Prosimetron

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sábado, 14 de outubro de 2017

Boa noite!


Doçaria tradicional - 14

Há uns tempos recebi esta caixa com a janela recortada que abre, com uns pastéis da Lousã: os serranitos. Não conhecia e gostei. Têm um recheio feito de castanha e mel.


Um quadro por dia - 383


O outro Kandinsky vendido a 21 de Junho na Sotheby's de Londres : Pintura com linhas brancas, 1913, quando o artista se estreia na abstracção. Vendido pelo equivalente a 37 milhões de euros .

Biografias e afins


Uma história do pequeno e rico principado, que é também uma história da família genovesa que o conquistou há 700 anos e não o mais o largou ... O sangue italiano diluiu-se há muito com os sucessivos casamentos e perdas de varonia, sendo esta hoje a dos príncipes de Polignac, de origem francesa.

Les plus belles heures de Monaco et des Grimaldi, Philippe Delorme, éditions La Boîte à Pandore, 348páginas, €10

Lá fora - 321





O mundo da fotografia em mais uma edição dos Rencontres à Réattu, até 7 de Janeiro .

Humor pela manhã


Bom dia !





" Recuperado " esta semana graças à actualidade político-criminal, aqui fica para matar saudades :)

Marcadores de livros - 848

Ravena, Mausoléu de Gala Placídia, séc. V (pormenor).

Com um agradecimento ao Luís.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Boa noite!


Marcadores de livros - 847

«Um dos mais belos quadros que já vi […] é o original e grandioso Guernica, de Pablo Picasso. É um quadro que temos de ver para crer, pois serve como um poderoso aviso contra o terrorismo, a violência e a guerra. Eu já tinha visto reproduções do quadro, mas não transmitem a ideia do seu extraordinário virtuosismo.»
Brendan Behan – Nova Iorque. Lisboa: Tinta da China, 2011, p. 33

Guernica, 1937
Madrid, Museu Reina Sofia
(Brendan Behan viu o quadro no MoMA, onde esteve exposto entre 1943 e 1981.)

Com um agradecimento à Justa.

A padaria está fechada

Paris: 16, rue des Fossés Saint-Jacques.

E é uma pena.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

25 canções de Bob Dylan que merecem o Nobel - 8

I Want You (1966)

É difícil encontrar no YouTube esta canção. Uma canção extraordinária, que é triste e alegre ao mesmo tempo, de que nunca nos cansaremos. Dylan, com uma enorme inteligência, alterna o refrão mais comum («I want you, I want you / I want you so bad / Honey, I want you») com versos onde a vida dos homens se parece com um circo surreal: «The guilty undertaker sighs / The lonesome organ grinder cries / The silver saxophones say I should refuse you / The cracked bells and washed-out horns Blow into my face with scorn / […]The drunken politician leaps / Upon the street where mothers weep / And the saviors who are fast asleep».

Leituras no Metro - 289

Porto: Asa, 1999

Quando um casal albanês é encontrado morto, o inspector Charitos é chamado a resolver o parecia ser um caso simples. Gianna Karaguiorgui, uma conhecida repórter de televisão, insinua a Charitos que há algo mais por detrás do duplo homicídio. E quando ela é assassinada, o caso complica-se. 
É o primeiro livro de Petros Markaris que estou a ler, o único que se encontra traduzido em Portugal. Muito bom: uma reflexão muito atual sobre o sensacionalismo dos noticiários televisivos. E mais não digo para não levantar o véu sobre a investigação. :)

Agradeço à Luísa, que me deu a conhecer este escritor grego, nascido há 80 anos em Istambul.

Marcadores de livros - 846

Hiroshige - Mocho num ramo de pinheiro ao luar (pormenor), 1832

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

25 canções de Bob Dylan que merecem o Nobel - 7


It’s All Over Now, Baby Blue (1965)

Uma linda canção de despedida que começa com um grito: «You must leave now, take what you need, you think will last / But whatever you wish to keep, you better grab it fast / Yonder stands your orphan with his gun / Crying like a fire in the sun / Look out the saints are comin' through / And it's all over now, baby blue». Não se sabe quem está a deixar quem: «The carpet, too, is moving under you»...

