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terça-feira, 21 de julho de 2026

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Boa noite!


Leituras no Metro - 2972

«Llévame caballo pequeño
a la gran ciudad del sueño [...].»

Madrid: BNE, 2023

Li este livro há um tempo. É a edição de um dos «tesouros» que a Biblioteca Nacional de Espanha tem: um manuscrito de Miguel Hernández com quatro contos infantis, escrito em treze folhas de papel higiénico cosidas que o poeta fez para o seu filho Manuel, provavelmente na sua última prisão, em Alicante. Estes contos são os últimos textos que o poeta escreveu. A BNE editou este caderninho, numa ed. fac-similada com transcrição ao lado e com um estudo de José Carlos Rovira, por ocasião da exposição que realizou entre outubro de 2023 e janeiro de 2024.


sexta-feira, 28 de março de 2025

Leituras no Metro - 2957

3.ª ed. Madrid: Ediciones de la Torre, 2010.

Há muito tempo que tentava encontrar este livro de Josefina Manresa (1916-1987), viúva de Miguel Hernández. Encontrei-o da última vez que fui a Madrid, na loja da BNE.

Josefina Manresa no campo de Cox. Foto tirada por Miguel Hernández, 13 ago. 1936.

Josefina e Miguel na varanda da sua casa, em Jaén.

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Marcadores de livros - 2836

O reverso do da esq. é branco.
Acho que são os primeiros marcadores que tenho deste poeta.


Obrigada, Goretti e Maria Luisa!

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Boa noite!


Canção de Paco Ibáñez baseada num poema que José Agustín Goytisolo escreveu de homenagem a Miguel Hernández. E para variar de «Andaluces de Jaén».

Em geminação com Marcapáxinas da Cairesa.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Lembro-me tão bem dos JO de Madrid

A crónica de Ferreira Fernandes no DN de hoje: 


Lembro-me tão bem dos Jogos Olímpicos de Madrid. Pudera, foram os meus primeiros JO. Mais tarde iria aos de Atenas, em 2004, também memoráveis. Bem, memoráveis são todos porque é uma concentração de homens e mulheres soberbos a ultrapassarem fasquias que antes de vencidas já eram extraordinárias. É quase viciante vê-los. Eu, que ao vivo assisti a pouco atletismo, ao fim dos dois JO em que estive, senti-me em estado de carência: faltavam-me os olhos doidos do chinês Liu Xiang, a 30 metros de mim (mordomia de jornalista), a dar-se conta, no salto da última barreira, de que ia ser campeão.
Porém, o que me cala fundo nos JO, mesmo, e por isso me lembro tão bem dos meus primeiros, os de 1992, em Madrid, é aquela vontade conseguida de juntar. De juntar-nos. Já o escrevi e volto a repetir, um dos momentos da minha vida foi ver duas velhas namibianas, branca e negra, ambas de vestidos e guarda-sóis vitorianos, a falar não sei de quê, numa praia de Swakopmund. O Swako é um rio efémero, a maior parte do ano o deserto engole-o, "mund" é boca em alemão e um comerciante português garantiu-me que o nome da cidade queria dizer cu do mundo. Brumosa, varrida pelo vento e, naquele ano de independência, 1990, as duas velhas estariam a despedir-se. Repito: juntar comove-me, separar entristece-me.
Isso para vos dizer que um dia, julgo que do verão de 1971, indo de Paris num calhambeque, desembarquei num concerto no campus da cidade universitária de Grenoble. O convívio com alguns artistas permitiu-me chegar aos bastidores e estava lá uma lenda, Paco Ibáñez. Neruda dera-lhe poemas para cantar e, no Olympia, ele traduzira Brassens para castelhano. Pai valenciano e mãe basca, Ibáñez conhecia o exílio francês desde a adolescência porque o pai foi combatente republicano na Guerra Civil. Proibido de cantar em Espanha, Paco Ibáñez acabava de voltar ao exílio, depois de ter vivido alguns anos em Barcelona. Por isso o tínhamos naquela festa contra as ditaduras peninsulares. Naquela tarde, a lenda estava irritada: na plateia de estudantes, alguns bascos, adeptos do IRA, gritavam contra Espanha.
Paco Ibáñez cantava sobretudo em espanhol, que era a língua comum dos seus - familiares e companheiros, sendo que alguns destes falavam também outra língua de Espanha. Ele também cantava em catalão e euskera. Mais tarde faria um disco com memórias de infância na língua da mãe e cantaria Palavras Para Julia, homenagem à mãe do poeta catalão Juan Augustin Goytisolo, que morrera num bombardeamento franquista.
Comportamento igualíssimo, por exemplo, ao de Joan Manuel Serrat, cantor catalão, que dedicou um álbum ao poeta espanhol Antonio Machado que morreu no dia em que pôs o pé fora da pátria, quando fugia da derrota republicana em princípios de 1939. Serrat cantava desde 1969 «caminante, no hay camino, se hace camino al andar», o que para quem conhece o destino de Machado é tão dolorosamente irónico.
Então, aqueles gritos contra a sua Espanha irritaram Paco Ibañez. Mandou-os calar. Subiu a viola e pôs-se a cantar: «Andaluces de Jaén / aceituneros altivos / decidme en el alma: quién / quién levantó los olivos?» Um valenciano, filho de basca, pôs-se a cantar as palavras de um sevilhano, Miguel Hernández, que seguiu, também em 1939, oposto e igual caminho do de Antonio Machado. Na derrota da liberdade, este fugiu pela fronteira da Catalunha para França; Hernández, pela da Andaluzia com Portugal, foi preso em Moura e, entregue pela polícia de Salazar a Franco, foi condenado à morte e morreu na prisão.
No verão de 1971, como vos disse, tirei um curso intensivo sobre História de Espanha, na Universidade de Grenoble. Cerca de três minutos. Como sou generoso, dou-vos de borla a sebenta onde me formei: aquela canção, Andaluces de Jaén, cantada por Paco Ibáñez, está no Youtube. Infelizmente, desculpem a antiguidade da minha memória, não é a versão de 1971, no campus de Grenoble, de que julgo não haver registo.


