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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Leituras no Metro - 1167

Vi uma referência a este livro no Arpose e resolvi lê-lo.

Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2015

«Entre as elites romanas, a educação de um jovem não estaria completa sem uma longa viagem. Usualmente, começava em Roma, seguindo-se Nápoles. Atravessavam o Estreito de Messina, provavelmente parando na Sicília para ver os templos de Siracusa e o Monte Etna. [...] O roteiro terminava no Egito, onde o itinerário incluía Alexandria, com o seu farol e a sua biblioteca : Heliópolis; Mênfis, ponto de início do passeio pelas pirâmides; Tebas, o vale dos Reis; e um cruzeiro no Nilo.» (p. 19) Desconhecia.
Em tempos li um livro sobre Thomas Cook que, em 1841, organizou as primeiras excursões coletivas em Inglaterra, naquilo que é considerado como um antepassado do turismo social. Mas não se pode afirmar, como a autora o faz, que «o turismo transforma-se [então] num fenómeno de massas, acessível à classe média e trabalhadora» (p. 22) À classe trabalhadora inglesa de meados do século XIX?! Não precisamos de ler nenhum tratado, nem sequer Marx e Engels, para saber como viviam os trabalhadores ingleses. Só uns romances de Charles Dickens... A literatura ajuda muito a compreender as suas épocas.
Quanto a férias para trabalhadores nunca é demais lembrar que foi o governo francês da Frente Popular, dirigido pr Léon Blum, o primeiro a legislar a semana das 40 horas de trabalho e a organizar férias para trabalhadores e suas famílias, no mar e na montanha. Muitos deles nunca tinham visto o mar nem estado numa praia. Mas isto foi em 1936!!!
À parte este quid pro quo (chamemos-lhe assim) que me irritou um bocado, até gostei do livro.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Os meus franceses - 786

«La Chanson des loisirs», letra e música de Jean Villar, conhecido como Gilles (1936). aqui cantada por Bernadette Delchambre e Jean-Philippe Winter.

Leituras no Metro - 1066

 

Paris: Denoël, 1997

Há muitos anos que queria ler uma biografia de Léo Lagrange. Escolhi esta de Pierre Mauroy, antigo primeiro-ministro e maire de Lille, que conheceu Léo Lagrange em miúdo e criou a Federação Léo Lagrange em 1951.
Lagrange alistou-se aos 17 anos para combater na Grande Guerra (1918) e morreu na frente de batalha em 1940. 
Advogado, defendeu, quando ninguém o queria fazer, muitos antigos combatentes estropiados para que o Estado lhes atribuísse as pensões devidas.
Em 1936 foi nomeado subsecretário de Estado com a pasta dos Desportos e Ocupação dos Tempos Livres no governo da Frente Popular, liderado por Léon Blum. Foi a primeira vez que uma tal pasta foi criada. Foi este governo que criou o regime de férias pagas (14 dias). Para que os trabalhadores pudessem usufruir com dignidade desse tempo livre, Léo Lagrange incrementou o desenvolvimento de atividades desportivas, turísticas e culturais. Criou um bilhete de comboio em que os trabalhadores e suas famílias pagavam apenas 40% da tarifa normal e impulsionou o desenvolvimento de parques de campismo e de pousadas de juventude. 
Os primeiros bibliobus foram fruto da política de Léo Lagrange, assim como teatro e cinema na província, a preços módicos.
O governo da Frente Popular foi o primeiro governo a ter uma política para a Cultura e o primeiro a legislar a semana das 40 horas de trabalho.
Grande amigo de Clara e André Malraux, Léo Lagrange concebeu o «museu imaginário» que viria a ser transformado em livro por Malraux. Madeleine Lagrange afirmou que se Malraux não tivesse ido combater na Guerra de Espanha eles teriam posto o museu de pé.
Do seu amigo, disse Malraux: «Il est mort dans le courage, dans la recherche de la vérité et dans la dignité. C'était un homme que nous aimions», conteúdo semelhante ao da carta que De Gaulle enviou a Madeleine Lagrange.  De Gaulle e Lagrange tinham posições próximas em relação à guerra.

Partida de um comboio com trabalhadores e famílias para férias na praia no Verão de 1936. A maioria ia ver o mar pela primeira vez.
No Natal do mesmo ano muitos trabalhadores e jovens foram às montanhas pela primeira vez e fizeram ski.


Talvez venha a ler as memórias de Madeleine Lagrange, juíza e advogada, mulher de Léo Lagrange, que o apoiou muito na sua atividade política. Se o fizer, darei notícias. 📚

domingo, 4 de outubro de 2020