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sábado, 25 de abril de 2020
segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
Brindes de Natal
Entre 1957 a 1973, a Estúdios Cor publicou uma colecção de dezassete folhetos: Brindes de Natal. Saía um por ano, no Natal, e nela foram editados contos de Domingos Monteiro, O sortilégio do Natal; José Gomes Ferreira, O mundo desabitado; Jorge de Sena, A noite que fora de Natal; David Mourão Ferreira, O viúvo; Alphonse Daudet, As três missas rezadas; Urbano Tavares Rodrigues, A samarra; Isabel da
Nobrega, Já não há Salomão; Natália Nunes, Ao menos um hipopótamo;
Augusto Abelaira, Ode (quase) Marítima; Manuel da Fonseca, Tempo de solidão; Odylo Costa Filho, História de Seu Tomé Meu Pai e Minha Mãe
Maria; Manuel Ferreira, A nostalgia do Senhor Lima; José Saramago, O embargo; José Rodrigues Miguéis, O Natal do clandestino; Alves Redol, Noite esquecida; Sophia de Mello Breyner Andresen, Os três reis do Oriente.e João Palma Ferreira, Os crânioclastas. Todos com desenhos de artistas, como Bernardo Marques, Manuel Lapa, Luís Filipe Abreu, Júlio Pomar, Paulo-Guilherme, António Pimentel, Cipriano Dourado, Manuel Lapa, Sá Nogueira, Lima de Freitas, Maria Keil ou Maria da Luz Lino.
Posteriormente estes contos foram coligidos no volume Histórias de Natal.
Lisboa: Estúdios Cor, 1970
terça-feira, 19 de novembro de 2019
Leituras no Metro - 1043
Lisboa: Esfera dos Livros, 2019
Isabel Nery escreveu a primeira biografia dedicada à nossa maior poetisa do século XX. «Isabel Nery compõe um relato da vida pública e privada de Sophia com detalhes pouco conhecidos e episódios saborosos, mas que quase nada nos diz da sua formação e evolução enquanto poeta.» (Luís Miguel Queirós) De qualquer modo gostei deste entrelaçar de que foi feita a sua vida (familiar, de escritora e atividade cívica) e as viagens que a biógrafa fez para conhecer os lugares por onde Sophia andou.
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Marcadores de livros - 1472
Sophia nasce há 100 anos.
No seu diário, o avô, Thomaz de Mello Breyner, escreveu em 6 nov. 1919:
«Foi exatamente às 11h20 a.m. que nasceu a querida pequenina. Deus a crie bem. Dia de chuva pelo caminho e aqui [Porto]».
domingo, 7 de abril de 2019
L'âge d'airain
Rodin - L'âge d'airain, 1876
MET
Devagar, devagar, em frente á luz,
Carregado de sombras e de peso,
Arrancando o seu corpo da raiz.
No extremo dos seus dedos nasce um voo
No vértice do vento e da manhã
Uma asa vai - perdida dos seus dedos.
Sophia de Mello Breyner Andresen
quarta-feira, 20 de março de 2019
sábado, 3 de novembro de 2018
Parabéns, Margarida Elias!
Barco
Margens inertes abrem os seus braços
Um grande barco no silêncio parte.
Altas gaivotas nos ângulos a pique,
Recém-nascidas à luz, perfeita a morte.
Um grande barco parte abandonando
As colunas de um cais ausente e branco.
E o seu rosto busca-se emergindo
Do corpo sem cabeça da cidade.
Um grande barco desligado parte
Esculpindo de frente o vento norte.
Perfeito azul do mar, perfeita a morte
Formas claras e nítidas de espanto
Sophia de Mello Breyner Andresen
In: Coral, 1950
Um dia feliz!
quarta-feira, 25 de abril de 2018
Leituras no Metro - 972
«E eis que subitamente (da noite para o dia, foi o caso) retomámos a voz pátria, essa que nos era natural e que desde os muito antepassados nos tinha sido negada. Retomámo-la em insurreição, em autêntica primavera popular: flores, como se diz, na boca dos canhões.
«Liberdade, “a Poesia estava na rua”, escreveu Sophia de Mello Breyner. E logo a seguir Vieira da Silva pegaria na frase à sua tão dela maneira para desenhar o célebre cartaz de Abril [...].
