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quinta-feira, 30 de julho de 2009

1939 – “Vitória Negra” / “Dark Victory”

Bette Davis afirmou em tempos que o seu papel em “Vitória Negra” foi o que mais gostou de interpretar.

Enredo

Judith Traherne (Bette Davis), uma herdeira norte-americana mimada de Long Island, divide o seu tempo entre os seus cavalos (Humphrey Bogart é o mestre dos estábulos) e festas sociais (um dos seus amigos é interpretado por um jovem Ronald Reagan). Começa a ter dores de cabeça fortes e tonturas, que a levam a consultar um médico, o Dr. Frederick Steele (George Brent), em vias de se dedicar exclusivamente à investigação. O veredicto é negro: Judith tem um tumor no cérebro, e terá que ser operada.

No decurso da operação, Frederick percebe que o tumor é intratável e Judith tem uma esperança de vida de menos de um ano. O fim, no entanto, será abrupto: ocorrerá rapidamente após uma perda total da visão.

Para lhe permitir mais alguns meses de felicidade, esconde os resultados: anuncia que a operação foi um sucesso. Apenas a melhor amiga de Judith, Ann (Geraldine Fitzgerald) descobre a verdade, mas aceita manter-se em silêncio. A relação entre médico e paciente evolui para o campo amoroso, e Judith e Frederick decidem casar, com este último numa busca incessante de novos tratamentos para o tumor. Arrumando papéis, Judith descobre múltiplas cartas de especialistas de todo o mundo, dando o caso como perdido. Revoltada por pensar que a decisão de casamento de Frederick se devia a piedade, cancela tudo. Reflectindo, apercebe-se de que deverá tentar passar os seus últimos meses de forma digna e ao lado do homem que ama. Pedindo desculpas a Frederick pelo seu comportamento, os dois casam e vão viver para Vermont.

Uns meses depois, Judith está no jardim a plantar flores com Ann quando comenta a estranheza de o sol estar tão quente e o céu a escurecer tão depressa… Dentro de casa, Frederick está a fazer as malas para um simpósio médico, nova tentativa de encontrar uma cura. Judith ajuda-o a fazer as malas e despede-se dele; reentra em casa, despede-se da amiga, da governanta e dos cães e sobe as escadas para o quarto.

Notas de produção

Realizado por Edmond Goulding e produzido por Hal B. Wallis, o gigante da Warner Bros., o filme é o que os americanos chamam um “tear-jerker”, ou seja, de sacar dos lenços do princípio ao fim; Graças à música de Max Steiner, podemos inclui-lo na categoria dos melodramas.

O argumento, de Casey Robinson, é baseado numa peça homónima de George Brewer e Bertram Bloch, de 1934, que fora um fracasso. David O. Selznick, havia adquirido os direitos e tentou realizar o filme com Greta Garbo em 1935, mas esta preferiu fazer “Anna Karenina”. Com a atenção completamente devotada a “E Tudo o Vento Levou”, o produtor acabou por abandonar o projecto.

Entretanto, Bette Davis insistia com Jack L. Warner para comprar os direitos do filme; o produtor resistia, achando que não havia público para ver uma mulher a cegar. As bilheteiras provaram o seu engano – veio a ser o melhor resultado de bilheteira de Bette Davis até à data. O filme marca a segunda de quatro colaborações entre Bette Davis e Edmond Goulding; marca igualmente a oitava colaboração com George Brent.

Nos bastidores, Davis sofria uma depressão pelo colapso do seu casamento, tendo pedido a Hal B. Wallis para sair do projecto alegando estar doente. O produtor terá respondido: “Já vi os rushes; continue doente!”. Em paralelo, George Brent acabava de se divorciar de Ruth Chatterton; as estrelas do filme encontraram refúgio nos braços um do outro, começando um romance que duraria mais um ano.

Reacções

O filme foi nomeado para três Óscares da Academia, nomeadamente Melhor Filme, Melhor Actriz (Bette Davis) e Melhor Banda Sonora (Max Steiner), não tendo conquistado nenhuma das estatuetas. Para Davis, foi a terceira nomeação para os Óscares em cinco anos; foi a segunda do que viriam a ser cinco nomeações consecutivas.

