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domingo, 24 de novembro de 2024

Leituras no Metro - 2946

 

Lisboa: Centro de Estudos Históricos, 2024

Estou a ler este livro sobre a alimentação e os utensílios de cozinha utilizados em Loulé, com grande prazer e proveito.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Leituras no Metro - 145

Lisboa: Centro de Estudos Históricos, 2013

Já há uns tempos que andava para me referir a este livro. E, aqui há dias, quando o Luís Barata fez um post sobre os nomes mais escolhidos, no ano de 2013, para rapazes e raparigas, lembrei-me que ainda não o tinha feito.E alguém, num comentário, perguntava pelas Aldegundes e quejandas.
Este ensaio de Iria Gonçalves sobre a antroponíma feminina na Idade Média portuguesa é interessantíssimo. E ficamos a saber que há nomes que sempre se deram às meninas.
Iria Gonçalves recolheu a vários fundos antroponímicos para a elaboração do seu ensaio, sendo que «o mais antigo era formado por nomes já usados no território anteriormente à romanização. Não foram muitos os onomatos que se conservaram desses recuados tempos. Foram nomes como Cara, Mónia, Onega, Sarra, Vasquida, nomes que, se por ventura alguma vez tiveram adesão significativa por parte das populações foi em tempos bem longínquos. Mas foram outros, também, bastante usados em alguns períodos da Idade Média, como Urraca ou Ximena e foram alguns outros que continuam, na atualidade, a ser usados por muitas de nós, como é o caso de Teresa ou Leonor.» (p. 43) E aqui está Leonor, um dos preferidos em 2013.
Os conquistadores romanos «no campo da antroponímia passaram quase despercebidos. Se no masculino ainda um nome teve alguma visibilidade e merece ser destacado até porque vigora até hoje – Nuno – na vertente feminina nenhum onomato logrou impor-se, ainda que por breve período. Estaça, Justilinha, Malada, Mécia, Milícia, Mília são quase todos os que constam da lista em análise.» (p. 43) Não sabia que Nuno tinha uma origem tão antiga. Quanto aos nomes femininos, desenterraram-no há uns anos e existem por aí umas Mécias. L
Há uma listagem de nomes femininos no artigo «Antroponímia germânica» de Joseph M. Piel, citado por Iria Gonçalves, tais como Ausenda, Aldonça, Aldora, Elvira, Ermesinda, Guiomar ou Goncinha. Estes nomes, escolhidos pelos conquistadores germânicos, foram, segundo a autora do presente ensaio, «populares em determinados momentos das cronologias em estudo, conseguindo, alguns deles, sobreviver até aos nossos dias.» (p. 44)
Com a cristianização, na Baixa Idade Média os nomes que aparecem «eram nomes perfeitamente incontornáveis, tanto na época como, vários deles, ainda hoje. Assim – e sempre em primeiro lugar – Maria, mas depois Catarina, Domingas, Isabel, Margarida, Beatriz, Inês, outros menores. Muitos outros.» (p. 46) E cá está Maria sempre em primeiro lugar! Neste tempo, possivelmente sozinho; mais tarde acompanhado de outro nome - Maria João, Maria Isabel, Ana Maria, etc. - e, de há uns anos para cá, novamente sozinho.
Ainda não acabei de ler o livro, e também tenho saltado algumas folhas (mais desinteressantes para mim), mas é de uma leitura cativante, que aconselho.

Haja alguém que faça o mesmo para os nomes masculinos.