Prosimetron

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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Um 2014 fantástico


Ricardo Araújo Pereira, depois de comentar o discurso de Passos Coelho:
Tudo indica que vamos ter um 2014 fantástico. Resta apenas saber se será fantástico no sentido que a palavra adquire nos anúncios de shampoo, para descrever o aspecto do cabelo depois de lavado e penteado, ou no sentido tradicional, que designa as coisas que só existem na nossa imaginação.
(Visão, n.º 1087, p. 90)

Começar bem o novo ano

Feliz Ano Novo!

Para todos!

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Boa noite!

Duas pequenas histórias

Para acabar ou começar o Ano, depende da data em que for lido, aqui ficam duas histórias relacionadas com o começo do Mundo.
1.ª
Se o Éden fosse na China, Adão comia a cobra e deitava fora a Maçã.

2.ª
A serpente deve ter é dado um livro e não uma maçã.


Quotidianos - 116

 
Para acabar bem o ano...

Da BGUC porque a Biblioteca é de todos!


(Alterado às 17:40 h)

Pensamento ( s )



É assim que penso, é assim que tento sempre encarar a passagem do tempo. Oportunidades para tentar corrigir erros, descobrir novos caminhos, ultrapassar dificuldades pessoais e colectivas. Um Bom 2014 para todos!

A arte do retrato


E foi já este mês, no passado dia 5, que se atingiu um outro recorde : o quadro antigo mais caro do ano. Trata-se deste Retrato de François-Henri d' Harcourt, executado em 1769 por Fragonard. Esteve na posse dos descendentes do retratado, governador da Normandia e preceptor de Luís XVI, até 1971 quando foi comprado pelo grande coleccionador Dr.Rau. Foi vendido na Bonham's de Londres a favor da UNICEF pelo equivalente a 20,3 milhões de euros.

O livro mais caro do mundo




Na verdade, o livro impresso mais caro do mundo. Falo do exemplar do Livro de Salmos da Baía do Massachussets, o primeiro livro impresso no que viriam a ser os EUA no ano de 1640, vendido no passado dia 26 de Novembro na Sotheby's de Nova Iorque pelo equivalente a 10,3 milhões de euros.
Só existem 11 exemplares, e o vendedor, a velha igreja Old South de Boston, ainda tem outro na sua posse.
O novo proprietário, o empresário e filantropo David Rubenstein, já se comprometeu a deixar circular o livro por várias bibliotecas dos States.

Mini-livros - 23

Este livrinho-alfinete de peito, em metal, com 38 mm de altura (só livrinho) e com fotos do Estádio Nacional, passou a ser desde o Natal a jóia dos meus (poucos) livros miniatura. Deve ter sido feito por ocasião da inauguração do Estádio Nacional.
O laço está preso ao livro e tem um alfinete por detrás. E o livro encerra com um fecho que está impecável.

«No último dia do ano»...

Lisboa: Edel, 2010

«No último dia do ano, as crianças iam a todas as casas, para cantar canções de Natal e desejar a todos sorte e felicidade; e, mais importante ainda, para recolher frutas e uns poucos centavos para comprar bolachas, figos - e tâmaras, uns frutos estranhos que vinham de África e tinham um sabor muito doce.
«Sempre que José comia tâmaras, pensava no grande, ainda que insensato, D. Sebastião, que desaparecera em Marrocos para não mais voltar. Quase que conseguia ver a sua espada brilhante a deixar um trilho de sangue por entre as nuvens de muçulmanos cruéis…
«As crianças reuniam-se em grupos, escolhendo as suas ruas, da maneira que conseguissem. José, Álvaro, Francisco e Miguel escolhiam escolhiam a zona à volta da praça, a Igreja de Nossa Senhora e a escola.
«Ali viviam homens abastados que tinham voltado da América. Havia duas desvantagens nesta escolha: tinham de visitar o professor e o Padre Corvelo. Ambos seriam muito críticos em relação à sua maneira de cantar, e seriam chamados a entrar para receber uma imagenzinha de um santo, ou, pior ainda, um lápis. Além do mais, não sabiam se o Padre Corvelo não podia decidir comer uma das melhores maçãs que tivessem recolhido.
«As crianças cantavam pelas seis da tarde. Miguel trazia um saco para os presentes; os outros iam atrás.» (p. 111)

Alfred Lewis nasceu na ilha das Flores com o nome de Alfredo Luís. Emigrou para os Estados Unidos da América em 1922. O livro (autobiográfico) conta a vida de um miúdo pobre, José de Castro, na aldeia de Beira (Açores) até emigrar para a América aos dezanove anos, onde se tornou escritor. Nunca voltou aos Açores.

