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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Da vinheta


 O Fascismo não começou em 1925, dez anos antes já Mussolini tinha criado o Partido Revolucionário Fascista , mas é em 1925 que Mussolini, 40º Primeiro Ministro de Itália desde 1922, abandona qualquer pretensão democrática e despacha os seus parceiros de coligação ( liberais, conservadores, social democratas ) , proclamando-se IL DUCE.  

sábado, 23 de maio de 2020

Filhos do Destino: A Escola Proibida


«Documentário ficcionado que reconstrói a história de quatro crianças judias italianas, vítimas da discriminação, humilhação, medo e sofrimento provocados pelas Leis Raciais introduzidas pelo regime fascista e assinadas por Vittorio Emanuele III em 1938. Memórias que se entrelaçam com emocionantes depoimentos dos quatro protagonistas, que sobreviveram ao fascismo e à Segunda Guerra Mundial graças à ajuda de pessoas que se recusaram submeter aos ditames do fascismo.
«De Nápoles a Roma, passando por Milão e Pisa, descobrimos a história destas quatro crianças, que hoje são avós, e que recordam aqueles anos terríveis, de horror e vergonha, de perigo constante de serem denunciadas e morrerem. Crianças impedidas de ir à escola, que se escondiam, fugiam, e lutavam pela vida, sentindo-se discriminadas e diferentes, antes sequer de perceberem o significado de serem judias. Histórias de crianças que se tornaram adultos e adultos que nunca se esqueceram de ser crianças. Com testemunhos dos quatro protagonistas e dos seus amigos e familiares, o documentário de Francesco Micciché e Marco Spagnoli revela as histórias da senadora Liliana Segre, Tullio Foà (de Nápoles), Lia Levi (de Roma) e Guido Cava (de Pisa). Vidas diferentes, do norte ao sul da Itália, unidas por um único e triste destino: serem vítimas do ódio e da loucura do nazi-fascismo e da indiferença da maioria dos italianos.» (RTP)
Passa esta tarde, às 15h00, na RTP2.

terça-feira, 17 de março de 2020

A arte do retrato - 260


Um desenho do escultor florentino Baccio Bandinelli  ( 1493-1560 ) , projecto para uma estátua colossal do grande almirante Andrea Doria como Neptuno, foi à praça por 70 000 euros e saiu por 680 000 ...
Em França ( Le Havre ), a 25 de Janeiro .

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Lá fora - 194



Uma exposição inédita sobre as três irmãs de Napoleão, com 140 quadros, esculturas, jóias e acessórios provenientes de grandes museus e das colecções dos seus descendentes, franceses e italianos. Reinaram em Itália, mas sujeitas aos altos e baixos da carreira do célebre irmão. Vidas que davam filmes...

É no museu Marmottan Monet, até 2 de Fevereirowww.marmottan.fr

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Novidades


Aos 90 anos, sendo talvez o maior historiador francês vivo, Jean Delumeau ainda tem fôlego para este livro fascinante sobre três séculos efervescentes da Cidade Eterna : do Saque de Roma ( 1517 ) pelas tropas imperiais de Carlos V ao papado de Sixto V e seu legado ( 1585-90, quando Roma se torna a cidade dos obeliscos, do da Praça de S.Pedro a outros espalhados pela cidade; mas também grande reformador da Igreja e não só do urbanismo romano ), passando pela descoberta das catacumbas, da Domus Aurea do Imperador Nero, e por todos os génios artísticos que deixaram a sua marca.


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Mais Dumas


Em 1860, acompanhando as tropas de Garibaldi, Alexandre Dumas instala-se em Nápoles e mergulha no mundo da Camorra, acabando por escrever estes textos, que se mantiveram inéditos até à presente publicação a cargo da Librairie Vuibert.
O manuscrito esteve disperso por vários cantos da Europa, acabando finalmente reunido nesta 1ªedição graças aos esforços do grande dumasiano Claude Schopp.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Esta noite

