Prosimetron

Prosimetron
Mostrar mensagens com a etiqueta Eugénio de Andrade (1923-2005). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eugénio de Andrade (1923-2005). Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Setembro - 1

Caspar Camps i Junyent (1874-1942) - Alegoria do mês de Setembro, 1901

Pequena Elegia de Setembro 

Não sei como vieste, 
mas deve haver um caminho 
para regressar da morte. 

 Estás sentada no jardim, 
as mãos no regaço cheias de doçura, 
os olhos pousados nas últimas rosas
dos grandes e calmos dias de setembro. 

Que música escutas tão atentamente 
que não dás por mim? 
Que bosque, ou rio, ou mar? 
Ou é dentro de ti 
que tudo canta ainda? 

Queria falar contigo, 
Dizer-te apenas que estou aqui, 
mas tenho medo, medo 
que toda a música cesse 
e tu não possas mais olhar as rosas. 
Medo de quebrar o fio 
com que teces os dias sem memória. 

Com que palavras
ou beijos ou lágrimas 
se acordam os mortos sem os ferir, 
sem os trazer a esta espuma negra 
onde corpos e corpos se repetem, 
parcimoniosamente, no meio de sombras? 

Deixa-te estar assim, 
ó cheia de doçura, 
sentada, olhando as rosas, 
e tão alheia 
que nem dás por mim. 

Eugénio de Andrade, in Antologia Poética'

sábado, 13 de junho de 2026

Jacarandás

Telheiras, 11 jun. 2026.
Av. 5 de Outubro, 11 jun. 2026.

São eles que anunciam o verão. 
Não sei doutra glória, 
doutro paraíso:
à sua entrada os jacarandás 
estão em flor, 
um de cada lado. 
E um sorriso, 
tranquila morada, 
à minha espera. 
O espaço a toda a roda 
multiplica os seus espelhos, 
abre varandas para o mar. 
É como nos sonhos mais pueris: 
posso voar quase rente 
às nuvens altas – 
irmão dos pássaros –, 
perder-me no ar. 

Eugénio de Andrade

sábado, 21 de março de 2026

Maria: «É a minha primavera dentro de casa»

A Maria enviou esta bela frésia dizendo que «É a [sua] primavera dentro de casa, acompanhada do verso de Eugénio de Andrade.

Maria, 19 mar. 2026.

«Com o sopro da manhã e o aroma das frésias eu sonhava longamente.»
Eugénio de Andrade

terça-feira, 26 de março de 2024

No Dia do Livro Português

Duas escolhas da Maria:

Poema de Eugénio de Andrade, do livro Os sulcos da sede.

«Este livro é bastante interessante e dá pistas para descobrir 50 personagens da nossa literatura. Um senão: não tem marcador....» (Maria)

quarta-feira, 25 de março de 2020

Primavera

As escolhas de APS:
«Por "força do hálito" (O'Neill dixit) a Primavera lembra-me um poema muito bonito, falhado no último verso, de Alberto Lacerda ("Diotima") e o "To a Green God", de Eugénio de Andrade.»


DIOTIMA

És linda como haver morte
depois da morte dos dias.
Solene timbre do fundo
de outra idade se liberta
nos teus lábios, nos teus gestos.

Quem te criou destruiu
qualquer coisa para sempre,
ó aguda até à luz
sombra do céu sobre a terra,

libertadora mulher,
amor pressago e terrível,

primavera, primavera!

Alberto de Lacerda


TO A GREEN GOD

Trazia consigo a graça
das fontes, quando anoitece.
Era o corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens, quando desce.

Andava como quem passa,
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos,
cresciam troncos dos braços
quando os erguia do ar.

Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
num ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.

E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
de uma flauta que tocava.

Eugénio de Andrade


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Parabéns, JMS!

Parabéns! 
Desejo que passe um dia muito feliz.

Da Patisserie Henri Aeur umas garrafas de Champagne para festejar.
Nice

Assim eu queria o poema:
fremente de luz, áspero de terra,
rumoroso de águas e de vento.


Eugénio de Andrade, In Ostinato Rigore

sábado, 21 de março de 2015

Andorinha no dia Mundial da Poesia

Salvador Dali, Andorinha, 1957, Imagem retirada da WikiArt

Swallow - Salvador Dali

Andorinha


Era uma andorinha branca
Que me batia à janela
e contente anunciava
que chegara a primavera,
ou era eu que sonhava?
-
Eugénio de Andrade, Aquela Nuvem e Outras.

Poema retirado do Memórias e Imagens