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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Onde me apetecia estar

Era em Bruges, no coração da Flandres, para assistir à 50ª edição do mais antigo e duradouro festival de música antiga. O Orlando de Haendel dirigido por Rene Jacobs, concurso de cravo, odes de Purcell, os melhores cantores da Europa etc.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Bom passeio, Jad!


Charles-Louis Girault (1851–1932) - Arco triunfal do Palácio do Cinquentenário, 1906 (Bruxelas, Parque do Cinquentenário)

BÉLGICA

Bélgica dos canais de labor perseverante,
Que a usura das cousas, tempo afora,
Tempo adiante,
Fez para agora e para jamais
Canais de infinita, enternecida poesia…

Bélgica dos canais, Bélgica de cujos canais
Saiu ao mar mais de uma ingénua vela branca…
Mais de uma vela nova… mais de uma vela virgem…

Bélgica das velas brancas e virgens!

Bélgica dos velhos paços municipais,
Húmidos da nostalgia
De um nobre passado irrevocável.

Bélgica dos pintores flamengos.
Bélgica onde Verlaine escreveu Sagesse.

Bélgica das beguines,
Das humildes beguines de mãos postas, em prece,
Sob os toucados de linho simbólicos.
Bélgica de Malines.
Bélgica de Bruges-a-morta…
Bélgica dos carrilhões católicos.

Bélgica dos poetas iniciadores.
Bélgica de Maeterlinck
(La Mort de Tintagiles, Pelléas et Mélisande.)
Bélgica de Verhaeren e dos campos alucinados da Flandres.

Bélgica das velas ingénuas e virgens.

Manuel Bandeira
In: Poesias completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1940, p. 86-87

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Em Bruges - 4



O cisne
«Muitos bons viajantes, como o cisne, emigram para viver. Mas esse mesmo cisne, que não presta para comer o desperdiçado do homem pela sua beleza e graça, o cisne, digo, tão comum na Itália antigamente e de que Virgílio tanto fala, hoje, é lá muito raro. Debalde se buscariam agora essas alvas frotas, que argenteavam com suas velas as águas do Mincio, os pauis de Mântua, chorando Faetonte à sombra das suas irmãs ou no seu voo sublime, canoros levando aos astros o teu nome, ó Varo.
«Este canto, que toda a Antiguidade cita, será mera fábula? Os órgãos músicos, tão desenvolvidos no cisne, ter-lhe-ão sido sempre inúteis? Não funcionariam eles em ditosa liberdade, quando o seu dono gozava de uma atmosfera mais quente, passando a maior parte do ano no doce clima da Grécia e da Ausónia? Inclino-me a crê-lo. O cisne, obrigado a ir para o Norte, onde os seus amores ainda acham o segredo e a paz, sacrificou o seu canto, adoptou o acento bárbaro ou calou-se. A musa expirou: a ave sobreviveu.»

Jules Michelet
In: A ave / trad. F. L. Lopes. Lisboa: Nova Livr. Internacional, 1876, p. 47

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Em Bruges - 2



Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa
In: Assinar a pele. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, p. 29

O que ficava aqui mesmo bem era um poema belga, mas não consegui encontrar nenhum - sobre gatos.