Inverno significa também, para muita gente, mais televisão por via de mais noites passadas em casa. Assim, recomendo esta série que estreia hoje no canal AXN, às 22h25Os Bórgias. Uma das dinastias mais famosas, e com pior reputação, do Renascimento: do pai Rodrigo Bórgia, o Papa Alexandre VI, interpretado pelo grande Jeremy Irons aos filhos Lucrécia ( Holliday Granger ), César ( François Arnaud ) e Juan ( David Oakes ).
No entanto, com os habituais prodígios da história e da genealogia, as gerações seguintes desta família foram bem mais calmas: de São Francisco de Borja , 3º Geral dos Jesuítas, a vários monarcas europeus dos nossos dias que descendem de Lucrécia e do seu terceiro ( e mais sereno ) casamento.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um quadro por dia - 198

Jean-Auguste Dominique Ingres, Gianciotto descobre Paolo e Francesca, 1819, óleo sobre tela, Museu Turpin de Crissé, Angers.

Uma tela que me apareceu num texto de João Miguel Fernandes Jorge ( Moinho do Corvo, na Intervalo # 4 ) que só recentemente li :

(...) uma tragédia entre irmãos. Dois príncipes italianos. Foi o que me disse o meu filho. O duque de Rimini, com ciúmes, vai matar a mulher e o irmão que são amantes. O quarto onde estão os amantes é frio. O assassino, de negro, um homem muito feio, em contraste com a beleza do irmão e da mulher, traz no seu aspecto o horror da morte. Começa a sua visão muito antes do instante em que a própria morte vai ferir os amantes, dois corpos iluminados pela vontade do amor. Tudo permanece suspenso. O duque, feroz, mesmo cego de ódio, deve estar com os olhos cheios de lágrimas. Por isso, suspende os passos face à cena amorosa. Lágrimas, do tipo das lágrimas que os homens choram perante as coisas demasiado belas. O que está a ver é-lhe insuportável. (...)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Os protagonistas da unidade italiana

Andava pela net à procura das comemorações dos 150 anos da unidade italiana e encontrei estes selos. Se fosse a Itália, não me escapavam. Devo esclarecer que não percebo nada de selos e só compro alguns - poucos - cuja temática me interessa.

quarta-feira, 9 de março de 2011

ONDE ME APETECIA ESTAR- 46 : Miramar

As conversas são como as cerejas... , e falar de Maximiliano e de Carlota leva a Miramar, a sua casa europeia, em Trieste, nas margens do Adriático.
Aqui viveram pacificamente 4 anos, de 1860-quando o castelo ficou pronto- a 1864, ano em que se deixaram convencer por Napoleão III e partiram para o México. O castelo foi desenhado pelo arquitecto Carl Junker, mas o parque de 22 hectares foi concebido pelo próprio Maximiliano para ser um jardim tropical.

Depois da morte de Maximiliano, que morreu sem filhos, o castelo ficou na posse dos Habsburgos que o utilizaram como residência de veraneio, designadamente Sissi e o seu filho e nora Rudolfo e Estefânia ( outra infeliz princesa belga ). Finda a Primeira Guerra Mundial, Trieste passou a integrar o reino de Itália e Miramar também. Começou então a segunda vida deste castelo, agora como museu italiano, embora tenha servido de quartel durante a Segunda Guerra Mundial.


Quase milagrosamente, e com a ajuda dos próprios triestinos, os interiores sobreviveram a duas guerras mundiais e a ocupações militares, e são hoje um dos principais motivos de visita desta antiga residência principesca. As vistas também ajudam...

- A cama de Maximiliano, oferecida pelo Papa Pio IX mas nunca utilizada.



- O Castelleto, pavilhão secundário existente no parque do castelo.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Descoberto túmulo de Calígula ?

Cabeça de Calígula restaurada com as cores originais


Aquilo que era sustentado por muitos historiadores, é que as cinzas do Imperador Calígula, assassinado aos 28 anos, foram depositadas no Mausuléu de Augusto, que ardeu em 410 d.c.. Mas esta tese não é unânime. Agora, a polícia italiana vem dizer que descobriu o túmulo do tresloucado imperador (37-41 d.c.) perto do lago de Nimes, a 30 kms de Roma, onde Gaius Julius Caesar Augustus Germanicus possuía uma vila, ao perseguir um ladrão na posse de parte de uma estátua, que confessou o roubo e onde fora feito, levando a polícia ao local. A estátua foi identificada como sendo a de Calígula, por causa das sandálias, as caliga, que usava em criança quando acompanhava o pai, Germânico, filho adoptivo de Tibério, nas campanhas militares e lhe valeu o nome com que passou à História.


