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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Artur Jorge (1946-2024)

Artur Jorge, antigo jogador da Académica e do Benfica, treinador do Porto e selecionador nacional, faleceu hoje.
Em 1969 foi impedido pelo governo de participar na final da Taça de Portugal, no auge da crise académica de Coimbra. Dado que estava a cumprir o serviço militar, não o deixaram sair do quartel para treinar, pelo que não pode jogar. Mas assistiu ao jogo.
Estive nesse jogo, um dos poucos a que fui ao longo da minha vida, e que o Benfica ganhou com um golo de Eusébio, para tristeza de muitos benfiquistas (como eu) que estavam  a torcer pela Académica.


Em 1969, Artur Jorge mudou-se para o Benfica, onde esteve até 1975.


Depois foi treinador do Porto e selecionador nacional.
Sócio n.º 1 e fundador do Sindicato dos Jogadores, fundado em 1972, com a ajuda do então advogado Jorge Sampaio.

Em 1983, publicou um livro de poemas, que irei hoje reler:


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Dois artigos em Le Monde

Dois artigos sobre Portugal no jornal francês de anteontem e de ontem: um editorial sobre José Manuel Barroso; o outro sobre futebol e Eusébio.


José Manuel Barroso, l’anti-européen

L’Europe n’avait pas besoin de cela. Que le peuple britannique décide, par référendum et dans un climat de totale liberté politique, de quitter l’Union européenne (UE), c’est son droit le plus strict. Cette décision porte un mauvais coup à l’UE, ainsi privée d’un pays qui est la deuxième économie européenne derrière l’Allemagne, qui a un siège au Conseil de sécurité de l’ONU et un appareil militaire et diplomatique de réputation mondiale.
On peut le regretter, nous l’avons fait. Mais le coup est loyal, démocratique. Par parenthèse, il devrait faire taire tous ceux qui, sans toujours se donner la peine de regarder comment fonctionne Bruxelles, dénoncent dans l’UE une machine quasi totalitaire. Elle ne l’est pas. C’est une association d’Etats libre et volontaire, au champ de compétences bien défini : il n’y a pas ou peu d’équivalent dans l’Histoire.
Mais que José Manuel Barroso, ancien président de la Commission – l’organe chargé de faire appliquer les décisions communes prises par les gouvernements des pays membres –, ne trouve rien de mieux, quelques semaines après le Brexit, que de rejoindre les rangs de Goldman Sachs, voilà qui porte à l’UE un deuxième coup. Et celui-là est bas, indigne, et va nourrir un peu plus un discours anti-européen qui relève trop souvent de la théorie du complot.
Goldman Sachs est l’une de ces banques d’affaires américaines, pilier de Wall Street, qui incarne la crise financière de 2008 – des millions d’emplois perdus et l’explosion des dettes publiques aux Etats-Unis et en Europe. Elle s’est notamment distinguée en aidant la Grèce à présenter des comptes truqués pour rester dans l’euro. A tort ou à raison, elle est devenue le symbole d’une époque de collusion entre intérêts publics et privés.

Ler também : L’ex-président de la Commission européenne José Manuel Barroso recruté par Goldman Sachs 
Ancien premier ministre du Portugal (2002-2004), M. Barroso a présidé la Commission de 2004 à 2014 – adoubé par tous les chefs d’Etat et de gouvernement européens de l’époque, redoutant qu’une personnalité d’envergure à Bruxelles puisse leur faire de l’ombre. Il ne faut pas oublier cela : le patron de la Commission n’est à ce poste que parce que les dirigeants des pays membres, élus démocratiquement, en ont décidé ainsi.
Ils ont choisi M. Barroso, qui, dépourvu du moindre charisme, a épousé toutes les balivernes libérales les plus simplistes de l’époque. On se souvient du marché qui s’autorégulait, de la mondialisation qui ne pouvait être qu’heureuse, de l’austérité budgétaire qui était bonne pour la ligne, etc. De la crise de 2008, il n’a rien vu venir. Il a présidé la Commission sans originalité, sans susciter la moindre idée qui eût été susceptible de renouveler l’idéal européen.
Son « pantouflage » chez Goldman Sachs est « légal ». Mais, outre qu’il peut tout de même s’apparenter à un conflit d’intérêts, il installe la pire image qui soit pour l’Europe : celle d’une relation incestueuse entre pouvoir politique et finance privée. Que M. Barroso ait accepté de contribuer ainsi au discours des mouvements protestataires anti-européens d’ultra-droite, ceux-là mêmes qui menacent le caractère démocratique du continent, est révoltant. C’est un geste anti-européen, aux répercussions terribles dans l’opinion. La Commission doit condamner cette nomination et changer ses règles : interdiction à vie à un ancien de ses membres d’aller « pantoufler » dans un domaine qu’il a réglementé. Il en va de l’image de l’UE, enfin de ce qu’il en reste.


