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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Anna Karenina, de Clarence Brown

«De todas as versões (cinematográficas e televisivas) do romance de Tolstoi, a de Greta Garbo é, por certo, uma das mais lendárias: sob a direcção de Clarence Brown, ela cumpria um dos capítulos essenciais da sua própria mitologia. 
«Ao descobrirmos a nova versão de "Anna Karenina", dirigida por Joe Wright, com Keira Knightley no papel principal, é inevitável recordarmos a imensa quantidade de adaptações cinematográficas do romance de Tolstoi (originalmente publicado entre 1873 e 1877). 
«Uma das mais míticas e, por certo, também das mais encantadoras data de 1935 e tem Greta Garbo como Karenina. Para Garbo, foi um filme de plena integração e consagração na máquina de Hollywood. Correspondendo a um conviote da Metro Goldwyn Mayer, ela saíra da Suécia em 1925 para tentar a sua sorte em Hollywood. E, de facto, não só se impôs rapidamente, a partir de "Flesh and the Devil" (1926), sob a direcção de Clarence Brown, como resistiu mesmo à passagem para o cinema sonoro. Em "Anna Karenina", voltava a trabalhar sob a direcção de Brown, um dos realizadores que mais confiança lhe inspirava, contando também com a contribuição artística de William H. Daniels, porventura o director de fotografia que melhor soube iluminar o seu rosto. 
«Na lista "100 anos... 100 paixões", uma das selecções do American Film Institute feita na sequência das comemorações do centenário do cinema, em 1995, esta "Anna Karenina" ocupa o lugar nº 42.» 
João Lopes 
(In Diário de Notícias, Lisboa, 10 dez. 2012) 

«É bem verdade que a história do cinema contém uma série de interessantíssimas adaptações do romance "Anna Karenina", de Leo Tolstoi. Para nos ficarmos pelas referências mais óbvias, lembremos as versões protagonizadas por Greta Garbo (1935) e Vivien Leigh (1948), realizadas, respectivamente, por Clarence Brown e Julien Duvivier. 
«Mas não é menos verdade que nem mesmo a escrita genial de Tolstoi serve de "garantia" cinematográfica: um filme sobre um livro não brota automaticamente das qualidades desse livro, depende sempre dos valores narrativos que nele se investem. E no caso da nova "Anna Karenina", assinada por Joe Wright, o mínimo que se pode dizer é que os tiques formalistas se sobrepuseram a tudo o resto. 
«Insolitamente, o filme de Joe Wright tenta situar a história do adultério de Karenina na Rússia czarista a partir de uma sugestão "teatral": as personagens seriam, afinal, protagonistas de um drama de aparências... O certo é que tal sugestão cedo se reduz a um dispositivo decorativista que se exibe por si próprio, enquanto a "acção" se vai organizando em situações mais ou menos soltas e desconexas. 
«Os actores, como sempre, são os mais penalizados neste tipo de produções: Keira Knightley, Jude Law e Aaron Taylor-Johnson fazem o que podem, mas podem muito pouco... À semelhança de "Orgulho e Preconceito" (2005) ou "Expiação" (2007), Joe Wright revela-se um director de telefilmes académicos, apenas "favorecidos" por evidentes luxos de produção cenográfica.»
João Lopes 
(RTP, 8 dez. 2012)

Concordo com João Lopes: a versão de Orgulho e Preconceito é uma lástima. Quanto a Expiação, gostei; talvez porque nunca li o livro de Ian MwEwan.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Seguindo as recomendações

de MR, li o livro: Na praia de Chesil. Já tinha lido outros títulos do escritor, este foca o amor espiritual e o amor carnal. Uma reflexão interessante.
Obrigada MR!
Ian McEwan, fotografia de Steve, Pyke,

«Uma manhã, Florence mostrou-lhe as válvulas cor de laranja, reluzentes e à mostra, de um amplificador que saía de uma elegante caixa cinzenta e os altifalantes, que lhe  chegavam à cintura, e pôs, para ele ouvir, a Sinfonia Haffner de Mozart, a uma altura de som implacável. O intervalo da oitava na abertura conquistou Edward devido à sua arrojada limpidez - uma orquestra inteira de súbito disposta à sua frente.»

Ian McEwan, Na praia de Chesil. Lisboa: Gradiva, 2007, p. 95, (tradução Ana Falcão Bastos).


 

domingo, 26 de agosto de 2012

A praia: livros - 1

Na montra da Livraria Multinova (Av. Santa Joana a Princesa, em Lisboa).

Quando vi esta banhista, achei que poderia aqui trazer uns livros com a palavra praia no título. Destes três, só li o de Pavese, mas o de Agatha Christie já vem a caminho.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ian McEwan, um libreto para ópera!

Conhecem esta ópera:"POR TI" de Michael Berkeley e Ian McEwan?

Michael Berkeley é um compositor britânico que fez parte do coro da catedral de Westminster.
Ian McEwan é um escritor britânico. Passou parte da sua infância no Extremo Oriente, na Alemanha e no Norte de África porque o pai era um oficial do Exército Britânico.

A primeira das suas obras publicadas foi a colecção de relatos Primeiro amor, últimos ritos (1975). Em 1998, e causando grande controvérsia, recebeu o Prémio Man Booker pela novela Amesterdão. Gostei deste livro. Só hoje conheci este libreto quando me veio parar às mãos.
Então, decidi procurar no youtube e aqui estão os autores a falar da sua obra.

Por Ti, (libreto para ópera de Michael Berkeley)

II Acto
Canção

Na fronteira entre a memória e o sonho
vi um casal numa ponte de Londres.
Havia uma tempestade de neve e era o início da tarde.
De mãos dadas, loucamente apaixonados,
com planos e gritos de alegria
passaram para outro lado.
(…)


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Ian McEwan no CCB

Ian McEwan vai estar amanhã no Centro Cultural de Belém, às 16h, para uma conversa com Clara Ferreira Alves aberta à participação da assistência. A visita de McEwan prende-se com o lançamento entre nós de Por Ti.