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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Leituras no Metro - 2920

Lisboa: Zigurate. 2024

Não era para comprar este livro, mas resolvi fazê-lo no sábado e na verdade passei um belo fim de semana a lê-lo.
Fiquei a saber como ele se pronunciou desde cedo, em discursos e artigos, contra a «terceira via», na linha de Mário Soares. Sabemos os resultados desastrosos que essa «terceira via» teve.
As propostas que ele defende hoje para a Economia são uma linha programática que ele tem vindo a aprofundar, desde há muitos anos. 
Não sabia que ele gostaria de ter sido ministro da Economia, mas ainda bem que foi das Infra-Estruturas, apesar de se dizer então que era um presente envenenado já por causa da TAP.  Ao contrário do que dizem, graças a ele pode ser que venhamos a ter uma linha ferroviária, parte da qual foi desativada e destruída, e que se encontra agora em obra. Só quem nunca esteve ligado a um projeto de construção não sabe quanto tempo demora até o vermos de pé: estudos, abertura de concursos, etc. E ainda por cima com uma pandemia pelo meio e falta de trabalhadores na construção civil. 
PNS manifestou-se contra o apoio do PS à recandidatura de Marcelo, porque ela «era possível de provocar "instabilidade"» (p. 108). Parece que tinha razão.

Marcador.

terça-feira, 25 de abril de 2023

Sinais da Liberdade

Materiais de campanhas eleitorais, de propaganda, cerâmica popular, etc., da coleção Ephemera, que podem ser vistos numa exposição no ex-Tribunal da Boa Hora até 28 de maio.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Duas citações de Antero


«O Socialismo não é de hoje nem de ontem. Todos os grandes pensadores, desde Pitágoras e Platão, e Cristo e os Gracos, e os santos da primitiva Igreja e os fundadores das ordens monásticas, todos reclamaram contra a miséria e a desigualdade, em nome do direito natural e inalienável que todo o homem tem à vida, ao bem-estar, aos meios de desenvolver a sua atividade, trabalhando, á família, à instrução. A todos eles fez o espetáculo da injustiça saltar palavras de amargura e de indignação.»
Antero de Quental. In O que é a Internacional, 1871 [i. é 1872]


«Socialista para mim, não é economia política, nem "estatística que sabe fazer qualquer caixeiro". Para mim, Socialismo é ciência e filosofia social: inclui pois, com a economia, direito, história e moral, mas tudo isto fundido e filosofado de uma maneira sui generis, maneira positiva, prática, de organização, de governo, se quiser: alta política e não ciência pura. Este temperamento, que é o do verdadeiro político e do verdadeiro historiador, chamo-lhe eu Socialista.»
Antero de Quental, numa carta a Oliveira Martins, 26 fev. 1877

Antero de Quental, um dos fundadores do primeiro Partido Socialista Português (criado a 10 de janeiro de 1875, em Lisboa), nasceu fez ontem 181 anos.
O atual Partido Socialista foi fundado faz hoje 50 anos em Bad-Munstereifel (na então República Federal da Alemanha).

terça-feira, 22 de maio de 2018

In memoriam António Arnaut



«Quem não conhecer mais do que pela rama António Arnaut dirá que ele era o ‘pai’ do Serviço Nacional de Saúde, homem íntegro e probo, que há 82 anos nascera em Penela, perto de Coimbra onde se licenciou em Direito e exerceu advocacia. Saberá ainda que foi deputado da Assembleia Constituinte e de outras legislaturas, além de [fundador e] dirigente do PS até 1983, tendo, já em 2016, sido nomeado presidente honorário do seu partido de sempre.
«Quem não recordar tudo, esquecerá que aprovou o SNS num Governo de coligação do PS com o CDS e que foi é e será uma referência para a Maçonaria, tendo pertencido ao Grande Oriente Lusitano, de que foi Grão-Mestre por três anos (e não mais porque não quis). E quem quiser fazer política esquecerá o seu sentimento de fraternidade e a sua crença numa transcendência que vai para além de Igrejas e religiões, da sua tolerância, que vai para além de partidos e ideologias, e da sua liberdade interior que lhe permitiu ser dos homens mais alegres e livres que conheci.»
(Início do artigo de Henrique Monteiro no Expresso online, ontem.)

