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segunda-feira, 2 de março de 2009

A exposição perdida

-Catálogo da exposição, publicado pela Skira.
- Federico di Montefeltro, atribuído a Pedro Berruguete. Vemos Federico a ler, decorado com a Ordem da Jarreteira que lhe foi conferida por Eduardo IV, acompanhado pelo seu herdeiro ainda criança, Guidobaldo.
Foi uma das exposições de 2008 que mais pena tive de não ver, esta Ornatíssimo Codice: La Biblioteca di Federico di Montefeltro, que esteve patente de Março a Julho de 2008 no Palácio Ducal de Urbino. Pela primeira vez, desde há 350 anos, os livros coleccionados por Federico voltaram a casa, embora temporariamente.
A lendária biblioteca ( que à morte de Federico já continha 900 códices: 600 em latim, 168 em grego, 82 em hebraico, 2 em árabe e os restantes em italiano) que foi sendo acrescentada pelos herdeiros de Federico, compreendia 1760 volumes quando foi comprada em 1658 pelo Papa Alexandre VII e transferida para a Biblioteca Vaticana onde ainda hoje se encontra.
Perdida a exposição, resta o fantástico catálogo que vem acompanhado de um dvd com 1420 imagens, incluindo folhas de rosto de todos os códices e muitas iluminuras e miniaturas.
E, segundo li, o catálogo faz também justiça à segunda mulher de Federico, Battista Sforza, um prodígio que aprendia latim aos três anos, e estudou grego, filosofia e história. Foi, aliás, durante os 12 anos deste segundo casamento de Federico que a sumptuosa Biblioteca do Palácio Ducal foi construída.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Novidades - 24: Dois condottieri

- Sigismondo Malatesta, por Piero della Francesca.
- Catedral de S. Francisco, Rimini

- Federico da Montefeltro, por Piero della Francesca


-Palácio Ducal de Urbino




Esta mais recente obra de Hugh Bicheno é dedicada à rivalidade entre dois grandes condottieri : Sigismondo Malatesta, Senhor de Rimini, e Federico da Montefeltro, Duque de Urbino. Uma rivalidade que se estendeu da política às artes, não sendo por acaso que os retratos de ambos que melhor conhecemos tenham sido pintados pelo grande Piero della Francesca. Sigismondo Malatesta tem uma das piores reputações da história italiana, mesmo a do séc.XV o que já dá uma ideia do calibre deste governante, tendo o Papa Pio II dito dele que era um dos preferidos de Satanás. As acusações contra o Senhor de Rimini eram tremendas: heresia, necrofilia e sodomia dos próprios filhos. Federico da Montefeltro apesar de ter como profissão as armas, era um governante muito mais tranquilo na sua vida pessoal e um grande bibliófilo, tema a que voltarei em breve.
Mas a tese central deste livro gira à volta desta aparente contradição: como é que estes homens violentos puderam patrocinar grande e inovadora arte?
Malatesta mandou construir a Catedral de S.Francisco em Rimini, que apesar de ser dedicada ao grande santo de Assis é na verdade o mausoléu de Sigismondo Malatesta e da sua amante preferida Isotta degli Atti, e onde por toda a parte se encontram inscrições que glorificam a vida de Malatesta, bem como o monograma deste. Não é por acaso que esta catedral é também conhecida como Tempio Malestiano e o Papa se recusou a lá entrar.
Montefeltro deixou-nos o Palácio Ducal de Urbino, também ele uma jóia arquitectónica.
Dois condottieri que foram verdadeiros precursores da Renascença.
- Vendetta. High art and low cunning at the birth of the Renaissance, Hugh Bicheno, 290p, Weidenfeld and Nicholson, 2008.