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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Livro e marcador(es) - 236


Fotos Cláudia.

E mais dois marcadores deste autor que me encanta. O primeiro de um dos livros que mais tenho oferecido; o segundo está no monte para ser lido em breve.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

A propósito da trilogia Terra Alta

Sou apaixonada pelos livros de Javier Cercas. Ainda não li o último vol. desta trilogia, mas já está no monte.


[José Riço Direitinho] - O romance Os Miseráveis, de Victor Hugo, surge ao longo dos três livros. A vida de Melchor [Marín, polícia, protagonista] muda radicalmente depois da sua leitura na prisão. Os livros podem mudar assim uma vida?

[Javier Cercas] - A resposta é: claro que sim. Um leitor que não saiba que os livros nos mudam a vida não é um bom leitor. Um leitor cuja vida não tenha sido mudada por um livro não sabe ler. Porque os livros mudam o mundo, mudando a perceção que o leitor tem do mundo. Todos sabemos que isso nos aconteceu com determinados livros. Talvez não de maneira tão radical como aconteceu com Melchor. Mas ele é o melhor leitor que conheço, é o contrário de um intelectual, é um selvagem, um bárbaro. Horácio disse: a História fala de ti. Isso é o que sentimos quando lemos um livro importante. Isso é o que Os Miseráveis fez de Melchor, pôs-lhe um espelho diante. [...] Para mim não é um livro tão importante como para Melchor, foi ele quem o escolheu, não fui eu. [risos🤣🤣🤣 ]»

(De uma entrevista dada à Ípsilon, 12 maio 2023, p. 11)


quinta-feira, 6 de abril de 2023

Marcadores de livros - 2327

Gosto muito de Javier Cercas, que faz hoje 61 anos. Aguardemos pela tradução deste livro de crónicas.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Leituras na pandemia - 44

Porto: Porto Ed., 2020

Sou fã de Javier Cercas e andei a saborear este livro dele uns dias.
Este é um pouco diferente dos outros livros deste escritor espanhol.
Os donos da sua maior empresa de Terra Alta, as Gráficas Adell, aparecem barbaramente assassinados.
Quem vai investigar este crime é Melchor Marín, um polícia com um passado obscuro, grande leitor e cujo livro preferido é Os Miseráveis, sendo um admirador de Jean Valjean, o protagonista do romance  de Alexandre Dumas. 
O que é um herói? E a justiça  e a vingança? Desta ótica, há pontos de contacto com as obras anteriores de Javier Cercas.


Pode ver aqui a apresentação do livro em Portugal.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Leituras no Metro - 963

Lisboa: Dom Quixote, 2011

Há 37 anos, em 23 de fevereiro de 1981, a câmara dos deputados, em Madrid, foi tomada de assalto por guardas civis liderados pelo tenente-coronel Antonio Tejero. O golpe de Estado fracassaria.
Apoiado nas filmagens oficiais que foram transmitidas pela televisão e do gesto do presidente do conselho Adolfo Suárez em permanecer sentado no meio do tiroteio, bem como do seu vice-presidente e do deputado comunista Santiago Carrillo, Javier Cercas constrói a narrativa Anatomia de um instante.
Que significado teve o gesto de Suárez? E o dos outros dois que ficaram sentados, enquanto todos os outros deputados e demais pessoas que se encontravam na sala se tentaram esconder? 
Cercas esmiúça o golpe, as intenções dos golpistas, a atitude do rei, da imprensa e de muitos dos que se encontravam naquela câmara.



sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Leituras no Metro - 961

Lisboa: Assírio e Alvim, 2017

«[…] Alejandro [Cercas] confessou-me que a pior memória que guardava da sua infância era a desse rasto silencioso de ódio, mágoa e violência que a guerra deixara; também me garantiu que se envolvera na política para acabar com aquilo e para que nada que se assemelhasse àquilo voltasse a acontecer.» (p. 141)
«-Lembro-me das primeiras vezes que vim á terra como socialista, na segunda metade dos anos setenta, quando os socialistas acabavam de sair da clandestinidade. […] Eu era então um rapaz obcecado com a guerra e quando me encontrava com os velhos socialistas da República dizia-lhes sempre a mesma coisa: o que não percebo é terem transformado em inimigos pessoas que objetivamente não eram vossos inimigos. Que a República não pretendia apoiá-los contra os pequenos proprietários e arrendatários; pelo contrário, a República também pretendia protege-los e protege-los das mesmas pessoas.» (p. 152-153)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Leituras no Metro - 934

Porto: Assírio & Alvim, 2017

Estou a gostar imenso desta biografia, e da história da sua construção, de Manuel Mena, um falangista que morreu com 19 anos e que era tio-avô de Javier Cercas. Mena nasceu em 1919 em Ibahernando, um pueblo na raia, perto de Cáceres.
Um regresso a Soldados de Salamina

A «abordagem faz-se a partir da figura de Manuel Mena, o tio-avô que integrou as forças falangistas e, em 1938, com apenas dezanove anos, foi abatido durante a batalha do Ebro. Como sempre, o autor documenta o texto com grande minúcia. Ilustrado com fotografias de Manuel Mena e fac-símiles, o livro é um compósito de memórias e narrativa histórica, embora o autor o considere um romance. [...] Como alguém disse, com propriedade, trata-se de "um romance sem ficção".» (Eduardo Pitta - Sábado)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

sábado, 5 de agosto de 2017

Boa noite!