Flirtando

Constantin Alajalov - Flirting soda jerk, 11 out. 1947


Marcadores de livros - 845

Maurice de Vlaminck - Restaurant de la Machine em Bougival, 1905 (pormenor)

terça-feira, 10 de outubro de 2017

25 canções de Bob Dylan que merecem o Nobel - 6


Maggie’s Farm (1965)

Em 1969, quando perguntaram a Dylan qual a canção preferida do seu repertório, ele respondeu Maggie's Farm. Não sabemos se, entretanto, ele mudou de opinião, mas David Caviglioli não. Nessa canção encontra-se todo o Dylan: com um rock à Chuck Berry, irritante e hiper-enérgico, que conta a dor de um trabalhador agrícola lutando contra patrões sinitros, o cantor escreve sua primeira música de protesto humorística. Maggie's Farm servirá de hino do movimento anti-Thatcher em 1980.

Flores

Umas flores do jardim da casa-museu Eugène Delacroix.
Paris, ago. 2017.

Marcadores de livros - 844

Um concurso bem engraçado.

Obrigada, Luisa.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

25 canções de Bob Dylan que merecem o Nobel - 5


Ballad Of A Thin Man (1965)

Segundo Grégoire Leménager, Ballad Of A Thin Man não é uma música, é um enigma, um pesadelo sob hipnose em que você é o anti-herói: «You walk into the room with your pencil in your hand / You see somebody naked and you say, "Who is that man?" / You try so hard but you don't understand / Just what you will say when you get home / Because something is happening here but you don't know what it is / Do you, Mr. Jones?» Mr. Jones e o nosso Zé Ninguém.
Como The thin man de Dashiell Hammett, esta canção de Dylan é uma novela negra, principalmente  pela sua atmosfera em estado comatoso.
Fonte: Grégoire Leménager.

Para os Platõezinhos

Paris: 7 rue des Fossés Saint-Jacques

Esta livraria é de uma editora que se dedica a publicar livros de filosofia para miúdos, para presumíveis futuros Platõezinhos. :) Infelizmente quando passei á porta, estava fechada.

Laços de sangue

Um filme que afinal já tinha visto - mas gostei de rever -, com muitos atores que aprecio, um dos quais com (para mim) uma das mais belas vozes do cinema. E com música de Ennio Morricone.

Em geminação com o post «Audrey Hepburn revisitada», da Ana.

Marcadores de livros - 843

Vitral do atelier Champigneulle, 1900 (pormenor)
Paris, Petit Palais

domingo, 8 de outubro de 2017

25 canções de Bob Dylan que merecem o Nobel - 4


Don’t Think Twice, It’s All Right (1963)

Em outubro de 1962, durante a crise dos mísseis, Dylan escreveu uma carta a Suze Rotolo, que estava em Itália, dizendo-lhe: «Se o mundo desaparecesse esta noite, tudo o que eu gostaria era de estar contigo». Foi neste contexto que escreveu esta canção - para mim uma das mais belas de Dylan - que gravou no mês seguinte.

Passeio de barco

James Tissot - Young lady in a boat, 1870

Hoje gostaria de passear de barco. Mas vou-me ficar pelo desejo. :)

Marcadores de livros - 842

Cinema na biblioteca.

Obrigada, Sandra.

sábado, 7 de outubro de 2017

Audrey Hepburn revisitada

Um filme que acrescentei à colecção "Hepburniana".
Há sempre elegância nos seus filmes.


Bom Domingo!

25 canções de Bob Dylan que merecem o Nobel - 3


Moonshiner (1963)

À luz de uma lua cheia, um homem errante, solitário, numa estrada secundária, uma espécie de renegado que destila ilegalmente álcool durante a lei da proibição. Esta antiga música popular foi transmitida pela tradição oral até que alguns artistas a gravaram na década de 1930. Em 1963 Dylan desenterrou-a e gravou-a.

Le Café Livres

Um café muito simpático na rue Saint Martin, em Paris.
 