Como depois do seu assassinato, por membros da guarda pretoriana envolvidos numa conspiração com senadores, todas as estátuas terão sido destruídas, peritos há que duvidam desta descoberta.


Com o que eu pasmo é com o conhecimento histórico da polícia e de ter sido esta instituição a fazer o anúncio.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sempre a aprender - 9

Altobello Meloni, - Retrato de um condottieri italiano, 1520, Accademia Carrara, Bergamo.

Habituei-me sempre a ver neste quadro o retrato de César Bórgia, e se espreitarem a Wikipédia verão que ainda é o retrato que aparece no artigo dedicado ao terrível filho do Papa Alexandre VI, pelo que foi com surpresa que li recentemente que há muito que se discutia ser ou não o sinistro duque de Valentinois o retratado por Meloni, sendo a opinião dominante dos especialistas contemporâneos que não se trata efectivamente de César.
Seja quem for que Meloni pintou, trata-se de um esplêndido retrato.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Um quadro por dia - 7

- Gian Gastone di Médici, G.Pignatta, Palácio Medici Riccardi, Florença.


Não era este o quadro que queria postar, mas não encontrei na net o que procurava ( o pintado por Giambattista Marcuola retratando a audiência concedida por Gian Gastone ao marquês Cosimo Riccardi, e que é muito mais interessante ), pelo que aqui fica este retrato mais formal do sétimo e último grão-duque da Toscana da família dos Médicis, Gian Gastone di Médici ( 1671- 1737 ) , filho de Cosme III.
Acabei hoje de ler o romance histórico que Dominique Fernandez, autor de que gosto bastante, escreveu sobre Gian Gastone e que se chama inevitavelmente Le dernier des Médicis. Com Gian Gastone acabou, na mais completa decadência moral, a família mais importante da história cultural italiana, e a Toscana passou para as mãos de Francisco III de Lorena, marido da Imperatriz Maria Teresa, ficando na órbita dos Habsburgos. Mas ficaram as colecções...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Catástrofe em Itália

- Vista aérea de Áquila.
- Basílica Santa Maria di Collemaggio, onde está sepultado um dos mais efémeros papas e o único que renunciou ao papado : Celestino V.

Esta madrugada registou-se um violento sismo que abalou a região italiana de Abruzzi e destruíu a cidade de Áquila ( L' Aquila ) , fundada em 1230 pelo Imperador Frederico II de Hohenstaufen num plano urbano perfeitamente inédito até essa data e a partir de 99 aldeias que já existiam.
Até agora estão confirmados 92 mortos, 1500 feridos, e 50.000 desalojados, tendo ficado destruídos 10.000 edifícios, muitos deles datando da Idade Média.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Novidades - 24: Dois condottieri

- Sigismondo Malatesta, por Piero della Francesca.
- Catedral de S. Francisco, Rimini

- Federico da Montefeltro, por Piero della Francesca


-Palácio Ducal de Urbino




Esta mais recente obra de Hugh Bicheno é dedicada à rivalidade entre dois grandes condottieri : Sigismondo Malatesta, Senhor de Rimini, e Federico da Montefeltro, Duque de Urbino. Uma rivalidade que se estendeu da política às artes, não sendo por acaso que os retratos de ambos que melhor conhecemos tenham sido pintados pelo grande Piero della Francesca. Sigismondo Malatesta tem uma das piores reputações da história italiana, mesmo a do séc.XV o que já dá uma ideia do calibre deste governante, tendo o Papa Pio II dito dele que era um dos preferidos de Satanás. As acusações contra o Senhor de Rimini eram tremendas: heresia, necrofilia e sodomia dos próprios filhos. Federico da Montefeltro apesar de ter como profissão as armas, era um governante muito mais tranquilo na sua vida pessoal e um grande bibliófilo, tema a que voltarei em breve.
Mas a tese central deste livro gira à volta desta aparente contradição: como é que estes homens violentos puderam patrocinar grande e inovadora arte?
Malatesta mandou construir a Catedral de S.Francisco em Rimini, que apesar de ser dedicada ao grande santo de Assis é na verdade o mausoléu de Sigismondo Malatesta e da sua amante preferida Isotta degli Atti, e onde por toda a parte se encontram inscrições que glorificam a vida de Malatesta, bem como o monograma deste. Não é por acaso que esta catedral é também conhecida como Tempio Malestiano e o Papa se recusou a lá entrar.
Montefeltro deixou-nos o Palácio Ducal de Urbino, também ele uma jóia arquitectónica.
Dois condottieri que foram verdadeiros precursores da Renascença.
- Vendetta. High art and low cunning at the birth of the Renaissance, Hugh Bicheno, 290p, Weidenfeld and Nicholson, 2008.



terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Cinenovidades - 10 : Il divo

Não é propriamente uma novidade, mas este documentário de Paolo Sorrentino sobre Giulio Andreotti que ganhou o Prémio do Júri no Festival de Cannes de 2008 merecia ser visto entre nós. Lembrei-me dele a propósito de uma conversa tida ontem com o meu querido amigo e colega de blogue João Mattos e Silva sobre a escassez de filmes franceses, italianos ou alemães que vemos por cá. E realmente a vida de Andreotti dá um filme: encarnou a política italiana, para o bem e para o mal, durante quarenta anos nos quais foi 7 vezes primeiro-ministro e 21 vezes ministro e as ligações perigosas são muitas... Por agora, ficamos com o trailer:

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Biografias, autobiografias e afins - 8

- Vincenzo Cabianca, Garibaldi a Caprera, 1870, Palazzo
Pitti ( Galeria de Arte Moderna ) .
Giuseppe Garibaldi é considerado um dos " Pais da Itália " , juntamente com Vítor Manuel, primeiro Rei de Itália, Camillo Cavour, o primeiro primeiro-ministro da Itália unificada, e Giuseppe Mazzini, o ideólogo da unificação. E por toda a Itália, é visível a gratidão a esta figura quase lendária- será difícil encontrar uma cidade italiana que não tenha uma via, corso, viale, ou piazza dedicada a Garibaldi. Tal como são muitos os monumentos e as placas que lembram o grande herói da Unificação italiana.
Biografias também há muitas, mas esta escrita por Alfonso Scirocco tem tido excelentes recensões e por isso a trago ao blogue. Sem querer diminuir a figura e a importância do seu biografado, Scirocco procura reconstituir desapaixonadamente o percurso do grande homem, com os respectivos sucessos e fracassos.
O subtítulo do livro- Cidadão do Mundo- é alusivo ao facto de Garibaldi ter sido um herói em dois continentes: na Europa e na América do Sul. Efectivamente, após o falhanço das primeiras revoltas em que se involveu, Garibaldi fugiu para a América do Sul em 1834 e aí viveu 14 anos: aderiu à Maçonaria, e chegou a vender pasta e a conduzir gado para ganhar a vida, embora tenha passado a maior parte desses anos de exílio com armas na mão- primeiro com os secessionistas do Rio Grande do Sul que queriam ser independentes do resto do Brasil, e depois ao serviço do Uruguai nas guerras com a Argentina. Aliás, foi no Brasil que conheceu a mulher da sua vida, a famosa Anita, com quem teve 4 filhos e que com ele regressou à Europa em 1848.
Os anos seguintes foram as extraordinárias campanhas militares que conduziram à unificação de Itália sob o domínio da Casa de Sabóia. Quando Garibaldi nasceu em Nice, o território pertencia formalmente à Casa de Sabóia embora estivesse sob ocupação francesa e havia oito estados no que hoje conhecemos como Itália ( Os Ducados de Parma, Modena e Lucca, o Grão-Ducado da Toscana, o Reino das Duas Sicílias, o Reino da Lombardia-Veneto- então parte do Império Austro-Húngaro, os Estados Papais e o Reino do Piemonte-Sardenha) , e muito graças ao seu génio militar e intuição política ( desde logo perceber que a unificação só resultaria com a Casa de Sabóia, a única dinastia verdadeiramente italiana ) foi uma realidade bem diferente a que Garibaldi deixou.
- Garibaldi: Citizen of the World, Alfonso Scirocco, traduzido do italiano por Allan Cameron, Princeton University Press, 2008.