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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

«Je n’ai rien à te dire sinon que je t’aime» – Cartas de amor

Paris: Textuel, 2013
€39,00

«Je n’ai rien à te dire sinon que je t’aime» é uma declaração extraída de uma carta de Léon Bloy à sua noiva Jeanne Molbech, que dá o título a uma exposição que pode ser vista até 15 de fevereiro de 2015, no Musée des Lettres et Manuscrits, em Paris.
Esta exposição convida-nos a penetrar nos escritos íntimos de personagens célebres, como Musset, Apollinaire, Cocteau, Prévert, Piaf, Flaubert, Chopin, Guitry, Alexandre II ou Stendhal.
Esta exposição esteve anteriormente no Musée des Lettres et Manuscrits, de Bruxelas.



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Um quadro por dia


Ferdinand Georg Waldmüller ( 1793-1865 ), A carta de amor, 1849, óleo sobre tela, 76x61,5cm.

Vai à praça hoje, no Dorotheum de Viena.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Leituras no Metro - 132

O último JL, publica o prefácio que Eduardo Lourenço escreveu para a nova edição das Cartas de amor entre Fernando Pessoa e Ofélia Queirós. O volume, que traz 155 novas cartas, foi organizado por Richard Zenith e vai ser publicado até final de maio pela Capivara, do Rio de Janeiro, com o título Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz: correspondência amorosa completa (1919-1935). 
Só para abrir o apetite, aqui fica o início do texto do nosso aniversariante de hoje: 
«Para os admiradores incondicionais de Pessoa, a leitura da sua correspondência com a predestinada jovem com o nome fatídico de Ofélia não é um texto como qualquer outro de Pessoa. Podemos imaginar que na sua perspetiva este episódio único do poeta da "Tabacaria" como pastor amoroso era, ou foi, tão ficcional como todos os outros que subscreveu com o seu nome ou com o dos famosos heterónimos. A esta última comédia que lhe conferiu uma aura universal designou-a ele como "drama em gente". Mais sofisticado labirinto literário não se conhece. Há mais do que a sombra dele ao menos do seu lado, nas cartas que trocou com Ofélia, vítima propiciatória da alma múltipla apostada em imitar Deus e ser como ele "tudo de todas as maneiras".
«Só que Ofélia não era um seu heterónimo mas uma jovem burguesa de Lisboa dos anos 20, que talvez nunca tenha imaginado que chamou a atenção de Pessoa por ter aquele nome mítico como destino. [...]»
Um texto luminoso! A não perder.
O livro também vai ter edição em Portugal. É desta vez que eu vou comprar uma nova edição das cartas....

Marc Chagall - Amoureux de Vence

Parabéns, Eduardo Lourenço!


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

«Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o seu amor do que o vinho.»

(In: Cântico dos cânticos)


Quem melhor do que um escritor para descrever a emoção, a sensualidade e a embriaguez que nos invade quando beijamos? Ovídio, Shakespeare, Goethe, Almeida Garrett, Victor Hugo, Rousseau, Antero de Quental, Kierkegaard, Zola, Flaubert, Eça de Queirós, Camilo Pessanha, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, António Patrício, Fernando Pessoa e outros, convidam-nos a redescobrir todos os encantos da arte de beijar, através de poemas e excertos de prosa.


Uma antologia de cartas apaixonadas de grandes vultos da literatura portuguesa e estrangeira, como Fernando Pessoa, Mariana Alcoforado, Charles Baudelaire, Almeida Garrett, Katherine Mansfield, Edgar Allan Poe, John Keats e Victor Hugo.
Os amores dos escritores, os seus encontros e desencontros, as suas paixões e as suas mágoas inspiraram arrebatadas páginas que podem ser lidas neste livro.