O livro foi publicado, pela primeira vez, pela Random House, em 1951. Só 60 anos depois foi traduzido para português, com um posfácio de Patricia Highsmith e com o patrocínio da FLAD.

Bom dia !

Feliz Ano Novo!

A todos um
Feliz Ano Novo com muito
Palangana Ratinho, Museu Nacional Machado de Castro 
(legado de José Alberto Reis Pereira)

e 

Seguindo as duas ideias acima: 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Boa noite!

A Suécia já não é o que era


Juno, um nu pintado pelo artista barroco G. E. Schröder, estava pendurado há 30 anos no restaurante dos deputados suecos. Foi retirado para não ofender as feministas e os muçulmanos.
Suzanne Eberstein, uma social-democrata, vice-presidente do parlamento sueco, afirmou que era confrangedor estar a comer num local com aquele quadro de seios nus e com estrangeiros a olharem para ela.
Está tudo tarado!

Leiam mais em:
http://www.thecommentator.com/article/4481/swedish_parliament_removes_baroque_artist_s_bare_breasted_painting_for_offending_feminists_and_muslims

Uma sopa quente

Depois de tanta comida e tantos doces...

Resolução para 2014



A minha última decisão de 2013 : eis a minha cama, despida de roupa mas carregada da parte desarrumada do " acervo " de 2013. Livros, revistas, recortes, postais, souvenirs de viagens - tudo por arrumar. Não voltará a cama a ser usada até que tudo esteja em seu sítio. Pelo sim pelo não há outras camas cá em casa , mas fica aqui o compromisso público :). Ficarei feliz se tudo estiver catalogado e arrumado até ao fim da semana...

Citações



(...) O Presidente da República não pode, mais uma vez , considerar legítimo um Governo que não cumpre - nem nunca cumpriu - a Constituição. Desta vez tem que o demitir. E criar um Governo de Salvação Nacional (...)

- Mário Soares, na VISÃO.

Pertenço ao número de portugueses que foi perdendo o respeito, político claro está, pelo Dr.Soares. As sucessivas e cada vez mais absurdas catilinárias contra este Governo levaram-me a tal. Não que este Governo não mereça ser criticado ( onde está a propalada reforma do Estado???, porquê a hesitação em cortar certas " mamas " de certos grupos económicos em relação ao Estado ??? ), mas o excesso, o exagero do Dr.Soares nas suas críticas, e sobretudo nas soluções, têm em  mim um efeito contrário.
Demitir o Governo a seis meses do fim da tutela da Troika??? Um Governo de Salvação Nacional??? Chefiado por quem? Com que legitimidade, a conferida pela nomeação feita pelo Prof.Cavaco?
Em democracia, e salvo casos muito excepcionais ( catástrofes, emergências ) os governos resultam da escolha feita em urnas, ainda que mediada formalmente em Portugal pelo Presidente. E o Dr.Soares tem a obrigação de o saber.

Pensamento ( s )



Sentir tudo de todas as maneiras; saber pensar com as emoções e sentir com o pensamento.

- Fernando Pessoa, in Livro do Dessassosego

Novembro

Lisboa: A Esfera dos Livros, 2012

Henrique de Vasconcelos é um banqueiro viúvo, ex-combatente da Guerra de Espanha ao lado de Franco, ex-secretário de Estado de um governo de Salazar. Seu filho, Eduardo, finalista de Direito, milita numa organização fascista que reúne nas Avenidas Novas, num Bunker; interrompe o curso para ir para Angola defender o 'Império'...
Este romance (634 p.) de Jaime Nogueira Pinto acompanha a vida desta família (alargada) e dos amigos e correlegionários desde o verão de 1973 até novembro de 1975, que neste período vivem entre Lisboa, Luanda e Madrid.
O Verão Quente visto do lado da maioria silenciosa e dos bombistas. Um bom romance.

Lá fora - 190


Uma exposição que gostava de ver, ou não se tratasse de um dos meus escultores preferidos. O diálogo entre 45 esculturas, 17 desenhos e uma tela de Rodin  com 12 grandes modelos da Antiguidade demonstrados em 89 obras da antiguidade grega, romana e etrusca ( vasos, estatuetas, estátuas ), escolhidas de entre as 6000 peças acumuladas pelo grande escultor.
Entre 1893 e 1917, Rodin comprou e comprou nos antiquários parisienses tudo o que podia encontrar, sobretudo fragmentos, procurando formas e posturas que o pudessem inspirar, e esta exposição mostra como esses fragmentos de escultura antiga deram origem às novas formas de Rodin.