Marcadores de livros - 841


Paul Sérusier - Le Champ de blé d'or et de sarrasin (pormenor).
Museu d'Orsay

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

25 canções de Bob Dylan que merecem o Nobel - 2

A Hard Rain’s A-Gonna Fall (1963)

Durante o ano de 1962, Bob Dylan escreveu as canções nos cafés de Greenwich Village. E escrevia-as com facilidade. Estávamos em plena crise dos mísseis de Cuba, e toda a gente pensava num desastre nuclear. Dylan partiu desta paranóia para escrever esta balada pessimista em torno do desastre que nos ameaçava. A estrutura da canção baseia-se num sistema de perguntas e respostas, inspirado no folclore anglo-escocês do século XVII.
Dylan cantou-a pela primeira vez no Carnegie Hall, em setembro de 1962, gravando-a no ano seguinte.
Fonte: David Caviglioli.

Lembro-me tão bem dos JO de Madrid

A crónica de Ferreira Fernandes no DN de hoje: 


Lembro-me tão bem dos Jogos Olímpicos de Madrid. Pudera, foram os meus primeiros JO. Mais tarde iria aos de Atenas, em 2004, também memoráveis. Bem, memoráveis são todos porque é uma concentração de homens e mulheres soberbos a ultrapassarem fasquias que antes de vencidas já eram extraordinárias. É quase viciante vê-los. Eu, que ao vivo assisti a pouco atletismo, ao fim dos dois JO em que estive, senti-me em estado de carência: faltavam-me os olhos doidos do chinês Liu Xiang, a 30 metros de mim (mordomia de jornalista), a dar-se conta, no salto da última barreira, de que ia ser campeão.
Porém, o que me cala fundo nos JO, mesmo, e por isso me lembro tão bem dos meus primeiros, os de 1992, em Madrid, é aquela vontade conseguida de juntar. De juntar-nos. Já o escrevi e volto a repetir, um dos momentos da minha vida foi ver duas velhas namibianas, branca e negra, ambas de vestidos e guarda-sóis vitorianos, a falar não sei de quê, numa praia de Swakopmund. O Swako é um rio efémero, a maior parte do ano o deserto engole-o, "mund" é boca em alemão e um comerciante português garantiu-me que o nome da cidade queria dizer cu do mundo. Brumosa, varrida pelo vento e, naquele ano de independência, 1990, as duas velhas estariam a despedir-se. Repito: juntar comove-me, separar entristece-me.
Isso para vos dizer que um dia, julgo que do verão de 1971, indo de Paris num calhambeque, desembarquei num concerto no campus da cidade universitária de Grenoble. O convívio com alguns artistas permitiu-me chegar aos bastidores e estava lá uma lenda, Paco Ibáñez. Neruda dera-lhe poemas para cantar e, no Olympia, ele traduzira Brassens para castelhano. Pai valenciano e mãe basca, Ibáñez conhecia o exílio francês desde a adolescência porque o pai foi combatente republicano na Guerra Civil. Proibido de cantar em Espanha, Paco Ibáñez acabava de voltar ao exílio, depois de ter vivido alguns anos em Barcelona. Por isso o tínhamos naquela festa contra as ditaduras peninsulares. Naquela tarde, a lenda estava irritada: na plateia de estudantes, alguns bascos, adeptos do IRA, gritavam contra Espanha.
Paco Ibáñez cantava sobretudo em espanhol, que era a língua comum dos seus - familiares e companheiros, sendo que alguns destes falavam também outra língua de Espanha. Ele também cantava em catalão e euskera. Mais tarde faria um disco com memórias de infância na língua da mãe e cantaria Palavras Para Julia, homenagem à mãe do poeta catalão Juan Augustin Goytisolo, que morrera num bombardeamento franquista.
Comportamento igualíssimo, por exemplo, ao de Joan Manuel Serrat, cantor catalão, que dedicou um álbum ao poeta espanhol Antonio Machado que morreu no dia em que pôs o pé fora da pátria, quando fugia da derrota republicana em princípios de 1939. Serrat cantava desde 1969 «caminante, no hay camino, se hace camino al andar», o que para quem conhece o destino de Machado é tão dolorosamente irónico.
Então, aqueles gritos contra a sua Espanha irritaram Paco Ibañez. Mandou-os calar. Subiu a viola e pôs-se a cantar: «Andaluces de Jaén / aceituneros altivos / decidme en el alma: quién / quién levantó los olivos?» Um valenciano, filho de basca, pôs-se a cantar as palavras de um sevilhano, Miguel Hernández, que seguiu, também em 1939, oposto e igual caminho do de Antonio Machado. Na derrota da liberdade, este fugiu pela fronteira da Catalunha para França; Hernández, pela da Andaluzia com Portugal, foi preso em Moura e, entregue pela polícia de Salazar a Franco, foi condenado à morte e morreu na prisão.
No verão de 1971, como vos disse, tirei um curso intensivo sobre História de Espanha, na Universidade de Grenoble. Cerca de três minutos. Como sou generoso, dou-vos de borla a sebenta onde me formei: aquela canção, Andaluces de Jaén, cantada por Paco Ibáñez, está no Youtube. Infelizmente, desculpem a antiguidade da minha memória, não é a versão de 1971, no campus de Grenoble, de que julgo não haver registo.