Saudade française après les espoirs déçus de l’Euro

C’était au temps des premiers ballons frappés contre un mur, des premiers dribbles dans les forêts de guibolles et des premières écorchures badigeonnées au Mercurochrome. S’improvisaient partout et nulle part des parties acharnées, à la manière des grands, des très grands, des idoles. Mes copains, d’origine portugaise, se prenaient pour Eusébio. L’étoile de Benfica et de la Lusitanie réunie illuminait le football dans les années 1960 et le début des années 1970. On utilise à dessein cette éclairante image puisqu’il jouait à Lisbonne dans l’Estadio da Luz, le Stade de la Lumière.

Dans nos parties débridées, bien loin des sommets tactiques entrevus dimanche, mes copains scandaient son nom à chaque action réussie, à chaque jolie geste, à chaque but : « Ai-ou-zè-biou ! Ai-ou-zè-biou ! » Ce mot chantant et enchanté était comme une ponctuation de football. Il était synonyme de beau jeu, d’élégance et de ce que ce sport peut apporter d’émotions à un enfant. « Ai-ou-zè-biou », c’était l’acmé du foot.
On était avant Michel Platini, avant même les Verts, bien après Raymond Kopa, dans ce long hiver du football français qui n’avait à offrir que des éliminations honteuses. Maigre pitance des rêves d’un gamin que ces déroutes de Charly Loubet et les siens. Nos espoirs tournaient chaque fois au ridicule, nos émotions à la farce. Les désirs de conquêtes étaient aussi inachevés que nos albums Panini. Alors mon premier modèle fut par nécessité Eusébio. Plus tard, j’allais entrevoir aux actualités d’où venaient mes copains, du pays béni d’Eusébio...
Benoit Hopquin

Depois de ter ouvido a crónica de Fernando Alves, hoje na TSF.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Lendas do Futebol Europeu - 1

Trinta lendas do futebol europeu: uma exposição que se encontra no gradeamento da Câmara Municipal de Paris. Um painel para cada jogador, com um texto de um escritor sobre esse futebolista.
Começo por apresentar as nossas duas lendas: Eusébio e Cristiano Ronaldo. O «Rei» merecia um texto melhor do que o que Gonçalo M. Tavares escreveu.
A seguir virão as outras.


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Caixa do correio - 45

Um postal que veio do Algarve de alguém que tinha almoçado umas sardinhas. E com um selo com o Eusébio. 

sábado, 4 de julho de 2015

Deveria ter sido uma festa

Jornal Público

Impediram as pessoas de se aproximar do Panteão e mesmo das suas redondezas, pelo que só alguns populares residentes puderam ali estar. 
Devem ter sido exigências de quem não gosta de ser assobiado. Gente pouco inteligente porque isso não impediu a pouca gente que ali estava de assobiar Assunção Esteves e Cavaco Silva.
É triste que levem uma pessoa para o Panteão sem uma festa. E esta cerimónia deveria ter tido lugar num sábado.
Já o mesmo eu tinha pensado quando foi da trasladação de Sophia.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Portugal Eusébio


Abre hoje, às 19h00, na Assembleia da República a exposição "Portugal Eusébio", coorganizada com o Museu Cosme Damião, que apresenta duas perspetivas de Eusébio: o homem e o atleta. 
Em 13 expositores estão patentes 13 objetos simbólicos de vários momentos marcantes, quer da sua vida pessoal, quer da sua carreira futebolística, cada um deles ilustrado por uma fotografia, um texto enquadrador e um pequeno filme. O próprio número 13 teria um especial significado para o desportista, por ser o seu número da camisola enquanto jogador da Seleção Nacional. 
A exposição está patente até 31 de julho e marca o início do programa de homenagem a Eusébio da Silva Ferreira, que culmina, no dia 3 de julho, com a trasladação dos restos mortais do desportista para o Panteão Nacional.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

