Nas arrumações na quarentena encontrei este bilhete do espetáculo que teve lugar no Coliseu dos Recreios em 17 jul. 1991 - há 29 anos! Foi triste ver o Nureyev sem fibra, mas a verdade é que até me esqueço que estive lá.
«Les événements de 1968 ont beaucoup touché Jean Vilar. Il a souffert d’être à ce point contesté par la jeunesse. De mon côté, je restais plutôt indifférent. Pour deux raisons. Premièrement, un mois avant le festival, j’ai joué avec ma compagnie au Portugal. Très choqué para la mort du second Kennedy, j’avais fait une déclaration, à la fin de Roméo et Juliette, en concluant qu’il était certainement victime du “fascime international”. J’ai été arrêté para la police de Salazar, gardé en prison une journée, puis expulsé. On m’a conduit en fourgon de police, au milieu de la nuit, vers un poste-frontière désert. Heureusement, des amis étaient parvenus à suivre le véhicule de la police, qui allait très vite et qui faisait beaucoup de détours. Ils ont pu me récupérer, me conduire à Madrid, où j’ai pris l’avion pour Bruxelles. Alors quand, en Avignon, deux mois plus tard, les manifestants criaient “Béjart, Vilar, Salazar!”, je rigolais, parce que le dénonmé Salazar venait de me mettre en tôle.»
Maurice Béjart – L’esprit danse / entretiens avec René Zahnd. Lausanne: La Bibliothèque des Arts, 2001, p. 99-100
Quando li este livro há uns anos, coloquei este estrato nas «Leituras no Metro», onde fui agora repescá-lo.
Menina da Ria, canção-tributo à cidade de Aveiro como prometido. Mas Caetano actua hoje, e é a segunda noite, no Coliseu dos Recreios de Lisboa. É às 22h.
Entre 13 e 16 de Maio Coliseu dos Recreios, Lisboa
Béjart Ballet Lausanne regressa a Lisboa com Ballet for Life, uma coreografia original de Maurice Béjart, de 1997, com o título "Le Presbytère n'a rien rerdu de son charme ni le jardin de son éclat". Inspirado nas vidas e mortes prematuras de Freddy Mercury e do bailarino Jorge Donn, Ballet for Life não assenta numa visão derrotista da morte, mas antes na mais vívida expressão de optimismo e esperança. Descrita pelo autor como um "hino à juventude", a obra, cujos figurinos são assinados por Gianni Versace, conta com a fusão da música dos Queen e Mozart.
Uma boa notícia nos jornais de hoje: Joan Baez volta a Portugal em Março de 2010. Dia 8 na Casa da Música, e dia 10 no Coliseu de Lisboa. Imperdível. Aqui fica a sua interpretação da genial canção escrita por Bob Dylan, Forever young.
Vão estar entre nós os The Twelve Tenors, exibindo os seus dotes vocais da ópera ao rock, dos clássicos da pop aos clássicos da Broadway. A 25 de Novembro é no Coliseu do Porto, e dois dias depois no Coliseu de Lisboa. E parece que as senhoras devem levar binóculos para ouvirem melhor os 12 jovens cantores...
Voltei hoje ao Coliseu para ver Ópera. Curiosamente o último espectáculo de ópera que tinha visto nesta sala, pela mão da minha mãe, também tinha sido a Aida (e já lá vão mais de trinta anos...). E a acústica melhorou muito graças às obras promovidas aquando de "Lisboa, Capital de Cultura" (1994).
O conjunto esteve bem: tanto os cenários como a encenação (... embora a marcha triunfal apresentada deixasse muito a desejar... nem parecia a mesma companhia que aparece no vídeo).
As vozes não seriam as melhores do mundo mas cumpriram bem a sua missão.
. Oksana Kramaryeva (Aida) que cantou um "Ritorna vincitor" com virtusiosismo e um "O patria mia" ainda melhor. . Georgui Oniani (Radamés) . Dina Khamzina (Amneris) . Mikhlail Kazakov (Ramphis) . Yuri Nechaev (Amorasro)
O público é que já não é o mesmo. Diziam os entendidos que o público mais crítico de Lisboa era o do Coliseu. Velhos tempos... O de hoje teve nota negativa. Estavam só para ver um espectáculo, fosse ele qual fosse. Barulho constante... e até havia uma “senhora” vestida com calças de ganga, casaco de plástico e com uma “estola” [sic] (assim dizia o acompanhante da dita senhora) [mas que não passavam de uns rabinhos de arminho, (certamente comprada na loja dos chineses)] que agitava as chaves durante a marcha triunfal.... Quando a Aida cantou (maravilhosamente) a sua Ária (no 3.º acto) “O patria mia” nem pestanejaram; mas durante o primeiro acto, por tudo e por nada, a casa vinha abaixo de palmas... E nunca, mas nunca, deixaram uma frase musical terminar no fim de quadro ou de acto...