Mas a tal do Youtube também serve: é de 2002 e Ibáñez canta no Palau de la Música Catalana, jóia de Barcelona. Oiçam as gentes da plateia a saber os versos da história comum. Do verso de entrada, «Andaluces de Jaén / aceituneros altivos / decidme en la alma: quién / quién levantó los olivos?», a todas as quadras que respondem o mesmo: «No los levantó la nada / ni el dinero, ni el señor / sino la tierra callada/ el trabajo y el sudor...» Oiçam a oração de um povo com um passado comum.
Por falar em Barcelona, agora me lembro, no princípio do texto eu disse que os meus primeiros Jogos Olímpicos foram os de Madrid, em 1992. Enganei-me. Foram nesse ano, certo, mas em Barcelona. Com esta história da pátria catalã oprimida e tal, por um instante convenci-me de que nunca um país opressor proporia organizar os JO a uma colónia desapossada das liberdades... Jogos Olímpicos que, aliás, Madrid nunca teve. Emendo, pois, a minha frase inicial: «Lembro-me tão bem dos Jogos Olímpicos de Barcelona.» E lembro-me que do que gosto mesmo é da vontade conseguida de juntar, de juntar-nos. O que tem sido, ao longo dos séculos, a história dos povos do país ao lado e, desde há 40 anos, a história da sua democracia constitucional.
No fundo, esta crónica é um plágio da resposta que Joan Manuel Serrat - uma vida a amar alto a Catalunha, mesmo quando isso era perigoso - deu, nestes dias de incerteza, à pergunta do jornal El Periodico de Catalunya: e agora? Disse Serrat: «Todos seguiremos a fazer o que fazemos: cada um com o seu trabalho, com os seus sonhos, com o seu mundo. E quantos mais juntos o façamos, melhor. Para todos.» Reparam nas cautelas com que um antigo combatente já fala?

Esplanadas de Paris - 14

Set. 2017

Marcadores de livros - 840

Da Tipografia Gaubert (Paris).

Parabéns, Cláudia!

Uns chocolates de Jean-Paul Hévin para o café.

Um dia feliz!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Boa noite!

Kazuo Ishiguro

O britânico Kazuo Ishiguro, nascido em Nagasaki, é o novo Nobel da Literatura. Tem vários livros traduzidos em Portugal, mas parece-me que poucos estarão disponíveis no mercado. Nunca li este autor.



The Ice Hotel tem letra do novo Nobel da Literatura. :)


25 canções de Bob Dylan que merecem o Nobel - 1


Em Bob Dylan, la totale, cuja 2.ª ed. foi publicada há dias (Paris: Chêne, 2017), Philippe Margotin e Jean-Michel Guesdon reuniram 492 canções do reportório do último Nobel da Literatura.
Para homenagear Bob Dylan, L'Obs, selecionou 25 dessas canções, «particularmente lindas, ou importantes, ou tocantes», com o objetivo de «fazer justiça à extraordinária diversidade do repertório e à incrível longevidade do talento» de Dylan, desde as músicas de protesto da década de 1960 aos blues de 1990, passando por outras tentativas ou músicas menos conseguidas - numa amostragem do que o cantautor americano fez nos últimos 54 anos.


Masters of war
Build to destroy
You play with my world
Like it's your little toy
All the money you made will never buy back your soul
[...]

Fabrice Pliskin escolheu esta canção escrita pouco depois da crise dos mísseis de Cuba, em 1962.