O Futebol nas Letras - 25


SOB O SIGNO DE EUSÉBIO

Pouco ou quase nada entendo de futebol. Penso que isto não me diminui nem me favorece. Tudo o que se conhece e se sabe é enriquecimento. Mas poucas devem ser as pessoas com capacidade e tempo suficiente para atender todas as solicitações que a vida moderna lhes oferece. Enfim, pertenço àqueles que não veem desafios de futebol, nem nos estádios nem na televisão, aliás coisa que não possuo. Apesar disso voltei duma viagem ao estrangeiro com a sensação de a ter feito sob o signo de Eusébio. Foi na última semana de julho que passámos a fronteira da França para a Alemanha. O funcionário, ao revistar os nossos passaportes, exclamou: 
- Portugueses? Bravo! Eusébio! Eusébio! 
Olhámo-lo com estranheza. Não compreendemos tal manifestação. Vendo-nos assim, estupefactos, tornou-se ainda mais barulhento, quase tanto como os turistas alemães que viajam em magotes compactos por este mundo fora:
- «Messieurs! Señores! Verstehen Sie nicht? Eusebiio!» 
E ilustrou a última palavra com o gesto de um pontapé no ar. 
Ah, o Eusébio! Pois claro, claro! Oferecemos-lhe um sorriso: quem não conhecia o Eusébio? Numa pequena estalagem de Estugarda, onde entrámos à hora do jantar, perguntámos à dona se não nos podia arranjar alguma coisa para comer. Estava a ver, na televisão, o desafio entre Portugal e a Rússia. Apontou, sorrindo, para o Eusébio e despachou-nos rapidamente, com a desculpa de que pouca coisa tinha na despensa – na melhor das hipóteses, umas fatiazinhas de chouriço e pão – e que, se descêssemos a rua e atravessássemos a avenida, encontraríamos um bom restaurante. Era óbvio que não se queria privar do espetáculo. 
A rua e a avenida estavam despovoadas. Coisa estranha na cidade de Estugarda, àquela hora. Provavelmente a população encontrava-se absorvida pelo desafio. O bom restaurante era uma cervejaria. Também ali se estava a ver o jogo; e nós, enquanto comíamos, víamos também. O locutor salientava alguns nomes com nítido carinho. Entre eles o de Eusébio. E os fregueses da cervejaria repetiam, com o mesmo carinho: 
- Eusébio, Eusébio… 
Depois, numa outra cidade da Alemanha. Assistíamos a uma comemoração particular, num hotel de primeira. Havia mais de cem convidados, entre os quais representantes do governo, de vários organismos oficiais, de corporações, etc. Felicitaram-nos pela nossa bela equipa de futebol e, sobretudo, pelo Eusébio. Um velho conhecido – aliás bastante racista no que respeita aos negros, o que nos levava muitas vezes a ardentes discussões – confessou que sentia uma verdadeira ternura por «esse moço, esse Eusébio». E, no fim do banquete, mal tinham acabado os brindes, numeroso grupo correu para a sala onde havia um aparelho de televisão a fim de assistir ao desafio Portugal-Inglaterra. 
Na Áustria, no hall do nosso hotel, travei conversa com um engenheiro checo. 
- Portugal? – cismou – Mas eu sei alguma coisa de Portugal! 
- Talvez tenha lido um livro, um artigo? Ou visto um filme? – ajudei. 
Não, não tinha. Meti, então, um pouco hesitante: 
- Eusébio? 
- Isso! Precisamente! – exclamou. – Eusébio, que grande artista! O rei do futebol. Uma maravilha! 
Na pacata Suíça, onde bem se pressente que os trabalhadores estrangeiros – e entre eles os portugueses – não são lá grandemente estimados, vi muito suíço desconsolado com a vitória final da Inglaterra. Também ninguém queria que os alemães tivessem ficado em primeiro lugar, não; quem devia ter ganho era a simpática equipa portuguesa, com aquele grande virtuoso do jogo, o Eusébio. Que pena! 
Em Zurique, um motorista de táxi perguntou-me se eu alguma vez vira Eusébio. Disse-lhe que si, ainda há pouco, na televisão, em Estugarda.
- Mas nunca o viu em Portugal? – perguntou. 
- Não, não tenho televisão em casa. 
Insistiu: 
- O que queria saber é se já o viu em carne e osso. 
Tive de o desiludir: não, nunca o vira em carne e osso e, para me justificar, expliquei-lhe que vivia no Porto e ele em Lisboa. 
- Mesmo assim… - retorquiu com certa estranheza. 
Podia reproduzir mais conversas no género, mas o espaço concedido a um artigo deste teor não mo permite. Devo só confessar que, por várias vezes, me senti deslocada neste mundo por não saber falar com desenvoltura e entusiasmo sobre futebol e sobre Eusébio. 
Mea culpa

Ilse Losa
In: Diário Popular. Lisboa. 6 out. 1966

domingo, 5 de janeiro de 2014

Eusébio em yé-yé

«O joelho do Eusébio»

Uma vinheta triste



Triste porque assinala a morte de Eusébio da Silva Ferreira, a 20 dias de completar 72 anos, vitimado esta madrugada por insuficiência respiratória. Mesmo quem já não o viu jogar ao vivo, como é o meu caso, não ignora a importância desportiva, mas não só, do Pantera Negra. R.I.P.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Futebol nas Letras - 10


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjQGhnv7tQPFfqyZqebGhJpFpGFkHDAh7OJn3EGfantN203ejPju7A6YyFyzHWo0SNQQEiLFLGDSx7iDc24VhsllTZi0SlZIymrIkHA6pgxVt3DcEnLnVUnnZ-1-_gBTfY14WaVoFRDIsMa/s400/Eusebio.jpg

Havia nele a máxima tensão
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo-
só palavra
Abstracção
ponto no espaço
teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo –
era poema

Manuel Alegre
(retirado de: http://www.planetadofutebol.com/artigos/eusebio-a-pantera-negra)