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segunda-feira, 27 de abril de 2020
Poemas - 102
Uma mulher ergue-se e resiste
( nos 90 anos de Fernanda Montenegro )
Uma mulher ergue-se e serenamente resiste.
É sua a face da justiça, a guarda dos direitos,
das cinzas dos irmãos,da paga dos humildes
ou da íntegra palavra face aos gritos arrogantes
da estupidez mais vil.
Uma mulher só defende a dignidade
não apenas de um povo, mas de todos
que defendemos a limpidez e a decência
e do mundo queremos a sua grandeza
e não o seu fedor .
Andava há muito tempo para publicar este inédito de Luís Filipe Castro Mendes ( via JL ), só agora reencontrei a folha de jornal perdida. Infelizmente continua actual ...
segunda-feira, 21 de maio de 2018
Da vinheta
(...) Os jacarandás de Lisboa florescem em maio, a meio da primavera, como manda a sua natureza. Mas têm também uma falsa, quase imperceptível, floração em outubro, que é exactamente quando ocorre a floração na América do Sul, de onde é proveniente. É a recordação da estação primaveril que está a ocorrer no outro hemisfério. (...)
- Luís Filipe Castro Mendes, em entrevista ao Jornal de Letras
terça-feira, 26 de setembro de 2017
Poemas - 101
Procuras um país no teu país
que não existe nem existiu nunca.
O rosto com que fita o teu país
é uma face feita rocha adunca
a tirar-nos da terra, não esqueças:
" o meu país é o que o mar não quis ";
e vê a aridez, que pede meças
à meseta deserta de Madrid !
Pois da Europa assim fomos dizendo:
" o rosto com que fita é Portugal".
Mas o mar, por temível e tremendo,
era mesmo assim o nosso igual.
Agora fita a Boca do Inferno,
vem meditar no Portugal moderno!
- Luís Filipe de Castro Mendes, Boca do Inferno ( com versos de Ruy Belo e Fernando Pessoa ), in Outro Ulisses Regressa a Casa, Assírio&Alvim, fevereiro de 2016.
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