Esta tarde às 15h30, a Cinemateca passa dois filmes: «uma ficção e um documentário, realizados com oito anos de intervalo, que abordam a luta pelos direitos dos negros americanos, nos anos cinquenta e sessenta. A abrir a sessão, um filme relativamente raro de Roger Corman, cuja ação é ambientada numa pequena cidade do Sul, no momento em que leis nacionais proíbem a segregação racial nas escolas e estas passam a ser obrigadas a aceitar alunos negros. Um homem de aparência afável surge na cidade, mas a sua “missão” consiste em incitar a população a recusar a integração racial. Para tanto, não hesita em forjar “provas” acusando um estudante negro de agressão sexual sobre uma mulher branca. Corman constrói um clima de tensão e leva-o ao limiar da explosão. A seguir, um extraordinário documentário que reconstitui o percurso e o combate de Martin Luther King, do célebre boicote dos autocarros no Alabama, em 1956, até ao seu funeral em 1968, atravessando todas as suas etapas como líder político, incluindo o histórico discurso “I have a dream”. KING consiste unicamente num riquíssimo material de arquivo, sem entrevistas nem comentários explicativos, numa demonstração eloquente que os documentos falam por si mesmos. Entre as imagens de atualidades, são inseridas intervenções de celebridades, que não comentam diretamente os factos, mas dizem textos que com eles podem ser relacionados. A apresentar em cópias digitais, em primeiras exibições na Cinemateca.» (Da programação da Cinemateca.)
Domingo estreei-me no último dia do Indie Lisboa (deste ano) com dois filmes-documentários. O último, que encerrou o festival, foi este I am not your negro, dirigido e escrito por Raoul Peck, baseado num manuscrito inacabado de James Baldwin, Remember this House, sobre as relações étnicas durante a luta dos direitos civis nos Estados Unidos, tendo como principais ícones três amigos de Baldwin, assassinados: Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King.
Um filme inteligentíssimo, pelas palavras de Baldwin.
A bullet from the back of a bush
Took Medgar Evers’blood
A finger fired the trigger to his name
A handle hid out in the dark [...].
Bob Dylan
Não há nada de James Baldwin traduzido em português (pelo menos eu não encontrei). Seria uma boa altura para o fazer.
«Tenho a audácia de acreditar que em todo o lado os povos podem ter três refeições diárias para alimentar os seus corpos; educação e acesso à cultura para alimentar o pensamento; dignidade, igualdade e liberdade para alimentar o espírito. Acredito que homens inspirados pelo amor ao próximo poderão reconstruir o que homens inspirados pelo seu amor próprio destruíram.»
Martin Luther King, ao receber o Nobel da Paz em 1964.
Martin LutherKing faleceu há 49 anos.
Paris: Seuil, 2015
Li que esta biografia de Sylvie Laurent sobre este combatente americano pelos direitos civis é muito boa.