatura em 1925, em conjunto com o pintor José Vasco (Viana do Castelo). Fundador e director do jornal A Bandeira (Lisboa), organizou com Diogo de Macedo o Salão dos Independentes e publicou O Cancioneiro (antologia da poesia modernista portuguesa). Em 1932, conjuntamente com Thomaz de Mello (TOM), fundou a primeira galeria de arte moderna em Lisboa, a UP. [...]»
Ler mais em: http://www.camjap.gulbenkian.pt/l1/ar%7BD2B27546-03B0-4185-A5F8-0B5ACC3E203C%7D/c%7B5a9e38b8-074a-429c-93f4-d335d6ce08dd%7D/m1/T1.aspx
É deste artista o quadro que hoje aparece no canto superior direito da página inicial do Prosimetron e que nos vai acompanhar durante uns dias:


Rapto na paisagem povoada
Óleo sobre tela, 1947
Lisboa, Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

sábado, 9 de maio de 2009

Europa


Capa de António Dacosta.

Europa, sonho futuro!
Europa, manhã por vir,
fronteiras sem cães de guarda,
nações com seu riso franco
abertas de par em par!
Europa sem misérias arrastando seus andrajos,
virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Saberás renascer, Fénix, das cinzas
em que arda enfim, falsa grandeza,
a glória que teus povos se sonharam
- cada um para si te querendo toda?

Europa, sonho futuro,
se algum dia há-de ser!
Europa que não soubeste
ouvir do fundo dos tempos
a voz na treva clamando
que tua grandeza não era
só do espírito seres pródiga
se do pão eras avara!
Tua grandeza a fizeram
os que nunca perguntaram
a raça por quem serviam.
Tua glória a ganharam
mãos que livres modelaram
teu corpo livre de algemas
num sonho sempre a alcançar!
Europa, ó mundo a criar!
Europa, ó sonho por vir
enquanto à terra não desçam
as vozes que já moldaram
tua figura ideal,
Europa, sonho incriado,
até ao dia em que desça
teu espírito sobre as águas!
Europa sem misérias arrastando seus andrajos,
virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Renascerás, Fénix, das cinzas
do teu corpo dividido?

Europa, tu virás só quando entre as nações
o ódio não tiver a última palavra,
ao ódio não guiar a mão avara,
à mão não der alento o cavo som de enterro
dos cofres digerindo o sangue do rebanho
- e do rebanho morto, enfim, à luz do dia,
o homem que sonhaste, Europa, seja vida!
Adolfo Casais Monteiro
Início do poema Europa, escrito em 1944 e 1945 e que foi lido aos microfones da BBC, em 13 de Maio de 1945, por António Pedro.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

António Pedro, Rapto na Paisagem Povoada!

Gosto muito do surrealismo e deste quadro em particular.
António Pedro, Rapto na Paisagem Povoada (1947)

António Pedro da Costa (1909-1966). Nasceu em Cabo Verde. Em 1933 foi para Paris, onde chegou a estudar no Instituto de Arte e Arqueologia da Universidade de Sorbonne. Em 1935, assinou juntamente com Duchamp, Calder, Kadinsky, Picabia, Delaunay, Arp, Moholy-Nagy, Miró e Ben Nicholson, o "Manifesto do Dimensionismo". No mesmo ano voltou a Lisboa e organizou na Galeria UP a primeira exposição de Helena Vieira da Silva. Seguidamente, a convite do jornal República deslocou-se a Moçambique e à África do Sul.
Em 1940, partiu para o Brasil e depois para Londres, onde permaneceu dois anos como cronista da BBC. Precursor do movimento surrealista português, na década de 1940, ao lado de Mário Cesariny, integrou a I Exposição Surrealista em Lisboa.
Viveu os últimos anos em Moledo, junto a Caminha.