Este documentário de Andrei Ujică começa na chegada dos Beatles a Nova Iorque para o concerto de agosto de 1965 no estádio Shea. O realizador foi buscar o título a uma canção da banda.
Predrag Matvejevitch, no seu A outra Veneza, escreve sobre barbearias e barbeiros:
«[...] as barbearias são incontornáveis. Eram as rivais das tabernas e as sucedâneas das sacristias. Encontravam-se a casa esquina e sobram muito menos do que antes. [...] O ofício de barbeiro não era apenas uma profissão, era também uma vocação, e até um sacerdócio. [...]
«Nas barbearias, podia-se aprender tudo sobre a cidade e o seu passado. Tinha-se por vezes a impressão de que se decidia aí a história da cidade. Os barbeiros venezianos rinham, além disso, talentos de contadores de histórias. Sabiam divertir e consolar os seus clientes, confundi-los ou inquietá-los quando fosse preciso. Criou-se um lugar para eles na ribalta, tanto no teatro como na ópera.» (p. 105)
Barbearia Campos, Lisboa.
Os barbeiros eram (talvez ainda sejam) locais de encontro nas aldeias, vilas e cidades. Aí se lia o jornal, discutia-se política e coscuvilhava-se a vida alheia.
Assisti num cabeleireiro (onde deixei de ir) a mulheres a exporem a sua vida despudoradamente. Eu entrava (quase) muda e saía (quase) calada: bom dia quando entrava, corte tantos tantos dedos e novamente bom dia quando saía.