Musée Rodin, até 26 de Fevereiro. Mais info : www.musee-rodin.fr/

Novidades


O ano não acaba sem entrar na prestigiada Bibliothèque de la Pléiade este monumento do saber antigo, considerada por muitos como a primeira enciclopédia, que é a História Natural de Plínio O Velho. Trinta e sete livros que são verdadeiros tratados de cosmologia, gemologia, zoologia, farmacologia, botânica, etnografia,  e que foram consultados durante largos séculos no mundo ocidental.

Histoire naturelle, Plínio O Velho, traduzido do latim por Stéphane Schmitt, Gallimard, 2176 p, € 75.

Humor pela manhã



Vaidade ou curiosidade ?

Bom dia !



Uma das minhas vozes de 2013.

Sobre um olhar de Pilar del Rio sobre a figura do ano

Pilar del Rio, num artigo na Revista Visão, n.º 1086, de 26 de Dezembro de 2013, sobre o Papa Francisco, deixa uma pergunta: "poderá Francisco vencer a ortodoxia reacionária da hierarquia do Vaticano?" (p.3)
E escreve depois:

"Que pode fazer o Papa?
O Papa Francisco trouxe ar fresco à vida pública. As suas declarações abriram perspetivas mas, como dizia um porta-voz do Vaticano, deitando água em certas fervuras, «no fundo, se virem bem ele repete a doutrina tradicional da Igreja noutro tom e com outras palavras». O que pode fazer um Papa numa Instituição tão regulamentada? Pode porpor que as mulheres sejam consideradas, de facto e de direito, iguais aos homens ou vai prosseguir o discurso do elogio retórico e das referências marianas, numa tentativa inútil de justificar a exclusão histórica? Pode propor uma norma que acabe com a estultícia do celibato dos padres? Pode propor a mesma categoria salvífica para o amor heterossexual e homossexual? Isto só para colocar apenas três questões óbvias?" (p.61-62)

Esquece, contudo, Pilar del Rio que a Igreja e o Papa não têm (nem podem, ou devem, ter) uma ortodoxia contrária ... nem tão pouco será talvez correto dizer que o Vaticano tem uma ortodoxia reacionária! [Isto já implica um juízo de valor para quem está de fora, para quem não acredita] Teria, se o Vaticano fosse a Sociedade das Nações, se fosse a religião universal. Mas o Vaticano é a sede de uma das religiões que não obriga hoje, repito hoje 2013, ninguém ou quase ninguém a seguir a sua doutrina. Felizmente as Igrejas já se encontram separadas do Estado nas civilizações mais cultas e progressivas. E o Catolicismo nem sequer é a maior religião do Mundo... continuamos sempre a ter uma visão Europocentrista.

Temos é de lutar para que não haja um retrocesso, que o livro dos juramentos não seja (como em Espanha, por exemplo) um livro religioso. Que nenhuma religião seja obrigatória em nenhum estado. Depois deixemos que cada uma das religiões tenha os seus dogmas e os seus preceitos. Quando uma religião for uma Sociedade das Nações então quererá impor a sua verdade a todos. Uma religião, como sistema filosófico que rege quem nela acredita, tem de ter liberdade para ter os seus princípios e os seus preceitos. Só a aceita quem tiver fé. 
Peço desculpa por entrar em comentários próprios à fé de cada um. Mas não posso impor o meu pensamento aos outros (nem o que eu penso sobre a sua forma de pensar) quando o fizer estou a permitir que os outros também pensem que eu sou reacionário por ter uma fé diferente da deles.




Para mim a pergunta seria: conseguirá o Papa como chefe da Igreja fazer com que todos compreendam o seu pensamento e o seu humanismo? Julgo que a humanidade ganharia mais se todos os que têm fé acreditassem (e aceitassem) nas palavras do seu chefe.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Boa noite!

Hoje as mulheres...

José Malhoa, 
Museu Municipal de Coimbra/Edifício Chiado
Hoje as mulheres são diferentes
Vieram de outro planeta
nos raios do sol
E esconderam-se por dentro das flores
No gozo depravado do pólen.

José Gomes Ferreira 


A arte do retrato


François Gérard ( 1770-1837 ), Portrait de Charles-Maurice de Talleyrand, 1808, óleo sobre tela.


