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quinta-feira, 9 de maio de 2024
Ainda celebrando o Dia da Europa
A Maria pergunta se ainda haverá esperança para a Europa. Tem de haver, senão é o descalabro.
Castelo Branco. Fotos Maria.
quinta-feira, 9 de maio de 2019
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Vinheta: 9 de Maio - Dia da Europa
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Quo vadis, Europa?
«Há meio século que os vencidos da Segunda Guerra Mundial tentam levar a cabo uma empresa política inédita que é fazer da Europa uma entidade económica, política e cultural análoga à "nação" que nunca foi até aos dias de hoje. [...]
«Paradoxalmente, a mais europeísta das grandes nações - apesar das suas limitações ético-políticas - é mesmo a Alemanha. A antiga "nação do marco" é hoje o novo FMI do euro. Só ela dispõe ainda de um poder económico - apesar ou talvez por estar desarmada - para dar a uma "utopia" europeizante um rosto que possa levá-la a enterrar os fantasmas tenebrosos que um dia a arrastaram para o abismo. Só ela dispõe ainda de seduções históricas paradoxais para lhe assegurar a centralidade política que o destino lhe atribuiu ou ela construiu. Quem pode construtivamente, por mais fantasmas terríficos que a hipótese desenterre, trazer as "europeias" Ucrânia e a grande Rússia para o espaço europeu que a História lhe concedeu? E mesmo a Turquia, com que a Alemanha tem mais familiaridade que ninguém? [...]
«Se calhar a Europa não precisava - nem precisa - de ir para lado nenhum, nem ter um outro estatuto histórico, político e ideológico e pleonasticamente cultural mais adequado do que o da sua multíplice realidade que foi sempre o seu. Aqui se forjou o mundo moderno. E a modernidade do mundo. Lembremo-nos disso. Não precisamos que ninguém nos salve. Precisamos de nos salvar nós mesmos. Já não é pouco.»
In: Público, 12 jul. 2012
domingo, 10 de maio de 2009
Ainda a propósito do Dia da Europa
Foi ontem inaugurado por Valéry Giscard d'Estaing o Museu Robert Schuman, na antiga casa deste Pai da Europa em Scy-Chazelles, no departamento de Moselle. Foi no dia 9 de Maio de 1950 que Schuman lançou a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (C.E.C.A. ), primeira etapa na construção da actual União Europeia.sábado, 9 de maio de 2009
Europa

Capa de António Dacosta.
Europa, sonho futuro!
Europa, manhã por vir,
fronteiras sem cães de guarda,
nações com seu riso franco
abertas de par em par!
Europa sem misérias arrastando seus andrajos,
virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Saberás renascer, Fénix, das cinzas
em que arda enfim, falsa grandeza,
a glória que teus povos se sonharam
- cada um para si te querendo toda?
Europa, sonho futuro,
se algum dia há-de ser!
Europa que não soubeste
ouvir do fundo dos tempos
a voz na treva clamando
que tua grandeza não era
só do espírito seres pródiga
se do pão eras avara!
Tua grandeza a fizeram
os que nunca perguntaram
a raça por quem serviam.
Tua glória a ganharam
mãos que livres modelaram
teu corpo livre de algemas
num sonho sempre a alcançar!
Europa, ó mundo a criar!
Europa, ó sonho por vir
enquanto à terra não desçam
as vozes que já moldaram
tua figura ideal,
Europa, sonho incriado,
até ao dia em que desça
teu espírito sobre as águas!
Europa sem misérias arrastando seus andrajos,
virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Renascerás, Fénix, das cinzas
do teu corpo dividido?
Europa, tu virás só quando entre as nações
o ódio não tiver a última palavra,
ao ódio não guiar a mão avara,
à mão não der alento o cavo som de enterro
dos cofres digerindo o sangue do rebanho
- e do rebanho morto, enfim, à luz do dia,
o homem que sonhaste, Europa, seja vida!
Adolfo Casais Monteiro
Início do poema Europa, escrito em 1944 e 1945 e que foi lido aos microfones da BBC, em 13 de Maio de 1945, por António Pedro.
No Dia da Europa - 1
" (...) Acontece-me, por vezes, ao voltar de uma dessas curtas tréguas que nos deixa a luta comum, pensar em todos os recantos da Europa que conheço bem. É uma terra magnífica, feita de sacrifícios e de história. Revejo as peregrinações que fiz com todos os homens do Ocidente. As rosas nos claustros de Florença, as tulipas douradas de Cracóvia, o Hradschin com os seus paços mortos, as estátuas contorcidas da ponte Karl sobre o Ultava, os delicados jardins de Salzburgo.Todas essas flores, essas pedras, essas colinas e essas paisagens onde o tempo dos homens e o tempo da natureza confundiram velhas árvores e monumentos! A minha memória fundiu essas imagens sobrepostas para delas formar um rosto único: o da minha pátria maior. (...) "
- Albert Camus, Terceira carta ( Abril de 1944 ) , in Cartas a um amigo alemão, Editora Livros do Brasil, 1ª edição, Lisboa, Novembro de 2003.
Descobri ontem na Feira do Livro estas Cartas a um amigo alemão. Li-as compulsivamente, e só me fizeram engrandecer a opinião que tinha sobre Camus que, além de todos os outros, tem para mim o mérito de ter sido um europeísta convicto.
Achei esta passagem da Terceira Carta muito oportuna para este Dia da Europa. Para mim, a Europa é também a minha pátria maior.
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