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quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Boa noite!


«Vá de Metro, Satanás!»


«Propus uma vez a alguém (por brincadeira, claro) que oferecesse um slogan ao Metropolitano de Lisboa. O slogan era: "Vá de Metro, Satanás!" Esta brincadeira ia-me custando o emprego.» 
Alexandre O'Neill em entrevista a Fernando Assis Pacheco. JL. Jornal de Letras, Artes e Ideias, Lisboa, 6 jul. 1982.

Um trocadinho da expressão  vade retro Satana que se pode traduzir como «Retira-te, Satanás». 🤣🤣🤣
O'Neill fazes cá muita falta!

Marcadores de livros - 3249

Hoje temos de comer um leite-creme em memória de Alexandre O'Neill. Gosto muito de leite-creme, mas é difícil encontrá-lo bom, bem feitinho.

Versos e  reversos.

Outros marcadores aqui, aqui, aqui e aqui.

Boa noite!


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Há mar e mar / Há ir e voltar


Slogan de Alexandre O'Neill que amanhã completaria 100 anos de vida. 
O Dia Nacional do Mar celebrou-se há dois dias.

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Marcadores de livros - 2999

Dois escritores nascidos há 100 anos:



Linha da Frente é uma banda composta por músicos vindos de outras bandas:  João Aguardela, Luís Varatojo, Viviane, Dora Fidalgo, Janelo, Prince Wadada e Rui Duarte.


Versos e reversos de dois marcadores.


domingo, 1 de outubro de 2023

Parabéns JAD!

Parabéns, JAD!

Desejo que tenha um dia feliz!


Veneza aos gatos
Lisboa às moscas e Veneza aos gatos…
(os pombos da bondade só conspurcam
a praça de S. Marcos)
… ao gato perna alta que não vem quando o chamas,
ao contrário da patrícia mosca,
que não era para aqui chamada,
mas logo te soprou os últimos zunzuns
mal chegaste a Lisboa.

O gato de Veneza não te dá pretextos
para miares o que te vai na alma,
nem os sacros temores da miaulesca
esfinge rilkeana.
Não é um gato é um perfil de gato
tapando a saída da calleta.

O gato veneziano é gato sem regaços
e sem selvajaria.
De Veneza o gato é sempre muitos gatos
que vão à sua vida…
… como tu, afinal, não vais à tua.

(De Veneza a Lisboa, num zunido,
já trazias a mosca no ouvido…)

Alexandre O’Neill, Poesias Completas & Dispersos, Lisboa: Edição  de Maria Antónia Oliveira, 
Assírio & Alvim, 2022, p. 251 

Luz e sombra de Veneza!



 

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Leituras no Metro - 1132

Lisboa: Tinta da China, 2021

Estou a ler este livro de entrevistas de Alexandre O'Neill, dadas entre 1944 e 1985. Como já aqui disse várias vezes, gosto deste tipo de livros. E acima de tudo, gosto de O'Neill.

[O meu ambiente de trabalho é] «o mais favorável: água-furtada, terraço, vista de cinemascópio sobre a cidade e o Tejo, sossego de aldeia a dez minutos do Chiado». (p. 27)

[Escrevo] «com certa facilidade», «mas depois corrijo muito, uma, duas, três, quatro vezes, até o poema estar objeto... Normalmente ponho os poemas a dormir na gaveta, para me despegar deles. Quando os descongelo, corrijo ainda, esqueço-os 'por dentro' e passo a encará-los como se tivessem sido feitos por qualquer outra pessoa. Só nesta fase os considero resistentes para publicação.» (p. 27)
«Acato bem as críticas, mas quando considero definitivamente pronto um poema sou incapaz de o corrigir.» (p. 28)

[A minha poesia] «É uma poesia que pode provocar o riso, mas sempre um riso incómodo. E interpreto o facto desta maneira muito simples: é uma poesia dos ridículos sociais.» (p. 36)

Este livro ainda há de voltar aqui.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Marcadores de livros - 2318


Cão 

Cão passageiro, cão estrito, 
cão rasteiro cor de luva amarela, 
apara-lápis, fraldiqueiro, 
cão liquefeito, cão estafado, 
cão de gravata pendente, 
cão de orelhas engomadas, 
de remexido rabo ausente, 
cão ululante, cão coruscante, 
cão magro, tétrico, maldito, 
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido, 
cão disparado: cão aqui, 
cão além, e sempre cão. 
Cão marrado, preso a um fio de cheiro, 
cão a esburgar o osso 
essencial do dia a dia, 
cão estouvado de alegria, 
cão formal da poesia, 
cão-soneto de ão-ão bem martelado, 
cão moído de pancada 
e condoído do dono, 
cão: esfera do sono, 
cão de pura invenção, cão pré-fabricado, 
cão-espelho, cão-cinzeiro, cão-botija, 
cão de olhos que afligem, 
cão-problema… 

Sai depressa, ó cão, deste poema! 


No Dia do Cão.

sábado, 18 de junho de 2022

Marcadores de livros - 2243

No tempo das cerejas:
Marcador do livro:
Lisboa: Tinta da China, 2021

As entrevistas, reunidas neste volume por Joana Meirim, vão de 1944 a 1985. Nelas fala‑se do surrealismo português, do slogan «Há mar e mar, há ir e voltar» (que lhe poderia ter rendido uma fortuna em direitos de autor), de Portugal e, claro, de poesia.
Este livro vai, provavelmente, aqui voltar nas «Leituras no Metro».

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

domingo, 14 de abril de 2019

O beijo


Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.

Donde teria vindo! (Não é meu…)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?

É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.

E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar.

Alexandre O’Neill
In No Reino da Dinamarca (1958)


No Dia Mundial do Beijo. :)

terça-feira, 1 de maio de 2018

quarta-feira, 28 de março de 2018

domingo, 13 de novembro de 2016

A Voz dos Poetas - 1

Esta série, que tem lugar na biblioteca da Imprensa Nacional (Rua da Escola Politécnica) começou em setembro com a poesia de Mário Dionísio.
Amanhã, pelas 18h30, será a vez de se ouvir Alexandre O´Neill dito por João Meireles e Jorge Silva Melo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Parabéns, Cláudia!

Este ano os parabéns vão de bicicleta, de modo que têm de partir mais cedo, na esperança de cheguem ainda hoje. No cesto vai um poema do O'Neill e uma canção do Nat King Cole.


A bicicleta

O meu marido
saiu de casa no dia
25 de Janeiro. Levava uma bicicleta
a pedais, caixa de ferramenta de pedreiro,
vestia calças azuis de zuarte, camisa verde,
blusão cinzento, tipo militar, e calçava
botas de borracha e tinha chapéu cinzento
e levava na bicicleta um saco com uma manta
e uma pele de ovelha, um fogão a petróleo
e uma panela de esmalte azul.
Como não tive mais notícias, espero o pior.

Alexandre O′Neill
In As horas já de números vestidas, 1981

Um dia feliz!