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sábado, 28 de julho de 2018

Os meus franceses - 635


Em 31 de janeiro de 2012 fiz um post sobre Madame De..., filme realizado por Max Ophuls em 1953 ,inspirado num romance de Louise de Vilmorin, com Danielle Darrieux, Charles Boyer e Vittorio De Sica. O filme passa hoje no Nimas.
Nessa altura nunca tinha lido o romance Madame De...  Entretanto li-o numa tradução que Adolfo Casais Monteiro fez para a Estúdios Cor (1954).


A seguir, Paul Thomas Anderson, realizador que muito aprecio, fala sobre este filme:


Para Paula e Rui Lima.

sábado, 14 de julho de 2012

«Ler é o melhor remédio» - 3

Mary Cassatt - Jovem rapariga lendo
Trad. de Adolfo Casais Monteiro.
Vila Nova de Famalicão: Quasi, 2008

É este livro de Tolstoi que estou a reler (na edição de cima), depois de ontem ter falado nele. A primeira vez que o fiz foi na edição, cuja capa está reproduzida em baixo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Madame de...

Um filme de Max Ophuls (1953), inspirado num romance de Louise de Vilmorin (1902-1969), com Danielle Darrieux, Charles Boyer e Vittorio De Sica. Passa hoje na Cinemateca, às 19h00.
Nunca li o romance Madame De..., que se encontra traduzido em Portugal, por Adolfo Casais Monteiro para a Estúdios Cor (1954); aliás, nunca li nada de Louise de Vilmorin.

sábado, 16 de abril de 2011

Jazz


A Orquestra Duke Ellington toca no CCB, dentro de 40 minutos. Mesmo sem ele, é de não perder.

Numa cadência de enigma
entrecortada de espasmos
saltos berros mil ruídos
o jazz canta a saudade
dum sonho que não se sabe.

Chora o jazz a velha perda
dum paraíso qualquer
algum dia abandonado
e no seu ritmo diverso
langoroso e crepitante
martelado e insistente
triste e cheio de alegria
passa a sombra dolorosa
do que há muito está perdido.

Adolfo Casais Monteiro
In: Poesias completas. Lisboa: Imp. Nac.-Casa da Moeda, 1993, p. 35

terça-feira, 2 de junho de 2009

Praia, Adolfo Casais Monteiro!

Praia

Voga no mar sem ondas
da quimera inofensiva
um barco de papel leve
leve dum sonho ligeiro.

Há muita gente à espera
que o barco desapareça
para lançar no mar calmo
mais um barco de papel.


Adolfo Casais Monteiro, “Praia” (Confusões, Versos, Lisboa, Edições Inquérito, 1944) in A Alma não é Pequena 100 poemas portugueses para SMS, V. N. Famalicão: CentroAtlantico.PT, 2009, p. 57

sábado, 9 de maio de 2009

Europa


Capa de António Dacosta.

Europa, sonho futuro!
Europa, manhã por vir,
fronteiras sem cães de guarda,
nações com seu riso franco
abertas de par em par!
Europa sem misérias arrastando seus andrajos,
virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Saberás renascer, Fénix, das cinzas
em que arda enfim, falsa grandeza,
a glória que teus povos se sonharam
- cada um para si te querendo toda?

Europa, sonho futuro,
se algum dia há-de ser!
Europa que não soubeste
ouvir do fundo dos tempos
a voz na treva clamando
que tua grandeza não era
só do espírito seres pródiga
se do pão eras avara!
Tua grandeza a fizeram
os que nunca perguntaram
a raça por quem serviam.
Tua glória a ganharam
mãos que livres modelaram
teu corpo livre de algemas
num sonho sempre a alcançar!
Europa, ó mundo a criar!
Europa, ó sonho por vir
enquanto à terra não desçam
as vozes que já moldaram
tua figura ideal,
Europa, sonho incriado,
até ao dia em que desça
teu espírito sobre as águas!
Europa sem misérias arrastando seus andrajos,
virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Renascerás, Fénix, das cinzas
do teu corpo dividido?

Europa, tu virás só quando entre as nações
o ódio não tiver a última palavra,
ao ódio não guiar a mão avara,
à mão não der alento o cavo som de enterro
dos cofres digerindo o sangue do rebanho
- e do rebanho morto, enfim, à luz do dia,
o homem que sonhaste, Europa, seja vida!
Adolfo Casais Monteiro
Início do poema Europa, escrito em 1944 e 1945 e que foi lido aos microfones da BBC, em 13 de Maio de 1945, por António Pedro.

sábado, 27 de setembro de 2008

Adolfo Casais Monteiro : 30 Setembro

Convite - Inauguração da exposição "Adolfo Casais Monteiro - Uma outra Presença" - BNP - 30 de Setembro - 18h30

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Um Centenário que passa!


Adolfo Casais Monteiro nasceu no Porto em 4 de Julho de 1908. Em 1954 emigrou para o Brasil, onde faleceu em 24 de Julho de 1972.

Céus em fogo

Um corpo, certamente. Mas que é um corpo?
Boca, seios, coxas, sexo,
um sorriso, a mão que afaga, voz?
Que trevas, quais trevas,
de esquecer ou ir tão fundo
quando o desprender-se da alma abre
nas portas da luxúria os céus em fogo?

(De O estrangeiro definitivo, 1969, incluído nas Poesias completas, Lisboa, Imp. Nacional-Casa da Moeda, 1993)