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sexta-feira, 22 de novembro de 2024

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Leituras no Metro - 2934

Lisboa: Top Seller, 2023

O livro lê-se bem, mas não é grande espingarda. Segundo a sinopse é «Um romance [...] inspirado na história verdadeira de espiões bibliotecários a operar em Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial.» Ava, uma bibliotecária da Biblioteca do Congresso, vem para Lisboa para digitalizar notícias de jornais, maioritariamente comprados num quiosque em Lisboa, que possam interessar à atividade dos Aliados. 
Mas a história não se passa apenas em Lisboa, tem outro foco em Lyon, com outra personagem central: Elaine, uma resistente.
Segundo a Booklist«O ambiente de Lyon e Lisboa durante a guerra irá maravilhar os fãs da espionagem decorrida durante a Segunda Guerra Mundial.» Conheço mal Lyon, mas há situações que não se passavam em Lisboa nos anos 40, em Lisboa: o consumo de Super Bock não era tão vulgar como hoje, nem se comiam pastéis de nata ao pequeno almoço. Aliás, comiam-se bolos com parcimónia. E que eu saiba as alheiras nunca foram feitas com batatas e pão ralado, para além das carnes. Imprecisões que não teriam sido difíceis à autora de evitar.

«- Mas é verdade que o Max, Jean Moulin, morreu.
«Max era o nome de código que Elaine conhecia - não por conhecer a pessoa pessoalmente [...]  mas porque o nome surgia com frequência em conversas e mensagens codificadas. Ele era o braço-direito do general de Gaulle em Lyon [...]. Max fora encarregado de unificar as suas diferentes fações independentes numa única. [...]
«- Ouvi dizer que ele nunca falou, apesar da tortura brutal a que foi sujeito.» (p. 145-146)
Max não era o representante de De Gaulle em Lyon, mas sim em toda a França; era o chefe da Resistência francesa no interior. Quando foi preso, os alemães não sabiam que Max era Jean Moulin. Foi assassinado há 81 anos.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Biografias e afins


O apagamento dela foi voluntário, ao contrário do que se possa pensar, dedicando a sua vida ao general mas sem abdicar das suas ideias e convicções numa relação mais igualitária do que se pensou durante muito tempo.

Les de Gaulle, Elle et lui, Henry Gidel, Flammarion, 405p, €20

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Biografias e afins


O biógrafo é o segundo dos 4 filhos de Philippe de Gaulle , e tinha 19 anos quando o famoso avô morreu . São as conversas mantidas, mas também a pesquisa feita desde então, que alimentam este retrato do mais famoso estadista francês do século passado . É uma edição da Plon .

domingo, 19 de julho de 2015

Para viajar no sofá - 4

«[...] fui jantar com Iñigo Gurruchaga à French Dinning Room, que na Segunda Guerra Mundial foi o ponto de encontro da Resistência francesa em Inglaterra - Charles de Gaulle passava por lá com frequência [...].» (p. 90)
Enric González

E mais esta pérola que digitalizei. :)

(p. 113)

Imagem retirada da reportagem de 1969. 
Filipe de Edimburgo e Ana num churrasco. Balmoral, 1972. O príncipe a pousar para a foto, com a mão esquerda no bolso. :)

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Memórias - 22 de Janeiro de 1963


Comemora-se hoje o quinquagésimo aniversário da assinatura do Tratado de Elysée. Através da formalização desse documento no Palácio do Eliseu em Paris a 22 de Janeiro de 1963, Charles de Gaulle e Konrad Adenauer alicerçavam o início de uma nova época, terminando assim séculos consecutivos de conflitos bélicos entre as duas nações. Para de Gaulle, retomava-se a ideia da obra de Carlos Magno. Para Adenauer que exercia o último ano do seu cargo de chanceler da República Federal alemã , atingia-se o ponto máximo  da aproximação da jovem república à aliança ocidental.
Este projecto de cooperação nos campos da Segurança, Economia e Cultura,  indubitavelmente importante à luz de hoje, sofreu uma onda de reacções de desconfiança e cepticismo na época. Segundo o Vice-Presidente da Comunidade Económica Europeia de então, Sicco Mansholt, a colaboração entre França e Alemanha interromperia o caminho para uma união abrangente de vários países na Europa. A agência de notícias soviética TASS previa na cooperação militar franco-germânica um renascimento do militarismo alemão, comparando o tratado a uma nova versão do Pacto de Munique de 1938. E como o timing da assinatura coincidia com a oposição de de Gaulle à adesão do Reino Unido à CEE, quer a oposição social-democrata no Parlamento em Bona, quer alguns membros do próprio governo conservador, temiam um domínio excessivo do eixo Paris-Bona e o fracasso das tentativas rumo a uma Europa unida.

Decorridos 50 anos, este Tratado constitui um verdadeiro "caso de sucesso", apesar das dificuldades e dos desentendimentos que naturalmente se viveram ao longo de cinco décadas. Mas a amizade política, desejada pelo Presidente francês e o chanceler alemão em 1963, seguida, por exemplo por Mitterrand e Kohl nos anos 80, estendeu-se aos dois povos que, graças aos diversos programas de intercâmbio, se aproximaram pouco a pouco e puseram fim às hostilidades antigas.

sábado, 22 de setembro de 2012

A visão de uma nova Europa - há 50 anos

A cidade alemã de Ludwigsburg no Estado de Baden-Württemberg comemorou hoje o 50º aniversário de uma visita de Charles de Gaulle a esta localidade em Setembro de 1962. No acto solene que decorreu diante do magnífico palácio barroco, participaram Angela Merkel e François Hollande.
Há meio século, de Gaulle dirigira um discurso à juventude alemã de Ludwigsburg em que destacava a grandiosidade e os feitos do povo alemão - poucos anos após o termo da Segunda Guerra Mundial e da resistência francesa contra o regime nazi, liderada pelo próprio general. De Gaulle optou por palavras de elogio ao país vizinho, terminando com Es lebe Deutschland, es lebe die deutsch-französische Freundschaft (Viva a Alemanha, viva a amizade franco-alemã). A cordialidade e generosidade de de Gaulle marcaram esta visita, e os alemães, em particular os jovens, receberam o Chefe de Estado francês com grande entusiasmo. Avizinhava-se assim a reconciliação formal entre os antigos inimigos e rivais que viveram guerras e conflitos durante séculos: poucos meses depois, a 22 de Janeiro de 1963, Charles de Gaulle e Konrad Adenauer assinavam o Tratado de Elysée em Paris que previa uma cooperação mais estreita entre os dois países nos campos da Economia e Cultura. 
O eixo franco-alemão consolidou-se ao longo das últimas cinco décadas: as "duplas" Brandt / Pompidou, Schmidt / D'Estaing e Kohl / Mitterand deram corpo a este processo de aproximação inédito. 
 
  
Imagem: De Gaulle e Adenauer; Palácio de Ludwigsburg, no sudoeste da Alemanha