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terça-feira, 8 de março de 2022

Cais celebra o Dia da Mulher

A Associação CAIS criou quatro cadernos a que chamou Coleção Feminista, dedicados a mulheres portuguesas: Fina da Armada, Carolina Beatriz Ângelo, as Três Marias e Maria de Lourdes Pintasilgo. Bastante bonitos, como se pode ver pela foto.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Citações



01.06.06

Nas despedidas há sempre um impulso de rejeição. É a denegação da dor do abandono.
É assim nas gares, nos aeroportos, nos cemitérios. Há mesmo quem nunca vá a despedidas e funerais.
Conviemos em acabar dentro de mais um mês.
As Novas Cartas Portuguesas foram nove meses. Uma gestação juvenil, a termo.
Será isto um prematuro frustre?
Mas o tempo é de estufas, gravidezes assistidas, remoção de maternidades.
Pressa e demora do que nasce em Portugal. Do  que ainda nos nasce.
En su sitio, como se diz das bandarilhas bem cravadas. Ferros para fora.
Detesto despedidas.
Cold feet, que é como os ingleses designam a parestesia do medo que vem subindo.
E ainda ( me ) falta todo o material escolar. Da literacia e da discalculia.
E dos dislates e alguns acertos no Palácio das Madres.
E do Crato, a luminescente ausência da avó materna, que tentei recuperar no Amante do Crato.

Uma certa tenebrosidade nos céus do British Quintal. Uma luz cinzenta, abafada, sem água. Torna-se penoso ter de regar tantas vezes, carregar a mangueira em braços através da casa para chegar aos canteiros da frente.
Mas vale a pena.
Pela manhã seguinte há uma ridência nas folhas e flores, uma iridescência verde que contraria o cenho de calor do céu fosco,  branco-sujo. (...)

- Maria Velho da Costa, in O Livro do Meio - romance epistolar ( escrito a quatro mãos com Armando Silva Carvalho ), Caminho, 2006.

E assim assinalo a atribuição do Prémio Vida Literária ( APE ) a Maria Velho da Costa. Uma justíssima escolha.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Se razões fossem precisas... - 3

- fotografia de Graça Sarsfield.


485. Ler uma coisa que me maravilha tanto que penso que nunca chegarei lá.
Sinto isso desde os 16 anos, quando comecei a tentar escrever. Foi o que senti quando li
pela primeira vez Virginia Woolf ou, no caso português, a Maria Gabriela Llansol, a
Agustina Bessa-Luís, e muitos outros. Quando li as suas obras pensei que aquilo era
inultrapassável. E era. E é. Só que há outros caminhos, como a Casa do Senhor que tem
muitas moradas...

- Maria Velho da Costa, Mil razões para ler um livro/3 , Alma Azul , Abril de 2009.


Palavras que deveriam estar gravadas à entrada de uma qualquer sala de escrita criativa, ou em qualquer outro lugar onde se ensine Literatura. Para que o peso dos gigantes que nos precederam não nos iniba a descobrir os outros caminhos de que fala Maria Velho da Costa.