" Il était noble comme Machiavel, prêtre comme Gondi, défroqué comme Fouché, spirituel comme Voltaire et boiteux comme le diable. On pourrait dire que tout en lui boitait comme lui, la noblesse, qu'il avait faite servante de la république, la prêtrise, qu'il avait traînée au Champ-de-Mars, puis jetée au ruisseau, le mariage, qu'il avait rompu par vingt scandales et par une séparation volontaire, l' esprit, qu'il déshonorait par la bassesse. Cet homme avait pourtant sa grandeur. "

- Victor Hugo , in Choses vues


Ainda sobre o retratado, que conseguiu a "proeza " de ser Ministro dos Negócios Estrangeiros do Directório, de Napoleão e de Luís XVIII, tudo sucessivamente como é bom de ver, ouçamos uma das suas amigas, Madame de Staël, também vítima da sua ingratidão :

" j' avais eu pour lui la plus sincère amitié. Depuis dix ans, il avait passé sa vie dans ma maison. Je l'avais fait revenir d'Amérique, j'avais engagé Barras à le sauver de ses créanciers en le nommant ministre (...) Depuis cette époque, je n'ai pas revu M.de Talleyrand "

- in Dix années d' exil 


E ainda outro contemporâneo, que também não poupou nas palavras :

" Paresseux et sans étude, nature frivole et coeur dissipé, le prince de Bénévent se glorifiait de ce qui devait humilier son orgueil, de rester debout après la chute des empires. Les esprits du premier ordre qui produisent les révolutions disparaissent; les esprits du second ordre qui en profitent demeurent (...) "

- Chateaubriand, in Mémoires d' outre-tombe


Admirável o contraste entre a serenidade que emana deste retrato e a personalidade do retratado, um homem que serviu e depois traiu todos os regimes.

Pacotes de açúcar - 69

Frente e verso de um pacote de açúcar natalício.

Biografias e afins



Não é Malraux quem quer, e os três anos de Frédéric Mitterrand como Ministro da Cultura na era Sarkozy não foram do agrado de muitos, nem à direita  nem à esquerda. Mas ainda assim estou com vontade de ler estas 700 páginas de " diário ministerial " publicadas pela Robert Laffont.

Pensamento ( s )


Ideias e peso

É preciso materializar as ideias. Colocar comprimento, largura e volume numa ideia. Se dizemos que o mundo nos pesa, avancemos de imediato para um peso concreto, por exemplo: 40 quilos.
Agir ao mesmo tempo que se carrega às costas um peso de quarenta quilos. Eis o que é o mundo ser pesado. Nada de abstrato. Pelo contrário: é o exacto contrário do abstrato. É o peso.
Avancemos com um lema. Toda a ideia terá peso concreto ou nada terá. Só o peso concreto dá peso espiritual; só o peso concreto dá peso potencial. Quanto pesa a tua ideia?

- Gonçalo M.Tavares, na Visão.

Humor pela manhã


Em complemento à de ontem :). Mas comam só as pessoas saborosas, as amargas ponham na beira do prato :)

Mais um Nureyev para a coleção

Verso e reverso de uma moeda francesa em prata, da autoria de Christian Lacroix, assinalando os 20 anos da morte de Nureyev. Mais um presente de Natal. :)

Bom dia !



O trompete de Susana Santos Silva e o contrabaixo de Torbjörn Zetterberg.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Boa noite!

"Representações no Feminino"

"Representações no Feminino" (Colecção Telo de Morais) é uma exposição que está patente na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Municipal de Coimbra/Edifício Chiado. Reúne um elenco importante de pintores portugueses do início do século XX. 

Uma das minhas escolhas recaiu  na tela de
António Tomás da Conceição Silva, Santa Maria Madalena 1917(?)

Que 2014 seja o ano por excelência da MULHER. (Desculpem-me os prosimetronistas masculinos)

São João Evangelista


Esta é a folha de abertura do livro de juramentos que a inquisição preparou (com uma parte de cada um dos quatro evangelhos) em 1604.
Lisboa, Torre do Tombo, Casa Forte, Tribunal do Santo Ofício, CG 187

Livros sobre bailado - 6

Paris: Albin Michel, 2013

Um dos presentes de Natal foi este livro, espécie de catálogo da exposição que vi há tempos na Ópera Garnier, em Paris.
Três séculos de história do bailado da Ópera de Paris, contada pelos maiores especialistas e profusamente ilustrada. Do «Luís XIV e o ballet de corte» a Rudolf Nureyev e das pontas e do  tutu aos «Décors do século XX». Por aqui passaram os maiores coreógrafos do mundo, de Perrot a Cherkaoui, de Lifar a Roland Petit e Maurice Béjart, Balanchine e Jerome Robbins; os maiores compositores, de Rameau a Messiaen; os maiores artistas, de Chagall a De Chirico, de Cocteau a Christian Lacroix, passando por Picasso e Claude Lévêque; e, claro, os maiores bailarinos: Taglioni, Carlotta Zambelli, Yvette Chauviré, Carolyn Carlson, etc. E também os dois espaços de dança, as duas óperas: Garnier e Bastilha.