«- Se todos os professores tivessem a sua vocação!
- Adoro ensinar, sou um eterno estudante e talvez seja por isso que sou um professor tão bom.»
Leonard Bernstein
In Jonathan Cott - Dîner avec Lenny. Paris: Christian Bourgois, cop. 2014, p. 69
Em memória de A. H. de Oliveira Marques, de quem nunca fui aluna mas que, a seguir ao 25 de Abril, foi dar um curso livre sobre a I República à Faculdade de Letras (de onde tinha sido expulso, devido ao seu apoio aos estudantes na crise académica de 1962) e vi como ele estava a léguas de distância dos prof. que eu tinha tido. (A exceção era o padre Manuel Antunes que dava boas aulas e nos abria a cabeça.)
« [...] no decurso de um outro concerto abordei o assunto «fácil» dos modos. Ensinei-lhes os sete modos eclesiásticos e os doze modos gregos. Creio que recebi mais correio por esse espetáculo do que por qualquer outro... porque lhes cantei canções pop no modo mixolídio: "Girl, you really got me now. / You got me so I can't sleep at night. / You really got me now / You really got me." Quem cantava isto?»
Leonard Bernstein
In Jonathan Cott - Dîner avec Lenny. Paris: Christian Bourgois, cop. 2014, p. 65-66
«O que eu sou como ser mortal (o que todos somos), está contido na melancolia absoluta do allegretto da Sétima Sinfonia. Mas o que desejaria ser, o que não tenho coragem de ser, só se revela nesta Suite em Si Menor, de Bach. Diante desta torrente luminosa devia depor a minha velha pele, esta pele de que só a música me despe num instante, deixando-me nu e redimido, mas que no instante seguinte afogo em trevas. Delas só um Deus me poderia libertar. Digo Deus sabendo bem que esse absoluto que me atrevo a invocar é ainda o supremo álibi. É de mim, das ardentes seduções do meu profundo ser, que não quero ou de que não sou capaz de abdicar. Queria ir por um caminho de rosas para aquele sítio onde sei que me foi fixado encontro. E ninguém lá chega nunca sem antes morrer para si mesmo.»
«Parmi tous les disques que j'ai faits dans ma vie, voici celui que je préfère [...]. C'est si beau et extraordinaire qe je l'ai dédié à ma femme - c'est le seul enregistrement que j'aie jamais dédié à qui que ce soit. J'ai dû me battre avec les musiciens pour qu'ils interprennent - j'ai même reçu des lettres de certains d'entre eux disant que c'était une tâche impossible: "Si quatre personnes sont incapables de jouer ça, comment soixante porraient-elles le faire?" Eh bien, elles peuvent. J'ai doublé les contrebasses - nous en avions sept, et vous n'avez jamais entendu des contrebasses jouer aussi magnifiquement - et doblé les violoncelles de manière judicieuse, mais sans changer une seule note ou indication. Et, en fin de compte, ils ont adoré le faire. On ne peut pas comprendre quoi que ce soit à Mahler si on ne comprend cette oeuvre, qui bouge et frappe [...] Laissez-moi vous le faire entendre.»
Jonathan Cott - Dîner avec Lenny. Paris: Christian Burgois, 2014
Não sou uma grande apaixonada de Beethoven, mas os quartetos de cordas são de outro mundo. :)
O n.º de jul.-ago. é dedicado a Leonard Bernstein de que no dia 25 se comemora o centenário do nascimento. A ele voltaremos aqui no blogue. A revista vem como sempre acompanhada de um cd com «Les plus beaux CD du mois». Desta vez traz também um com gravações de Leonard Bernstein.
George Gershwin terminou esta sua Rhapsody in Blue no dia 7 de Janeiro de 1924. Neste vídeo vemos um outro grande do séc.XX, Leonard Bernstein, tocá-la ao piano.