«[...] Sánchez Mazas conhecia o soldado que o salvou. Uma vez viu-o a dançar um pasodoble no jardim de Collell. Sozinho. O pasodoble era Suspiros de España - Miralles desceu o passeio e encostou-se ao táxi, apoiou uma manápula no vidro descido. [...]»
Javier Cercas - Soldados de Salamina. Porto: Asa, 2002, p. 171

Javier Cercas nunca falou com o mítico soldado republicano Enric Miralles (no romance Cercas chama-se Antonio). 
Leia aqui: http://www.diarioinformacion.com/cultura/2013/04/09/sale-luz-identidad-mitico-miralles-soldados-salamina/1361388.html

Leituras no Metro - 283

Trad. Helena Pitta. Porto: Asa, 2002

Há uns dias li uma entrevista de António Mega Ferreira em que falava da última obra de Javier Cercas, El monarca de las sombras, ainda não traduzida em Portugal. Este livro conta a história do seu tio-avô materno, Manuel Mena, falangista, que morreu em combate com 19 anos. Resolvi então reler, quinze anos depois, este Soldados de Salamina e... gostei imenso. Este livro é igualmente passado na Guerra Civil Espanhola, o grande tema da obra de Javier Cercas.

«É curioso (ou pelo menos parece-me curioso agora): desde que o relato de Ferlosio despertou a minha curiosidade nunca me ocorreu que alguns dos protagonistas da história pudesse ainda estar vivo, como se de facto não tivesse acontecido apenas há sessenta anos, mas fosse tão remoto como a batalha de Salamina.» (p. 37). Este Ferlosio é o escritor Rafael Sánchez Ferlosio, filho de Rafael Sánchez-Mazas. O modo como este se livrou de ser fuzilado em Collell inspirou Javier Cercas a escrever Soldados de Salamina. 

Porto: Livros do Brasil, 2017


David Trueba adaptou o livro ao cinema.

Alguém muito meu próximo, que viveu a Guerra Civil Espanhola deste lado da fronteira, teria gostado de ler Javier Cercas.

sábado, 18 de março de 2017

A Coleção Miniatura está de volta



Parece que foram postos à venda em janeiro, os três primeiros números da renovada Coleção Miniatura, da Livros do Brasil, mas eu só ainda vi os dois primeiros. 
Criada nos anos 50, e com o slogan «As Grandes Obras em Pequenos Volumes», esta foi uma das principais coleções de livros de bolso em Portugal e contou com 170 números. Nesta nova série, o formato dos livros é muito semelhante ao da coleção original, mas nela sairão autores contemporâneos e clássicos, ao contrário do que acontece (pelo menos até agora) com a Vampiro.
A Louca da Casa, de Rosa Montero, Soldados de Salamina, de Javier Cercas, e A um deus desconhecido, de John Steinbeck, são os três primeiros títulos da nova Miniatura.
«Sobre A Louca da Casa: Um romance? Um ensaio? Uma autobiografia? A Louca da Casa é, em qualquer dos casos, a obra mais pessoal de Rosa Montero: uma viagem através do misterioso universo da fantasia, da criação artística e das recordações mais secretas da própria autora, que neste livro empreende uma viagem ao mais profundo do seu ser através de um jogo narrativo pleno de surpresas, onde literatura e vida se misturam num cocktail afrodisíaco de biografias alheias e de autobiografia romanceada. E assim descobrimos, por exemplo, que Goethe adulava os poderosos, que Tolstoi era um energúmeno, que Rosa, ela própria, em criança, se julgava anã, e que, com vinte e três anos, manteve um extravagante e arrebatador romance com um ator famoso. Todavia, não devemos fiar-nos por completo em tudo o que a autora conta sobre si mesma: as recordações não são sempre o que parecem.
«Sobre Soldados de Salamina: Ao ser publicado, em 2001, Soldados de Salamina inaugurava uma nova época no romance espanhol e rapidamente se transformava num ruidoso bestseller, com mais de um milhão de exemplares vendidos e traduções em numerosos países. Num recente inquérito do jornal El País, um painel de 50 críticos colocou-o entre os dez melhores livros da literatura de língua espanhola, ao lado de obras de Bolaño, Vargas Llosa, Javier Marías, Vila-Matas ou Marsé. Cercas criava uma nova forma de abordar a Guerra Civil de Espanha, construindo o seu relato sem apriorismos ideológicos. Um soldado republicano pôde matar um militar fascista, mas não o fez. Cercas transforma esse soldado que teve um gesto de piedade num herói. Os leitores fizeram o mesmo.
«Sobre A um deus desconhecido: As antigas crenças pagãs, as grandes epopeias gregas e os relatos da Bíblia servem de base a este romance extraordinário, que Steinbeck demorou cinco longos anos a escrever. Cumprindo a promessa feita ao pai antes da sua morte, Joseph Wayne parte para o Oeste com o desejo de criar uma quinta próspera na Califórnia. Aí encontra uma bela e imponente árvore e acredita estar nela incorporado o espírito do pai. Os irmãos e respetivas famílias, que foram viver com ele, beneficiam dos êxitos e da prosperidade de Joseph, e a quinta cresce — até um dos irmãos, assustado pelas suas crenças pagãs, decidir cortar a árvore, fazendo com que a doença e a fome se abatam de súbito sobre todos eles. A um deus desconhecido é um romance quase místico, que tem por tema central o modo como os homens tentam controlar as forças da natureza e ao mesmo tempo compreender a sua relação com Deus e com o inconsciente.»
http://www.estantedelivros.com/2017/01/novidade-livros-do-brasil-colecao-miniatura.html

Saúdo a saída desta coleção e desejo-lhe uma longa vida.

Dois livros da antiga coleção, com capas de Infante do Carmo.