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segunda-feira, 23 de março de 2015

«Poetas paranóicos» em expo na BNP


«Alguns rapazes, com muita mocidade e muito bom humor, publicaram, há dias, uma revista literária em Lisboa. Essa revista tinha apenas de notável a extravagância e a incoerência de algumas, senão de todas as suas composições. Como a recebeu a imprensa diária? Com o silêncio que merecia? Com as duas linhas indulgentes e discretas que é de uso consagrar às singularidades literárias de todos os moços? Não. A imprensa recebeu essa revista com artigos de duas colunas, - na primeira página. A imprensa fez a essa revista um tão extraordinário reclame, que a primeira edição esgotou-se e já se está a imprimir a segunda. Ora semelhante atitude está longe de ser inofensiva ou indiferente. Em primeiro lugar, consagra uma injustiça fundamental; em segundo lugar, favorece e prepara uma seleção invertida. Eu bem sei que o reclame a certas obras é às vezes feito à custa da veemente suspeita de alienação mental que pesa sobre os seus autores. Mas neste caso, como em outros muitos, é justo confessar que os loucos não são precisamente os poetas, mais ou menos extravagantes, que querem ser lidos, discutidos e comprados; quem não tem juízo, é quem os lê, quem os discute e e quem os compra.»
Assim se referia Júlio Dantas, num artigo intitulado «Poetas paranóicos», publicado na Ilustração Portuguesa (19 abr. 1915) ao aparecimento da revista Orpheu.

sábado, 28 de setembro de 2013

A minha pilha de livros - 4

2.ª ed. Lisboa: Portugal-Brasil, ca 1922

Já o tinha lido, emprestado. Como entretanto o comprei, reli-o agora. Reli algumas das crónicas com grande prazer.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Citações


(... ) Há um provérbio judeu muito antigo que me persegue há séculos : o homem pensa, Deus ri. Não imagino um Paraíso com falta de humor, não imagino dissolver-me um dia numa mentira horrível. Prefiro a descrição do escritor Júlio Dantas, que não é tão mau como os ignorantes pensam, a contar a chegada do poeta Bulhão Pato ao céu, " poisando a mão no ombro formidável de Deus e a perguntar-lhe
- Rapaz! Como estás tu? "
Que adjectivo estupendo, que frase bem balançada. E é uma coisa mais ou menos desse género que penso. É pouco provável que poise a mão no ombro formidável de Deus ( não toco muito nas pessoas e há alturas em que gostava tanto ) e lhe pergunte
- Rapaz! Como estás tu?
porque sou tímido. Mas, se fosse capaz de perguntar, gostaria que me respondesse
- Menos mal, filho, menos mal
e me deixasse andar onde me apetecesse porque a Sua casa, não é verdade, porque a Sua casa, e desta certeza não saio, é minha também.

- António Lobo Antunes, na VISÃO da semana passada.

P.S. - E concordo com ele sobre Júlio Dantas, de quem de vez em quando releio com prazer algumas páginas.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Ai como sabe amar a gente portuguesa!


Cenário: Uma grande sala no Vaticano – Paredes cobertas de telas, com apainelamentos de talha doirada, mesa onde ceiam os três cardeais: Cardeal Gonzaga (português), Cardeal Rufo (espanhol) e Cardeal Montmorency (francês), sentados à mesa, ceando.
Palavras do Cardeal Gonzaga, na peça de teatro de Júlio Dantas, ao descrever aos 84 anos, o seu amor de infância.

Nem a frase sutil,
nem o duelo sangrento...
É o amor coração,
é o amor sofrimento.
Uma lágrima...Um beijo...
Uns sinos a tocar..
Um parzinho que ajoelha
e que vai casar.
Tão simples tudo!
Amor, que de rosas se inflora:
Em sendo triste canta,
em sendo alegre chora!
O amor simplicidade,
o amor delicadeza...
Ai, como sabe amar,
a gente portuguesa!
Tecer de sol um beijo, e,
desde tenra idade,
Ir nesse beijo unindo o amor
com a amizade,
Numa ternura casta
e numa estima sã,
Sem saber distinguir entre
a noiva e a irmã...
Fazer vibrar o amor em
cordas misteriosas,
Como se em comunhão se
entendessem as rosas,
Como se todo o amor fosse
um amor somente...
Ai, como é diferente!
Ai, como é diferente!"