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Citações



(...) também certamente no guião, estava a reacção de César à desfiliação de Sócrates. Momento único, diga-se de passagem. Com um ar de estadista, dirigiu-se aos Passos Perdidos, e verteu lágrimas de crocodilo que ficam para os anais de como a hipocrisia pode ser tão maquiavelicamente usada.
A paz volta, assim, ao PS, agora um partido novo e imaculado. Já se tinha auto-isentado da responsabilidade do pedido de ajuda externa, como se fosse outro o PS que quase nos levou à bancarrota. Com a ética ( republicana ) na ponta da língua, invocam-na, umas vezes, para o mero cumprimento farisaico da lei ou, então, dão-lhe uma plasticidade adequada ao tacticismo oportunista, puro e duro. Por vias travessas e calculistas, enxergaram finalmente ( hélas ! ) que a norma ética é bem mais exigente que a norma jurídica e que, politicamente, é tão necessária a legalidade de direito como a legitimidade moral .

- António Bagão Félix, no Público da passada Sexta-feira .

terça-feira, 8 de maio de 2018

Citações


(...) Quando Soares cometeu o erro terminal de se candidatar à presidência contra Cavaco, outro erro que lhe custou caro, Sócrates apoiou-o e aproximou-se. Não sei se por calculismo, Soares era o chefe histórico, se por admiração. Ou pelas duas razóes. Nasceu dessa derrota uma amizade que Soares honrou até à morte. Zenha, o grilo falante da consciência, talvez tivesse percebido Sócrates. Ou talvez não. Não interessa. A velha gente que se reuniu em Bad Munstereifel para fundar o socialismo democrático em Portugal não compreenderia a gente novíssima que tomou de assalto todos os partidos e neles se instalou como numa sinecura.

- Clara Ferreira Alves, no Expresso da semana passada .

sábado, 9 de julho de 2016

Em geminação com o Arpose

Paris: Seuil, 1969
Já há uns dias que eu era para ter colocado este livro de Michel Rocard, comprado na Livraria Sá da Costa e que ele me autografou numa vinda a Portugal, penso que em 1975. Ou terá sido em 1974?
Não postei o livro antes porque tive preguiça de ir buscar o banco para tirar o livro da estante. :(
E dentro do livro encontrei este convite:




segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Citações



(...) Hoje há uma pergunta : que fazer dos partidos socialistas ou, se quiserem, sociais-democratas ( no sentido próprio da palavra ) ? Quase nenhum pode continuar o programa tradicional de aperfeiçoamento e extensão do Estado social ( e o nosso PS menos do que outro ). Emigrar para as simplicidades do século XX como o comunismo ( na verdade, o estalinismo ) ou qualquer outra seita revolucionária levaria directamente à mais desoladora pobreza. Ficar no sítio que sempre ocuparam, fingindo que o mundo não mudou, seria a receita para a divisão e para uma absorção lenta de cada uma das partes pela esquerda ou pela direita. O socialismo e a social-democracia chegaram ao fim do seu tempo. Só que a sua morte vai inevitavelmente provocar um abalo, e um abalo sério, no frágil edifício da democracia europeia .

- Vasco Pulido Valente, no Público de Sexta-feira .

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Citações



(...) Pouco a pouco, António Costa vai atando as mãos, quando, se por acaso chegar ao Governo, tem de ter as mãos livres . Um árbitro ligado, pela palavra e pelo gesto, a grupos de pressão é um árbitro que se anulou a si próprio. Ora no PS nunca houve aquela reverência ao chefe, que mal ou bem aguentou o PSD nos seus piores momentos . Os socialistas, como detentores da verdade, que habitualmente se julgam, não obedecem senão à evidência da força, como a de Soares no seu bom tempo, e que ninguém tornou de facto a recuperar . Em contrapartida, se Costa não se meter até ao pescoço na embrulhada da campanha, está evidentemente perdido .
Qual é a saída ? Não com certeza a esmola do convento que ele agora dispensa a quem o agarra pela manga do hábito .

- Vasco Pulido Valente , no Público da passada Sexta-feira .

