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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Poesia polémica



Günter Grass que recebeu o prémio Nobel da Literatura em 1999 lançou uma forte polémica na Alemanha, na sequência da publicação de um poema em vários jornais alemães, intitulado "Was gesagt werden muss" (trad. "o que tem de ser dito"). Grass ataca Israel de forma dura, ao criticar o governo de Jerusalém pela posição contra o programa nuclear do Irão e apontar o Estado Judaico como ameaça à paz no mundo. O autor destaca também as relações comerciais entre Israel e a Alemanha que tenham por objecto o fornecimento de material bélico, neste caso, o envio de um submarino que dispare mísseis em direcção a um país “onde a existência de uma única bomba atómica não está comprovada”. Grass enfatiza os horrores nazis do seu país natal, crimes “sem qualquer comparação”, que, no entanto, não justificam, no entender do escritor, o silêncio face ao que se verifica no Médio Oriente. A publicação que fala da “hipocrisia do Ocidente” e da “potência nuclear Israel” gerou uma onda de protesto junto da comunidade judaica alemã. Em Israel, o poema parece ter pouca receptividade nos media. Segundo o historiador Segev, a posição anti-israelita de Grass já não surpreende...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A arte do retrato - 29

Franz Gareis retratou o enciclopédico poeta e filósofo Novalis ( pseudónimo de Georg Philipp Friedrich Freiherr von Hardenberg, 2 de Maio de 1772-1801 ) em 1799.

terça-feira, 16 de março de 2010

PENSAMENTO(S) - 105

- Edvard Munch, Friedrich Nietzsche, 1906, óleo sobre tela.

alle Lust will Ewigkeit (Todo o desejo busca a eternidade)
É dum poema do grande Friedrich.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Georg Philipe Harsdörffer: A Vida Humana!

É sempre bom, quando se pode, ver o rosto!
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Georg Philipp Harsdörffer 1607 nasceu em Nuremberga e faleceu em 1658.
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A VIDA HUMANA

I FOLHAGEM verde, seca num momento,
ARAGEM leve, corrida de vento.
II NEVÃO que no ar se desfaz,
PEGÃO em que nunca há paz.
III FLOR que abre para logo morrer,
FULGOR que dura o tempo de ver.
IV RELVADO que qualquer pé amassa,
VIDRADO que facilmente estilhaça.
V BRUMA que à vista se some,
ESPUMA que a maré consome.
VI FENO que é de pouca dura.
JOIO de que o vento não cura.
VII COMPRA que ao fim lamentamos.
CORRIDA em que nos cansamos.
VIII TORRENTE que voa fugaz.
BOLHA que logo se desfaz.
IX SOMBRA que nos faz morrer.
ALFOMBRA para a cova fazer.

Georg Philipe Harsdörffer, in O Cardo e a Rosa, Poesia do Barroco Alemão, (Selecção, trad. e pref. de João Barrento) Lisboa: Assírio& Alvim, 2002, p. 107

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Um Poeta Barroco 2!

À volta do Barroco alemão. Deixo mais este poema que acho lindíssimo porque mede o tempo e a arrumação que cada um deverá fazer ao longo da vida, talvez, como preparação...
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Theodor Kornfeld (1636-1698)


Na ampulheta lê-se:
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Vão correndo as horas/
E vem sem demoras
O dia de todas
As contas:
Faz o bem/
E vem.
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Vai a areia escorrendo/
E anunciando:/
É hora de andar
A outro lugar/
Deus nos ampare
E prepare!
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A ladear o poema está:
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P'ra na hora dares conta do recado
Pesa bem cada hora/ deixa tudo bem arrumado

Theodor Kornfeld in, O Cardo e a Rosa, Poesia do Barroco Alemão, Lisboa: Assírio & Alvim, 2002, (Selecção e pref. João Barrento), p. 99.

sábado, 31 de outubro de 2009

Um Poeta Barroco

Nas minhas incursões pelo Barroco encontrei este poema que achei lindo quer visualmente quer pelas palavras ditas. Georg Philipp Harsdörffer ( 1607 – 1658) nasceu em Nuremberga foi poeta e tradutor.



O Cardo e a Rosa, Poesia do Barroco Alemão, Lisboa: Assírio & Alvim, 2002, (Selecção e pref. João Barrento), p. 105, 104

segunda-feira, 25 de maio de 2009

LEILA: Else Lasker-Schüler!

Else Lasker-Schüler, poetisa judia alemã.


Leila

Dei-te este nome em
Tebas: é assim que te chamam todas
As coloridas figuras da minha cidade
Quando de ti falam, com veneração.
Ficas contente?
Sim, tu és a única, verdadeira
Princesa viva neste país, pareces-te
Com as minhas irmãs, e por isso te
amo

Jussuf

Vi este livro antiquíssimo numa
Biblioteca e raptei-o esta noite
Com perigo de vida

Else Lasker-Schüler (1869-1945), Baladas Hebraicas (tradução de João Barrento), in Poemário de 2009, Lisboa: Assírio & Alvim, 2009.

domingo, 18 de maio de 2008

DOS PROFETAS E PATRIARCAS (HILDEGARD VON BINGEN, 1098 - 1179)


Antífona


Ó varões valorosos,
que atravessastes as coisas ocultas
perscrutando-as com os olhos do espírito
e anunciastes em luminosa sombra
vital e penetrante luz,
na vara em botão,
que só floriu
ao romper do astro resplandecente.
Vós, santos antigos,
anunciastes a salvação das almas desterradas,
imersas nas trevas da morte,
vós circundastes em órbita como anel,
retirando admiravelmente o véu dos mistérios do monte
que se eleva até ao céu,
ungindo o leito de muitas águas correntes,
quando se ergueu entre vós luzente lucerna
na progressão de sua luz desvelou o próprio monte.

De prophetis et patriarchis, Hildegard von Bingen, tradução de Joaquim Félix de Carvalho e José Tolentino Mendonça, Assírio & Alvim, 2004; Imagem "Árvore da vida" de Hildegard von Bingen

quinta-feira, 15 de maio de 2008

ANGELUS SILESIUS

A necessária humildade

Dá atenção a tudo o que está abaixo de ti .
[ Se foges do relâmpago do tempo,
Como queres contemplar um relâmpago da
[ eternidade ?


Volta dentr' os teus raios

Ah ! Se a minha alma recolhesse as suas chamas,
Com o relâmpago se tornaria relâmpago e um só .


- Angelus Silesius , A rosa é sem porquê , trad. port. José Augusto Mourão , Vega , 1991 .