Reunem-se neste livro as mais belas declarações de amor dos mais famosos amantes da literatura universal. Desde o autor da Arte de Amar, Ovídio, aos grandes poetas do amor como Luís de Camões, Shakespeare, Byron, Keats, Puchkin, Almeida Garrett, António Nobre, Verlaine, Cesário Verde, Fernando Pessoa, Florbela Espanca ou António Ramos Rosa, passando pelos grandes romancistas tais como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Balzac, Tolstoi, Dostoievski, Zola.

«Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
»
Florbela Espanca

Textos retirados da folha publicitária de 101 noites.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

1966 : Elvis

A 26 de Maio de 1966 o Rei grava esta maravilhosa Love Letters. I memorized every line...
Ainda se escrevem? Talvez por e-mail e sms...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Cartas de amor - 2

Carta de Almeida Garrett a Rosa Montufar, Viscondessa da Luz



6 Agosto [1846]
Tu já não és só a minha amante, a mulher a quem dei para sempre o meu coração: és mais que isso, és realmente a esposa da minha alma, aquela a quem tenho consagrado a minha existência, e para quem somente quero viver.
Juro-te isto à face do céu e da terra, por minha honra te prometo. Que mais queres que te diga, que mais há que prometer ou que fazer?
O susto que ontem tiveste à saída é completamente infundado: à vista te darei razões tão seguras que se há-de desvanecer todo o receio. Não as quero confiar agora ao papel. Mas seguro-te e prometo-te que não tens que recear. – À noite espero ver a T. e o convencerei também a ele que é um verdadeiro alarmista. Sabes tu?
A noite de ontem, minha alma, foi o dia mais belo da minha vida. Oh Deus eterno! como eu vivi, o que gozei! Se pode haver céu depois disto?
Ninguém me persuadirá jamais que há no mundo quem se ame como nós nos amamos.
Eu sou plenamente feliz, não quero mais nenhum. E tu? Dize. – Oh! tu amas-me e és feliz, bem o sei. Mas tem coragem para ser feliz, que é só o que ainda te falta: le courage du bonheur. Adeus, adeus, até amanhã? Não é verdade?
Teu para sempre

P.S. Vou para o Tesouro: não posso escrever mais. Maldita seja a pátria e a finança.

In: Almeida Garrett – Cartas de amor à Viscondessa da Luz. Lisboa: Emp. Nac. de Publicidade, [1956]

Cartas de amor - 1


«Os mais modernos modelos de declarações de amor, de respostas aceitando ou negando o amor oferecido».

Ex.ma Sr.ª
Quem ama é sempre tímido, e eu sinto bem quanto isto tem de verdade.
Prende-me esta timidez ao ponto de não saber o que hei-de dizer a V. Ex.ª E não é porque não tivesse muito para lhe contar, mas porque essa maldita tibieza me inibe de o fazer.
O que irá oensar V. Ex.ª de mim ? O receio do ridículo, da pouca importância que possa ligar às minhas palavras, tudo isto me põe de tal modo inquieto e nervoso, que eu não sei como dizer-lhe o que se passa o íntimo do meu coração.
É que… mas vençamos o medo, amo-a, minha senhora e fico a seus pés à espera da sentença que há-de salvar ou perde resta alma que é sua escrava.
De V. Ex.ª admirador respeitoso e apaixonado
F…

Segue a resposta:

Ex.mo Sr.
É impossível que a sua carta não seja verdadeira. Ela tem um tal cunho de sinceridade, que me comoveu a ponto de aceitar o seu afecto, eu que tanto receiio tenho tido de aceitar protestos de amor.
Oxalá não me tenha enganado, pois sinto que sofreria muito com isso.
Aguardando nova carta de V. Ex.ª, peço-lhe pese bem a responsabilidade que tomou perante a sua consciência.
Se é sincero, como suponho, continue a escrever-me ; se não é, suplico-lhe que deixe esta carta sem resposta.
Sem mais, creia-me admiradora de V. Ex.ª
F…

Maria Celeste - Cartas de amor para namorados. Lisboa : Emp. Literária Universal, s.d., p. 11-12, 31