(mas, que fique lembrado, a alegria mata. A realidade quando é maior do que o sonho sufoca o homem, não cabe nele. Eis um poeta: Pedro Oom, fundador do Grupo Surrealista. Tombou algures numa rua de Lisboa e já era manhã, já a liberdade tinha passado o meridiano do sonho. No Brasil outro escritor, Victor ramos, morreria ao deixar o exílio ao reencontro de Portugal...).»
(mas, que fique lembrado, a alegria mata. A realidade quando é maior do que o sonho sufoca o homem, não cabe nele. Eis um poeta: Pedro Oom, fundador do Grupo Surrealista. Tombou algures numa rua de Lisboa e já era manhã, já a liberdade tinha passado o meridiano do sonho. No Brasil outro escritor, Victor ramos, morreria ao deixar o exílio ao reencontro de Portugal...).»
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Ausência
Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num País sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Sophia de Mello Breyner Andersen
Numa noite sem lua
Num País sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Sophia de Mello Breyner Andersen
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Federico
No passado dia 18 de Agosto passaram 80 anos sobre o miserável assassinato de Federico Garcia Lorca, grande poeta, grande dramaturgo, grande figura da cultura de Espanha do século XX. Morto pelo ódio à liberdade.
Túmulo de Lorca
Em ti choramos os outros mortos todos
Os que foram fuzilados em vigílias sem data
Os que se perdem sem nome na sombra das cadeias
Tão ignorados que nem sequer podemos
Perguntar por eles imaginar seu rosto
Choramos sem consolação aqueles que sucumbem
Entre os cornos da raiva sob o peso da força.
Não podemos aceitar. O teu sangue não seca
Não repousamos em paz na tua morte
A hora da tua morte continua próxima e veemente
E a terra onde abriram a tua sepultura
É semelhante à ferida que não fecha
O teu sangue não encontrou nem foz nem saída
De Norte a Sul de Leste a Oeste
Estamos vivendo afogados no teu sangue
A lisa cal de cada muro branco
Escreve que tu foste assassinado
Não podemos aceitar. O processo não cessa
Pois nem tu foste poupado à patada da besta
A noite não pode beber nossa tristeza
E por mais que te escondam não ficas sepultado.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Túmulo de Lorca
Em ti choramos os outros mortos todos
Os que foram fuzilados em vigílias sem data
Os que se perdem sem nome na sombra das cadeias
Tão ignorados que nem sequer podemos
Perguntar por eles imaginar seu rosto
Choramos sem consolação aqueles que sucumbem
Entre os cornos da raiva sob o peso da força.
Não podemos aceitar. O teu sangue não seca
Não repousamos em paz na tua morte
A hora da tua morte continua próxima e veemente
E a terra onde abriram a tua sepultura
É semelhante à ferida que não fecha
O teu sangue não encontrou nem foz nem saída
De Norte a Sul de Leste a Oeste
Estamos vivendo afogados no teu sangue
A lisa cal de cada muro branco
Escreve que tu foste assassinado
Não podemos aceitar. O processo não cessa
Pois nem tu foste poupado à patada da besta
A noite não pode beber nossa tristeza
E por mais que te escondam não ficas sepultado.
Sophia de Mello Breyner Andresen
sábado, 4 de julho de 2015
Deveria ter sido uma festa
Jornal Público
Impediram as pessoas de se aproximar do Panteão e mesmo das suas redondezas, pelo que só alguns populares residentes puderam ali estar.
Devem ter sido exigências de quem não gosta de ser assobiado. Gente pouco inteligente porque isso não impediu a pouca gente que ali estava de assobiar Assunção Esteves e Cavaco Silva.
É triste que levem uma pessoa para o Panteão sem uma festa. E esta cerimónia deveria ter tido lugar num sábado.
Já o mesmo eu tinha pensado quando foi da trasladação de Sophia.
terça-feira, 26 de maio de 2015
Mar
2ª feira de madrugada, junto ao mar.
O calor, quanto a mim, é uma dádiva.
Sophia de Mello Breyner Andresen
sábado, 13 de setembro de 2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Frases assassinas.
Sob o título: Sophia vai hoje para o Panteão Nacional o Diário de Notícias cita:
Em declarações ao DN, Maria Andresen, filha da poeta disse: "Não sei se é boa ideia a trasladação porque não sei que futuro terá o Panteão... se é para irem para lá futebolistas. Só no futuro se poderá ter a certeza se foi ou não uma boa decisão" (2.07.2014, p. 42).
Só me veio: "morra Maria, morra, Pim! Maria não tem dois neurónios na cabeça e deve cheirar mal da boca, Pum!
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