A crítica de cinema Pauline Kael chamou ao filme “um clássico kitsch”. O site “Rotten Tomatoes” utilizou o epíteto “Soberbo”. A “TimeOut” de Londres presenteou-o com “[Bette Davis] e [o realizador Edmund] Goulding quase transformam o novelesco em estilo; um Rolls-Royce do mundo lacrimejante.” A “Variety” chamou-lhe “drama intenso” e “uma oferta bem produzida [com] Bette Davis num papel poderoso e impressionante.”

Frank S. Nugent no “New York Times” apresentou a crítica porventura mais redonda: “Uma visão completamente cínica descartaria tudo como um desvario emocional, uma peça sem alma destinada a simplórios por um dramaturgo e afins bem versados nos usos da cegueira e outras improvisações sobre ‘A Dama das Camélias’. Mas é impossível ser-se assim tão cínico. O ambiente é demasiado pungente, os desempenhos demasiado honestos e os artesãos do filme demasiado hábeis. Miss Davis, naturalmente, dominou – e bem – o seu filme, mas Miss Fitzgerald acrescenta um retrato sensível e tocante da amiga e George Brent, como o cirurgião é – atrevemo-nos? – surpreendentemente contido e maduro. Desta vez temos de correr o risco de nos chamarem "softy": não despacharemos “Vitória Negra” com um esgar auto-defensivo”.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

domingo, 20 de julho de 2008

Grandes filmes (esquecidos?): 13 - The Letter


"The Letter" de William Wyler data de 1940; é baseado na peça homónima de Somerset Maugham. É um filme em que Bette Davis' eyes estão no centro do palco em todos os momentos, em especial na abertura, no calor húmido de uma noite de lua cheia da Maláia Britânica: o homicídio por Leslie Crosbie (Davis) de um homem branco no alpendre de sua casa. A lua, o calor húmido e os olhos de Bette Davis não nos largam o resto do filme. Começa a desenrolar-se o novelo do romance da homicida e da vítima; das causas referidas e das causas reais; e de uma carta, escrita por Leslie... que esta tenta recomprar, a todo o custo, descobrindo a mulher asiática do seu amante que a chantageia para a sua própria vingança. As cenas de tribunal são sufocantes e é a lua que vai observando a caminhada para um lancinante "With all my heart, I still love the man I killed!".

O "New York Times" escreveu sobre o filme: "The ultimate credit for as taut and insinuating a melodrama as has come along this year — a film which extenuates tension like a grim inquisitor's rack—must be given to Mr. Wyler. His hand is patent throughout . . . Miss Davis is a strangely cool and calculating killer who conducts herself with reserve and yet implies a deep confusion of emotions . . . Only the end of The Letter is weak — and that is because of the postscript which the Hays Office has compelled". Esta exigência do Código prendia-se com o facto de se lidar com adultério e homicídio sem castigo na versão inicial -- impensável...

O filme foi nomeado para 7 Óscares da Academia, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Actriz.

sábado, 14 de junho de 2008

Grandes filmes (esquecidos?): 1 - Now, Voyager


Filme de 1942, em que o mundo estava em guerra, Now, Voyager é um dos maiores expoentes do melodrama. Com Bette Davis, Paul Henreid e Claude Rains nos principais papéis, o filme possui uma magnífica banda sonora de Max Steiner. O enredo gira em torno a Charlotte Vale (Bette Davis), uma tia solteirona de uma família de meios, com uns óculos fundo-de-garrafa, emocionalmente instável, dominada por uma matriarca aristocrática (Gladys Cooper num dos seus melhores papéis). Admitida num sanatório (gerido pelo personagem de Claude Rains), transforma-se qual crisálida numa mulher elegante e segura de si mesma. Ao sair do sanatório, embarca num cruzeiro em que conhece Jerry (Paul Henreid). O inevitável enlevo é marcado pela impossibilidade - Jerry está preso num casamento com uma filha muito dependente. No decurso do filme, Jerry acende dois cigarros e oferece um a Charlotte; há um acidente no Brasil; separam-se; Charlotte cruza-se com Tina, a filha de Jerry e sublima a sua ambição relacional ajudando-a; Charlotte confronta a Mãe ("Oh, Mother..."); há camélias; há uma plataforma de comboio. No final, uma frase icónica: "Oh Jerry, don't let's ask for the moon, we have the stars". Imperdível.