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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Citações



 (...) Fez-nos mal um certo novo-riquismo?

O novo riquismo faz sempre mal, não é ? Mas a verdade é que as pessoas foram animadas a ter um nível de vida maior e é compreensível que tivessem querido viver melhor. Não foi um despesismo pecaminoso ou irresponsável, só pessoas sem personalidade ou ambição é que se conformam. A maioria não viveu acima das possibilidades. As possibilidades é que desapareceram. Isso custa, até psicologicamente. Há coisas que são analisadas com pouca memória. O que se diz em relação ao País é que houve um disparate de despesismo, culpabiliza-se a irresponsabilidade de sucessivos governos, mas ouço falar pouco do que foi a melhoria de condições de vida e a tentativa de aproximar o litoral do interior. Foi espetacular! Fala-se do betão, das autoestradas e tal, mas as pessoas passaram a comunicar de uma forma completamente diferente. Sinto isso na pele. Quando estive a trabalhar em Pedras Salgadas fiz em hora e meia o que dantes fazia em quatro horas. Não falando no que foi a criação de escolas, universidades, hospitais, centros culturais, museus, etc. Foi espetacular! O primeiro sentimento é de orgulho no que aconteceu. Houve erros e há resquícios disso, mas em 40 anos de democracia deu-se uma transformação maravilhosa do País. 

- Excerto da entrevista a Siza Vieira, publicada na Visão da semana passada.


Concordo na generalidade com o que diz Siza, mas a verdade é que como pude verificar recentemente algumas das autoestradas que são tão úteis para nos fazer chegar depressa onde queremos têm escasso tráfego, já para não falar de disparates ainda mais dispendiosos, e difíceis de resolver, como o aeroporto fantasma de Beja ...


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Citações



A conclusão mais lógica é demoli-lo.

- Disse recentemente Siza Vieira a propósito do estado de abandono do Pavilhão de Portugal.

Entendi estas declarações como uma provocação magoada, porque é realmente inacreditável não ter havido até agora um destino de cariz nacional ou municipal para este edifício emblemático que ao mesmo tempo representa o melhor ( a criatividade ) e o pior ( desleixo, megalomania ) da alma lusa.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Veneza


Foto de Dennis Flaherty.
«Voltar a Veneza é sempre, e não só para mim, entrar num sonho... O Grande Canal está cheio de obras extraordinárias, que extasiam a vista e os sentidos. Mas tudo num tecido extraordinário em si próprio. É um exemplo em si própria, esta cidade, como um todo, um monumento feito desse tecido muito repetitivo que, em tempos se chamava como o título de um livro de escola, La Venezia Minore


Foto de Michael Howell.
DN - «O que é essa Veneza Menor que tanto o seduz?
A.S.V. - «A beleza que não vem dos monumentos, mas da gente, do modo de viver dos venezianos, cria um meio para a emergência dos edifícios: extraordinária. Voltar aqui é um sonho, recorda-me outras viagens, encontros com velhos amigos.»
Álvaro Siza Vieira
In: DN, Lisboa, 31 Ago. 2010, p. 52

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Peniche e a memória



É curioso ver um dos melhores arquitectos do mundo, ainda recentemente convidado para uma prestigiada academia norte-americana, afastado de um projecto. Mas foi o que aconteceu relativamente à transformação do Forte de Peniche em pousada. Tudo porque Siza Vieira estava contra o elevamento do edifício em mais dois pisos e também contra o apagamento da memória histórica do Forte como prisão política.
Não me incomoda que se transforme o Forte em pousada, porque realmente como proto-espaço museológico estava muito fraquinho e não havia verbas, mas será necessário eliminar as referências às décadas passadas como estabelecimento prisional? Não percebo a necessidade de branquear a história do Forte, que até pode ser uma mais-valia se bem aproveitada ( veja-se o exemplo de Alcatraz ).

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Siza recebe a medalha do RIBA

Siza Vieira recebeu hoje, em Londres, a Medalha de Ouro do Instituto Real dos Arquitectos Britânicos (RIBA), entregue pela rainha Isabel II. Este prémio é o maior galardão da arquitectura britânica e um dos mais representativos a nível mundial.
De realçar que Siza Vieira, que tem obra praticamente em todo o mundo, não tem uma obra de referência em Inglaterra.
Este prémio é atribuído desde 1848 e já distinguiu arquitectos como Le Corbusier (1953), Renzo Piano (1989), Óscar Niemeyer (1998), Frank Gehry (2000), Jean Nouvel (2001) e o britânico Edward Cullinan (2008).