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Citações


(...) Quando prende um " reaça " qualquer, a lei é a lei; quando prende um socialista, a lei já é uma cabala. O resultado final desta petulância está à vista de todos : em 2014, Soares e muitos soaristas estão a retratar o Ministério Público como uma espécie de PIDE e Sócrates como um preso político. Há uma diferença entre exigir mais clareza à justiça e tratar os magistrados como criminosos. Lamento, mas isto é o suicídio do soarismo.
Submersos nesta cultura de respeitinho, Soares e os soaristas ainda não perceberam o que está a acontecer, ainda não perceberam que estamos no meio de um terramoto cultural, moral, gramsciano. A narrativa está a mudar. Se quiserem, este 24 de novembro exterminou o efeito moral do velho 25 de novembro, ou seja, o PS já não é a charneira moral do regime, é só um partido como os outros, o soarismo perdeu o monopólio da moralidade. Não, Soares não é o pai da democracia, é o pai do PS. Julgo que há uma diferença. Não, não há uma crise do regime, há uma crise do soarismo. Julgo que há uma diferença. Ou, pelo menos, julgo que tenho o direito de pensar que há uma diferença.

- Henrique Raposo, no Expresso do passado Sábado.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Humor pela manhã


Vi os três debates entre os " Antónios ", e realmente esta imagem reflecte bem que se ficou na mesma quanto ao que os distingue. " Até somos do mesmo clube ", como disse ontem o A.Costa .

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Humor pela manhã


O Cardeal Santos, acompanhados dos Cardeais Sampaio, Alegre e Jardim, lê a benção outorgada ao Arcebispo Costa. Pobre Arcebispo Seguro, que só tem bispos com ele ...

sábado, 30 de agosto de 2014

Humor pela manhã


A disputa interna no PS já era animada, agora com as datas dos debates atingiu proporções surreais ...

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Citações : Ainda os Antónios


(...) O caminho escolhido por António José Seguro para responder a António Costa é, claramente, o de empurrar para a frente a solução do conflito. Porque não tem a obrigação nem sente o dever de o resolver antes ou porque acha que essa é a melhor estratégia para derrotar Costa. E António Costa tem todo o direito de tudo fazer para avançar para a liderança do partido, por considerar que a vitória do PS nas autárquicas foi pouco expressiva (... ). Aos portugueses pouco interessam os porquês. O que interessa mesmo é saber os " para quês ". Em nome de que razões e valores resiste Seguro e por que razões e valores avança Costa. O que os distingue e de que forma se distinguem do atual Governo. (...)

- Pedro Camacho, na Visão .

sábado, 21 de junho de 2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

Citações



(...) Não percebo agora é a " pressa " de Costa ou de seus apoiantes, nem a insistência num Congresso em princípio muito mais fraturante do que as primárias propostas por Seguro. Primárias, já existentes em vários países, são um importante passo na boa direcção, a da maior participação dos cidadãos na escolha dos governantes. E como é que se pode classificá-las de simples " manobra dilatória " ?! Quando, além disso, o tempo corre contra Seguro e as primárias lhe são muito desfavoráveis? No poder e, diz-se, dominando o aparelho, ele poderia ganhar, a curto prazo, um congresso; pelas razões aduzidas nunca ganhará, julgo eu, as primárias. E já esclareceu que perdendo-as se demite de líder. (...)

- José Carlos de Vasconcelos, na VISÃO.

Tenho que dizer que subscrevo integralmente o texto citado. Se Seguro controla o aparelho, como toda a gente diz, então porque teme Costa as primárias onde os militantes poderão votar livremente ?

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Junho Quente ...



(...) Mas a " vitória " do PS, infelizmente, foi uma vitória de Pirro ... Isto é : que não devia ter sido aclamada com o entusiasmo com que o seu líder o fez.

Escreveu Mário Soares no Diário de Notícias de ontem. Ao fim da manhã, a tempo dos primeiros noticiários, António Costa anunciava a sua disponibilidade para concorrer à liderança do PS.
Ou era agora ou nunca realmente. Falta um ano para as legislativas, e já se viu que nem Seguro nem o PS conseguem galvanizar os portugueses nem recolher eleitoralmente o respectivo descontentamento.

Humor pela manhã