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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Leituras na pandemia - 40

Lisboa: Assembleia da República, 2020

A minha leitura nos quatro dias de confinamento foi esta biografia de Carlos Aboim Inglez da autoria de João Madeira, historiador que conhece bem o papel que os partidos comunistas atribuíam aos intelectuais. 
Carlos Aboim Inglez entrou muito jovem para o PCP, foi várias vezes preso, funcionário clandestino do partido no interior e no exterior, bem como seu dirigente. Depois do 25 de Abril, regressa da URSS, foi deputado à Constituinte e à Assembleia da República. Foi elemento de ligação entre o partido e a sua organização juvenil, foi responsável pelo setores intelectual (que montou) e internacional do partido. Deixou colaboração em vários jornais como O Diário e Avante!

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Leituras na quarentena - 22

Lisboa: Estampa, 1996

Este livro saiu finalmente do monte.
«Engenheiros de almas» foi uma expressão utilizada por Estaline para se referir à função que ele achava que os escritores deviam ter na sociedade. (Um pouco nesta linha, José Gomes Ferreira intitulava-se de «operário das palavras».)
Como o Partido Comunista 'seduziu' os intelectuais ao mesmo tempo que 'desconfiava' deles, havendo sempre uma certa desconfiança da classe operária em relação as intelectuais.
E quem era considerado «intelectual»? Em 1952, o Congresso Internacional dos Trabalhadores Intelectuais define-o como aquele «cuja atividade exige um esforço do espírito, com tudo o que ele comporta de iniciativa e de personalidade, esforço esse habitualmente em predomínio sobre o esforço físico».
Este livro trata das relações entre os intelectuais entre os anos 30 e 60 do século passado, em que a maioria não questionava as ordens do partido, mas outros discordavam de algumas orientações e pensavam pela sua própria cabeça, o que lhes valeu serem marginalizados.