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domingo, 5 de agosto de 2018

Boa noite!

O n.º de jul.-ago. é dedicado a Leonard Bernstein de que no dia 25 se comemora o centenário do nascimento. A ele voltaremos aqui no blogue. A revista vem como sempre acompanhada de um cd com «Les plus beaux CD du mois». Desta vez traz também um com gravações de Leonard Bernstein.



terça-feira, 20 de março de 2018

Viva a Primavera!

 Edward Cucuel - (1875-1954)


Primavera
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1998, pág. 366.
(http://www.releituras.com/cmeireles_primavera.asp)

Feliz Primavera!


sábado, 11 de junho de 2016

Boa noite!

2009

Gosto muito de Mendelssohn. Não sabia nada da sua vida e já há muito que queria ler esta biografia dele. Por ela, soube que o scherzo do «Octeto» que trago esta noite foi-lhe inspirado pela leitura do Fausto de Goethe. Não imaginaria tal.


«Farrapos de nuvem e véus de neblina
pairam sobe nós iluminados.
Brisa nas folhas e vento nos juncos,
e tudo se dissipa.»
Goethe

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Fanny Mendelssohn

Fanny Mendelssohn num retrato de Wilhelm Hensel, seu futuro marido.

A irmã de Felix Mendelssohn era muito dotada para a música. Não fez carreira musical por oposição familiar. Leiamos o que o pai lhe escreveu: «Talvez a música venha a ser a profissão dele [Felix], ao passo que para ti ele pode e deve ser apenas um ornamento, nunca a tua razão de ser e de agir. Por isso podemos perdoar-lhe, a ele, uma certa ambição e desejo de ser reconhecido na prossecução de um objetivo que parece ser muito importante para ele, porque sente que é essa a sua vocação, ao passo que no teu caso é justo reconhecer que sempre te revelaste boa e sensata nestas matérias; e a alegria que tu sentes com o apreço que ele obtém prova que tu podias, no seu lugar, merecido igual aprovação. Mantém-te fiel a esses sentimentos e a essa linha de conduta; são femininos, e só aquilo que é verdadeiramente feminino é um ornamento no sexo a que pertences.» (Cit. in Neil Wenborn - Mendelssohn: vida e obra. Lisboa: Bizâncio, 2009, p. 34)


sexta-feira, 20 de março de 2015

Primavera

As magnólias do jardim cantam a Primavera: renasce  Flora.


A beleza apaga todos os males.
Boa Primavera!


quarta-feira, 20 de março de 2013

O meu hino à Primavera

Detalhe do auto-retrato de Albrecht Dürer, 1493, Museu do Louvre, Paris

A Primavera nas mãos de Dürer para sublinhar o regresso da estação preferida.
O (re)nascer da vida, o sol, os cheiros perfumados e o chilrear dos pássaros são as boas novas.

[Confesso que a ONU ter decretado o dia Internacional da Felicidade achei de gosto duvidoso pois  a fome, as guerras e a perda de direitos leva-nos a interpelar: onde há lugar para a felicidade? ]



 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Boa noite!

Depois de ver a revista, resolvi ouvir este «novo príncipe do piano francês». E escolhi Mendelssohn, mas ele toca muito Liszt, APS.
A Diapason tem um n.º especial dedicado a Glenn Gould.

sábado, 1 de setembro de 2012

Boa noite!

Félix Vallonton - Bain au soir d'été, 1892

«Dans le cabinet de toilette de [Lucien] Muhlfeld, au-dessus de la baignoire, une peinture de Vallotton. D'étonnantes femmes avec des derrières immondes, des derrières pendants d'hamadryas, qu'elles soutiennent avec leurs mains. Un chignon de femme comme une botte d'herbe tordue. Il y a du vert et des fleurs écrasées dans cette chevelure. Nos femmes, consultées, trouvent que c'est bizarre. C'est une grande gloire pour un homme de lettres, de dire: "Moi, je ne comprends rien à la peinture. Si nous changions de conversation?" Aussitôt, toutes ces petites femmes reprennent des mines heureuses, comme des oiseaux délivrés.» 
Jules Renard