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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Resposta ao desafio - parte I

Depois de pensar lá me fui lembrando de uns quantos livros que ofereci em quantidade. São eles os seguintes:

Páscoa feliz, de José Rodrigues Miguéis, foi a primeira obra que li deste escritor e adorei, de tal modo que fui lendo o que estava disponível do autor. Uma paixão que dura até hoje. Li-o, pela primeira vez, nesta edição de 1932, com capa de Fred Kradolfer. É um dos livros que mais tenho oferecido, pela Páscoa. Quando alguém não o conhecia,chegava a Páscoa e lá iam umas amêndoas com este Miguéis. Ainda este ano pensei oferecê-lo, mas depois passou-me.
Esta é a edição que presentemente tenho: 3.ª ed., de 1965. Ofereci muitos desta, comprados em alfarrabistas e do da ed. de baixo, a 2.ª ed. de 1958, também adquirida em alfarrabistas.
«Recebo poucas visitas e, coisa estranha, não reconheço algumas das pessoas que se dizem das minhas relações. Interrogam-me, invocam nomes, datas, olham-me com espanto e curiosidade. Com franqueza, irritam-me. Às vezes rato-as mal. A impressão que me fica é de tê-las conhecido, sim, mas numa vida anterior de que me não resta lembrança viva... Há certos enigmas contra os quais luto em vão.» (p. 23-24)

Este livrinho de Henry Miller foi-me oferecido por uns amigos em 1966. Gostei de tal modo dele que durante muito tempo o ofereci. Ainda há pouco tempo quis comprar um exemplar para oferecer e não encontrei.
Não sou particular leitora de Henry Miller - já fui! -, mas continuo a achar este «sorriso aos pés da escada» adorável.
«Sentado aos pés de uma escada que subia para a lua, Augusto quedava-se em contemplação, sorriso fixo, pensamento algures. O simulacro de êxtase, por ele levado à perfeição, impressionava sempre os espectadores como se fora o cúmulo do contra-senso. O favorito tinha mais truques na manga, mas este era inimitável. Jamais ocorrera a um palhaço figurar o milagre da ascenção.» (p. 21-22)

E chegámos ao Pacheco e aos Doutores. No Natal de 2002, devo ter comprado uns dez exemplares deste livro para oferecer. E quem o recebia era sempre no meio de grandes sorrisos e risadas.
«Era no tempo em que os animais falavam. O Menio Jesus tinha então doze anos e estava um homenzinho.» (p. 19) Promete!...

Quanto aos livros que me ofereceram, o caso é mais bicudo. Fica para amanhã.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Biografias, autobiografias e afins - 122

É claro que dei por mim a rir, e bem, quando li numa Fnac várias passagens desta biografia do maldito Luiz Pacheco, assinada por João Pedro George e publicada pela Tinta-da-China. Alguns episódios, os da últimas décadas da vida de Pacheco, já os conhecia, mas outros mais antigos não. Tenho muita coisa dele, pois que aprecio o estilo e acho fascinante a vida deste homem que viveu como quis: os julgamentos e as prisões, a complicada vida privada, as polémicas ( com Cesariny à cabeça... ), a actividade editorial, a bebida, a profusão de epistolografia, etc. .
Comparados com Pacheco, todos os escritores contemporâneos são meninos de coro, mesmo os que se acham muito radicais na escrita e/ou na vida privada.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

«Sou a Natureza»



21 de Junho [de 1968]

«Constou ao Carlos de Oliveira que o Luiz Pacheco, no corolário do enredo de muitos processos confusos, está preso...
«- É um tipo incrível!... - continuou, divertido, para destruir não sei que amargura inexistente: - Ainda não há muito tempo entrou todo flamante no Gelo e declarou aos surrealistas em redor: "Sou a Natureza."
«E ante o assombro silencioso da assembleia, principiou a tirar dos bolsos e dos sovacos um ovo, um pedaço de bife, uma sardinha, um frasco com água do mar, couves, alfaces...
«- Sou a Natureza.»
José Gomes Ferreira
In: Dias comuns. Alfragide: Dom Quixote, 2010, vol. 5, p. 59

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pacheco (Luiz)





João Rodrigues desenhou Luís Pacheco [eu gosto de grafar assim] a escrever um postal. L. Pacheco escreveu, junto do mesmo: "Eu, a fazer este postal visto pelo João Rodrigues (frente e costas)".
Recordamos que a Exposição sobre "Luiz Pacheco" abre na Biblioteca Nacional de Portugal, no próximo dia 26 de Novembro, pelas 17.30.
Este desenho será vendido, em leilão, no dia anterior...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Ferro por Pacheco ou Os desígnios insondáveis da celebração histórica

" (...) Com uma carta amabilíssima, recebo um convite para me deslocar à inauguração de uma exposição sob o signo de Portugal Século XX, 50 Rostos para uma Identidade.
Pregam-me nas ventas a franginha da Beatriz Costa, afamada vedeta por chupar no burrié e outras marotices que fizeram época. Não fui estranho à iniciativa. Tiveram a gentileza de me chamar para um texto sobre Almada Negreiros, onde e não por acaso meti o António Ferro e as duas extraordinárias Senhoras que, ao lado de um e de outro, Sarah Afonso e Fernanda de Castro, decerto muito contribuíram para a grandeza da obra deles. Ora, e durante semanas temi tal disparate, o nome de António Ferro foi esquecido. Ou censurado. Ou achado detestável. Entre Dezembro de 1995 e Fevereiro de 1997, semana a semana, fui-me perguntando: será que vão esquecer este? aquele?
Mais escandalosa que a de Ferro e ainda mais inexplicável, é a ausência de Duarte Pacheco, tanto o Ministro das Obras Públicas como o Presidente do município lisboeta. Pensem o que quiserem, não me reconheço nessa pretensa identidade. E se os tais 50 rostos, nas espantadas serigráficas trombas que o Leonel Moura arranjou, eram escassos, porque não 59, 70? "

- Luiz Pacheco, Um homem dividido, in PRAZO DE VALIDADE, Contraponto, Setembro de 1998.