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segunda-feira, 24 de abril de 2023

Barbearias

Predrag Matvejevitch, no seu A outra Veneza, escreve sobre barbearias e barbeiros:
«[...] as barbearias são incontornáveis. Eram as rivais das tabernas e as sucedâneas das sacristias. Encontravam-se a casa esquina e sobram muito menos do que antes. [...] O ofício de barbeiro não era apenas uma profissão, era também uma vocação, e até um sacerdócio. [...] 
«Nas barbearias, podia-se aprender tudo sobre a cidade e o seu passado. Tinha-se por vezes a impressão de que se decidia aí a história da cidade. Os barbeiros venezianos rinham, além disso, talentos de contadores de histórias. Sabiam divertir e consolar os seus clientes, confundi-los ou inquietá-los quando fosse preciso. Criou-se um lugar para eles na ribalta, tanto no teatro como na ópera.» (p. 105)

Barbearia Campos, Lisboa.

Os barbeiros eram (talvez ainda sejam) locais de encontro nas aldeias, vilas e cidades. Aí se lia o jornal, discutia-se política e coscuvilhava-se a vida alheia.
Assisti num cabeleireiro (onde deixei de ir) a mulheres a exporem a sua vida despudoradamente. Eu entrava (quase) muda e saía (quase) calada: bom dia quando entrava, corte tantos tantos dedos e novamente bom dia quando saía.



Lembram-se desta?
«Se tu visses o que eu vi
À vinda de Guimarães
Um barbeiro de joelhos
A fazer a barba aos cães.»

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Leituras no Metro - 1151

Lisboa: Quetzal, 2022

Neste livro, Predrag Matvejevitch mostra-nos outra Veneza com locais menos conhecidos: «Perto do palazzo Soranzo, há um jardim luxuriante que vi pela primeira vez numa gravura do padre Vincenzo Coronelli. Da Ponte San Cristoforo, entrevi ao fim do dia o belo jardim do sinistro Palazzo Dario. [...] O Palazzo Contarini del Bovolo transformou os seus alpendres noutro jardim extraordinário.» (p. 33)

Jardins do palácio Soranzo Cappello.
Palazzo Contarini del Bovolo

«Nestes lugares (escrevo estas palavras na Laguna, na pequena ilha de Sam Giorgio in Alga) corriam outrora rios: veem-se ainda nos canais vestígios dos seus leitos. Eles depositaram aluviões, desgastaram as margens, cortaram ou ligaram os bancos de terra.» (p. 58)

António Visentini - A ilha de San Giorgio in Alga.«, 1738.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Marcadores de livros - 1325

Versos e reversos de dois marcadores de livros de viagens.

«Os comboios de qualquer país contêm a parafernália essencial da respetiva cultura».
Paul Theroux

«Não sabemos ao certo até onde vai o Mediterrâneo, nem que parte do litoral ocupa, nem onde acaba, tanto em terra como no mar. [...] O Mediterrâneo não é apenas uma geografia.»
Predrag Matvejevitch