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quinta-feira, 29 de julho de 2021

Leituras no Metro - 1084


Sexta-feira comprei esta Visão. Biografia e sexta-feira comecei a lê-la. Muito boa! Para já, um único senão que salta logo à vista: a foto de Adolfo Casais Monteiro está duas vezes trocada, Ou então ele está irreconhecível. Favorecido, mas irreconhecível.  🤣 A foto é de um homem que conheço, mas de que não consigo lembrar o nome. 
Comecei pela entrevista a Zenith e de seguida li o excerto da biografia de Pessoa, afinal a sair em Portugal em 2022, com tradução de Salvato Teles de Menezes.
O livro Escritos autobiográficos, automáticos e de reflexão pessoal, ed. por Zenith, é várias vezes referido. Quando o li, percebi que ele livro só poderia ter sido feito por uma pessoa que conhecia e compreendia profundamente a obra de Pessoa, a pessoa certa para escrever a biografia do poeta.
Não tenho livros de cabeceira, mas este e O livro do desassossego fazem essa função. De vez em quando leio uma ou duas páginas.

«O poeta português, que poderia ter dito "Eu sou muitos outros", descreveu-se a si próprio como uma "orquestra secreta" constituída por inúmeros instrumentos - cordas, harpas, címbalos, tambores. [...] Mas não há nenhum escritor que possa rivalizar com Pessoa em termos de conseguir configurar, por meio dos seus heterónimos, atitudes filosóficas e poéticas radicalmente distintas que formaram um glorioso, mesmo que nem sempre harmonioso, conjunto musical.» 
Richard Zenith - Pessoa: Uma biografia

terça-feira, 20 de julho de 2021

A biografia de Pessoa

New York: Liveright, 2021

É hoje posta à venda nos EUA a biografia de Pessoa. Aguardemos a tradução portuguesa. Disseram-me que sai em setembro, mas também já me soou que será em novembro. De qualquer modo, quando sair, vou comprá-la porque tenho uma enorme vontade de a ler.

«Monumental…. [Pessoa’s writing] was a city that needed a guide. Thanks to Zenith, it has one at last.» 
Benjamin Moser, New York Times Book Review

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Acontece...

Lisboa: Assírio & Alvim, 2003

«Pensei em tempos em me dedicar ao estudo dos Quatro Evangelhos. Li com entusiasmo um livro sobre o assunto que comprei por impulso. Mandei vir outros, esperei-os com ansiedade. Quando chegaram não os li.» (Texto de 1915, p. 155)

Este Escritos autobiográficos [...] é de certeza o livro que mais tempo tenho levado a ler. De vez em quando leio umas páginas e isto arrasta-se (parece-me) há mais de dois anos. E não que não goste - é belíssimo! -, mas tem de ser lido em pequeníssimas doses.
A citação que escolhi está numa página já lida há meses.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Leituras no Metro - 196

3.ª ed. Lisboa: Temas e Debates: Círculo de Leitores, 2013

Magnífico o texto de Richard Zenith desta Fotobiografia de Fernando Pessoa. Como já tinha a da Maria José Lancastre, resisti a comprá-la. Estou a gostar imenso de a ler: muito bem estruturada e mais uma vez se comprova que Zenith é quem mais sabe de Pessoa. Aguardo, com grande expectativa, a biografia que ele está a escrever sobre o Poeta.

«Andando pensa-se melhor do que sentado.» 
Da ficção filosófica «Na Casa de Saúde de Cascais», 191-

«O que é preciso é ter um pouco de Europa na alma.»
De uma carta a Mário de Sá Carneiro, maio 1913


domingo, 30 de novembro de 2014

Do Poeta que faleceu há 79 anos

Lisboa: Clube do Autor, 2014

Sozinho no cais deserto, a esta manhã de verão,
Olho pro lado da barra, olho pelo Indefinido,
Olho e contentaa-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
[...]
Olho de longe o paquete, com uma grande independência e alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente.
[...]