(via M.Noronha de Andrade)

sábado, 31 de outubro de 2009

Eterno feminino


Anne-Josèphe Théroigne de Méricourt,
nascida Anne-Josèphe Terwagne

As modas do Outono! Mas, minha querida amiga, para que havemos nós de nos insurgir contra a moda, - se ela é tão rápida, tão impersistente e tão fugitiva? Tem razão: os casacos azul Nattier, azul Sèvres, loiro tabaco, vermelho ferrugem, largos, campanudos, com rodas enormes, aprecem sinos com dois pezinhos a badalar dentro; os boleros, sugestões de Goya, de uma duvidosa elegância garçonnière, irritam, enervam, contundem; os chapéus altos Thermidor, com a sua fivela e as suas fitas caídas, feministas, cubistas, futuristas, abominavelmente Mistress Pankurst, execravelmente Miss Robertson, furiosamente Théroigne de Méricourt, - dão vontade de bater nos figurinos Paquin, Redfern, Béchoff, Georgette, que, apesar da guerra, invadem as modistas de todo o mundo. Tudo é masculino: o carrick, o bolero, o chapéu, os gestos, os caprichos, as infidelidades, - e o fumo. Execrável. Mas que havemos nós de fazer, minha querida amiga, - se está absolutamente provado que a mulher é o único defeito do homem?
Júlio Dantas
In: Ilustração Portuguesa, Lisboa, 2.º semestre 1915, p. 417

domingo, 29 de março de 2009

Recordar é viver

Eu sei... Eu também sei... Recordar é viver...
Transformar n'um sorriso o que nos fez sofrer...

Júlio Dantas, Ceia dos Cardeais

sexta-feira, 27 de março de 2009

A Ceia dos Cardeais


Esta é a capa da hoje já rara 1.ª edição de A Ceia dos Cardeaes, que é posterior à estreia, que efectivamente ocorreu no Teatro D. Amélia, a 24 de Março de 1902.
É uma das poucas peças de Teatro que "representei". Esta já mais crescidinho e que ainda hoje sei muitas das tiradas... Fiz de Cardeal Rufo. Os meus companheiros, os Cardeais de Montmorency e Gonzaga, aguardam, na Ilha de Orpheu, a minha chegada para uma nova representação.

...
Não matei em duelo o Sol, pelas alturas,
Só para não deixar Salamanca às escuras!

....
Atirei-me d'um salto, e em rápidos instantes
Sozinho contra vinte e tantos estudantes,
Contra uma Faculdade inteira, expondo a vida,
A capa ao vento, a espada em punho, a pluma erguida,
Talhei, ensanguentei, feri, n'uma violência...

Assim! Assim!

...

E se não os matei a todos, em verdade,
Foi p'ra não se fechar a Universidade!

"Como é diferente o amor em Portugal"



[...]
Nem a frase subtil, nem o duelo sangrento...
É o amor coração... É o amor sentimento...
Uma lágrima... Um beijo... Uns sinos a tocar...
Um parzinho que ajoelha e que se vai casar...
Tão simples tudo! Amor que de rosas se inflora...
Em sendo triste, canta, em sendo alegre, chora!
O amor simplicidade, o amor delicadeza...
Ai, como sabe amar, a gente portuguesa!
Tecer de sol um beijo, e desde tenra idade
Ir n’esse beijo unindo o amor e a amizade,
N’uma ternura casta e n’uma estima sã,
Sem saber distinguir entre a noiva e a irmã...
Fazer vibrar o amor em cordas misteriosas,
Como se em comunhão se entendessem as rosas,
Como se todo o amor fosse um amor somente...
Ai, como é diferente! Ai, como é diferente!

(Cardeal Gonzaga em A ceia dos cardeais, de Júlio Dantas.)

A peça foi estreada no Teatro D. Amélia (actual S. Luís) no dia 24 de Março de 1902.
Retirei este excerto da internet. O Jad, que adora esta peça, pode dar seguimento a este post. Resolvi colocá-lo por hoje ser Dia Mundial do Teatro e por ter falado de Júlio Dantas esta tarde.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

«Namoro», de Júlio Dantas


Magnet para o frigorífico,
com ilustração de Stuart.

Este e outros - todos muito giros! -,
da Portuguese Magnetic Collection,
à venda na Livr. Sá da Costa.