Mas a tal do Youtube também serve: é de 2002 e Ibáñez canta no Palau de la Música Catalana, jóia de Barcelona. Oiçam as gentes da plateia a saber os versos da história comum. Do verso de entrada, «Andaluces de Jaén / aceituneros altivos / decidme en la alma: quién / quién levantó los olivos?», a todas as quadras que respondem o mesmo: «No los levantó la nada / ni el dinero, ni el señor / sino la tierra callada/ el trabajo y el sudor...» Oiçam a oração de um povo com um passado comum.
Por falar em Barcelona, agora me lembro, no princípio do texto eu disse que os meus primeiros Jogos Olímpicos foram os de Madrid, em 1992. Enganei-me. Foram nesse ano, certo, mas em Barcelona. Com esta história da pátria catalã oprimida e tal, por um instante convenci-me de que nunca um país opressor proporia organizar os JO a uma colónia desapossada das liberdades... Jogos Olímpicos que, aliás, Madrid nunca teve. Emendo, pois, a minha frase inicial: «Lembro-me tão bem dos Jogos Olímpicos de Barcelona.» E lembro-me que do que gosto mesmo é da vontade conseguida de juntar, de juntar-nos. O que tem sido, ao longo dos séculos, a história dos povos do país ao lado e, desde há 40 anos, a história da sua democracia constitucional.
No fundo, esta crónica é um plágio da resposta que Joan Manuel Serrat - uma vida a amar alto a Catalunha, mesmo quando isso era perigoso - deu, nestes dias de incerteza, à pergunta do jornal El Periodico de Catalunya: e agora? Disse Serrat: «Todos seguiremos a fazer o que fazemos: cada um com o seu trabalho, com os seus sonhos, com o seu mundo. E quantos mais juntos o façamos, melhor. Para todos.» Reparam nas cautelas com que um antigo combatente já fala?

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A memória já cá não mora, diz T-shirt

«Um futebolista português foi transferido do Santa Clara, Açores, para o modesto Jaén, Espanha. Na apresentação, ontem, ele chumbou em memória: apareceu de T-shirt com a cara de Franco estampada. Não a de Franco Baresi, grande líbero, que brilhou no Milan, mas a do general Francisco Franco Bahamonde, não confundir com Federico Bahamontes, lendário ciclista, ganhador dum Tour. Quer dizer, o nosso patrício, com tanta escolha haveria logo de ir pela cara dum pulha. Lá esteve, com sorriso de defeso e um criminoso ao peito. Se fosse manobra publicitária, seria de arromba (muitos tweets, ontem), mas foi só ignorância, ele não sabia de Espanha. Pior, os do clube de Jaén - que viram o português, do chegar até se sentar na sala das apresentações, e não o preveniram - alinharam em maior ignorância, não sabiam nada da sua Jaén. Esta é a andaluza capital mundial do azeite, cercada de oliveiras. Um dia, noutra eternidade, ouvi Paco Ibáñez a cantar "Andaluces de Jaén". Voz dorida dum exilado, a cantar quem trabalha: "Andaluces de Jaén / Aceituneros altivos/ Decidme en el alma, quien? / De quien son esos olivos? / Andaluces de Jaén." Palavras de Miguel Hernández, que começou pastor na Andaluzia e fez-se poeta grande. No fim da guerra civil, tentou fugir para Portugal mas Salazar devolveu-o a Huelva, ao tal da T-shirt. Miguel Hernández morreu numa cela, em 1942, aos 31 anos. Nada é tão perda de memória como quando ela é exposta ao peito.»
Ferreira Fernandes
DN, Lisboa, 30 jul. 2015

Quando vi este rapazinho na tv, também eu me lembrei da canção de Paco Ibáñez.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Boa noite!

A Cãmara Municipal de Moura deu ontem o nome do poeta Miguel Hernández a um jardim da cidade.
O poeta espanhol foi preso em 1939 em Santo Aleixo da Restauração, onde se encontrava alojado em casa de uma família. Dali queria vir para Lisboa a fim de emigrar para o México. Mas, ao tentar vender um relógio que lhe tinha sido oferecido no dia do seu casamento pelo poeta Vicente Aleixandre, foi denunciado por um comerciante e preso, sendo entregue à polícia espanhola.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Buenos dias!


No seguimento do post de APS (Arpose, 13 Mar. 2011) sobre Miguel Hernández (1910-1942), coloco Andaluces de Jaen, desta vez pelo grupo andaluz Jarcha. A Wikipédia diz que M.H. faleceu a 28 de Março em Alicante.

domingo, 19 de outubro de 2008

Joan Manuel Serrat cantou o poeta Miguel Hernández



Llegò con tres heridas
la del amor,
la de la muerte,
la de la vida.

Con tres heridas viene:
la de la vida,
la del amor,
la de la muerte.

Con tres heridas yo:
la de la vida,
la de la muerte,
la del amor.

Miguel Hernández