Álvaro de Campos

Uma bela edição que agora já podemos oferecer a alguém que domine o inglês. :)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Leituras no Metro - 132

O último JL, publica o prefácio que Eduardo Lourenço escreveu para a nova edição das Cartas de amor entre Fernando Pessoa e Ofélia Queirós. O volume, que traz 155 novas cartas, foi organizado por Richard Zenith e vai ser publicado até final de maio pela Capivara, do Rio de Janeiro, com o título Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz: correspondência amorosa completa (1919-1935). 
Só para abrir o apetite, aqui fica o início do texto do nosso aniversariante de hoje: 
«Para os admiradores incondicionais de Pessoa, a leitura da sua correspondência com a predestinada jovem com o nome fatídico de Ofélia não é um texto como qualquer outro de Pessoa. Podemos imaginar que na sua perspetiva este episódio único do poeta da "Tabacaria" como pastor amoroso era, ou foi, tão ficcional como todos os outros que subscreveu com o seu nome ou com o dos famosos heterónimos. A esta última comédia que lhe conferiu uma aura universal designou-a ele como "drama em gente". Mais sofisticado labirinto literário não se conhece. Há mais do que a sombra dele ao menos do seu lado, nas cartas que trocou com Ofélia, vítima propiciatória da alma múltipla apostada em imitar Deus e ser como ele "tudo de todas as maneiras".
«Só que Ofélia não era um seu heterónimo mas uma jovem burguesa de Lisboa dos anos 20, que talvez nunca tenha imaginado que chamou a atenção de Pessoa por ter aquele nome mítico como destino. [...]»
Um texto luminoso! A não perder.
O livro também vai ter edição em Portugal. É desta vez que eu vou comprar uma nova edição das cartas....

Marc Chagall - Amoureux de Vence

Parabéns, Eduardo Lourenço!


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Richard Zenith ao JL

Foto Jorge Simão (Expresso)

«Quando sairá a sua biografia de Pessoa?
«A verdade é que a data prevista já passou. Estou a  escrevê-la em inglês para ser publicada por uma editora americana, a Norton. Depois haverá certamente uma edição portuguesa, mas ainda não está definida.

«Já a está a escrever há algum tempo. É assim tão complicado?
«[...] Agora, estou a dizer não a todas as propostas. Já fiz muita pesquisa. Uma parte importante é contar os seus passos e tempos, onde, quando e como viveu, entre Lisboa e Durban. Interessa também a sua vida imaginativa. Ele tem um riquíssimo universo interior. Com todos os seus heterónimos, podemos ver o seu mundo como um sistema solar. E além da heteronímia, há todos os seus interesses dentro da Literatura, os géneros em que escreve, mas também a sua incessante busca espiritual ou os interesses políticos. Há um fazer constante em Pessoa. Insatisfeito com a vida tal como ela é, está sempre a projetar-se noutras realidades. O seu amor por Ofélia, por exemplo, e talvez outros, vive-os num plano literário. Transmitir isso numa biografia é difícil. Escrever a sua vida é contar a história de um homem que não parava. Mas como descobrir o seu fio narrativo?

«De todas as edições de Pessoa, qual prefere?
«Livro do Desassossego foi muito estimulante, por ser como sempre digo um não livro. Pessoa não chegou a organizá-lo e era preciso fazê-lo. Não deixa de ser um trabalho criativo tentar chegar a uma ordem possível, coerente e literária, respeitando-o. Porque tenho sempre essa preocupação. Evidentemente, não podemos acabar o que ele não acabou e temos de conservar o que é fragmentário. Mas Pessoa jamais teria publicado textos cheios de notas, pouco legíveis. Isso pode tirar o gosto da leitura, porque entre tantas notas, a poesia já não se vê. Na edição da Assírio & Alvim sempre houve essa preocupação de rigor e também a ideia do prazer da leitura. Também gostei muito de fazer Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal. É que foi um trabalho de detetive, percorrendo todo o espólio. Não havia quase nada publicado desses textos e foi preciso também fazer uma pesquisa dos factos biográficos. Cada livro que publiquei teve o seu fascínio.»

Extrato de uma entrevista de Richard Zenith a Maria Leonor Nunes (JL, 26 dez. 2012, p. 7)

sábado, 15 de dezembro de 2012

Vinheta

O Estudioso, investigador e biógrafo do "poeta das duas línguas e muitas máscaras", Richard Zenith, é a vinheta destes dias.
Parabéns.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Richard Zenith: Prémio Pessoa 2012

Este americano, nascido em Washington em 1956, que vive em Lisboa desde 1987, português há cinco anos, tradutor e estudioso de Fernando Pessoa, é o Prémio Pessoa 2012.
Estou bastante contente com a atribuição deste prémio.
Há mais de um ano que esta obra de Pessoa, coligida por Zenith, é a minha leitura de cabeceira.