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quinta-feira, 2 de outubro de 2025

No centenário de José Cardoso Pires

No dia em que José Cardoso Pires faria 100 anos, estreia o filme Lavagante, de Mário Barroso, com Francisco Froes, Nuno Lopes, Júlia Palha e Leonor Alecrim. O argumento é de António Pedro Vasconcelos, adaptado da última obra de José Cardoso Pires. 



sexta-feira, 3 de setembro de 2021

No meu sofá a ler... - 7

Muito boa, esta biografia de José Cardoso Pires.

Lisboa: Contraponto, 2021

Os caminheiros e outros contos, primeiro livro de José Cardoso Pires, foi muito bem recebido pela crítica: Mário Dionísio, Armando Ventura Ferreira, João Gaspar Ferreira...  Este «sublinhava a importância de o escritor escrever sobre o que conhece, o que obteve por experiência direta, lançando en passant, algumas farpas aos neorrealistas: "Se alguma coisa faltava nos contos e romances dos neorrealistas era, precisamente, realidade". 
«Para Gaspar Simões, Caminheiros era neorrealismo "depurado de todos os seus vícios fundamentais". O maior desses vícios era, curiosamente, o que Mário Dionísio tinha apontado, p de se escrever sobre camponeses vistos da janela do comboio, escrever sobre o que não se conhecia, mas que, por exigência ideológica, tinha de ser o tema dos livros.» (p. 93)

Lisboa: Centro Bibliográfico, 1949

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Hotel Grand Saint-Michel


«Dias depois, [jul. 1956, Cardoso Pires] chegou a Paris, onde se instalou no Hotel Grand Saint-Michel, na rue Cujas [19]. O hotel, um edifício velho que não se destacava pelo asseio, acolhia muitos exilados políticos de todo o mundo e jovens estudantes que, muitas vezes, para pagarem o quarto, comprometiam-se a fazer as limpezas do mês seguinte. Desde o final da década de 1940, a proprietária, madame Savage, de nome próprio Madeleine, figura excêntrica e teatral, apoiava os hóspedes, muitos deles estudantes vindos da América latina. Alguns desses hóspedes de madame Savage tornar-se-iam, nos anos seguintes, figuras cimeiras da cultura mundial, como Augusto Roa Bastos, Julio Cortázar, Octavio Paz ou Gabriel García Márquez.»
Bruno Vieira Amaral - Integrado marginal: Biografia de José Cardoso Pires. Lisboa: Contraponto, 2021, p. 157.

Gabriel García Márquez residiu também no Hotel des 3 Collèges, no n.º 16 da mesma rua. 

segunda-feira, 7 de maio de 2018

José Cardoso Pires

José Cardoso Pires viveu em Alvalade e é este ano o escritor escolhido pela Junta de Freguesia para esta semana dedicada à leitura.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Leituras no Metro - 972


«E eis que subitamente (da noite para o dia, foi o caso) retomámos a voz pátria, essa que nos era natural e que desde os muito antepassados nos tinha sido negada. Retomámo-la em insurreição, em autêntica primavera popular: flores, como se diz, na boca dos canhões.
«Liberdade, “a Poesia estava na rua”, escreveu Sophia de Mello Breyner. E logo a seguir Vieira da Silva pegaria na frase à sua tão dela maneira para desenhar o célebre cartaz de Abril [...].
(mas, que fique lembrado, a alegria mata. A realidade quando é maior do que o sonho sufoca o homem, não cabe nele. Eis um poeta: Pedro Oom, fundador do Grupo Surrealista. Tombou algures numa rua de Lisboa e já era manhã, já a liberdade tinha passado o meridiano do sonho. No Brasil outro escritor, Victor ramos, morreria ao deixar o exílio ao reencontro de Portugal...).»
José Cardoso Pires - «A literatura e a revolução dos cravos». In: E agora, José?. Lisboa: Moraes, 1977, p. 273, 275.
Pedro Oom 
Victor Ramos

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Leituras no Metro - 965


«Dias e dias em que, à falta de marisco, [Lidoro] se reduzia a uma sandes na Adega dos Perus, lendo, para desenfastiar, umas receitas copiadas do Livro de Pantagruel numa agenda que trazia sempre no bolso. Mordiscava pedaços de queijo que lhe sabiam a sabão e lia “lagosta à Cardinal”, “santola recheada”, “percebes à biscainha” e outras bênçãos do mar […].»
José Cardoso Pires - «Lidoro Silva, dito O Ganso». In: A cavalo no diabo. Lisboa: Dom Quixote, 1994, p. 43.

Tenho-me divertido a reler estas crónicas de Cardoso Pires.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O cinema de Fernando Lopes

Sou uma admiradora do cinema de Fernando Lopes, que é também um caso de amor pela literatura.




 





Vi-os todos, mas um dos filmes dele de que mais gostei foi Belarmino (1964):

sábado, 30 de abril de 2011

A nossa vinheta

Assinalando o almoço do 3.º aniversário do Prosimetron, hoje, lá para as bandas do Cais do Sodré.



Ca 1910.


CAIS DO SODRÉ

É entre um marinheiro e uma taça,
é entre uma cerveja e um navio
que fica o veio mais fundo que te enlaça
ao vulto da cidade e ao seu desvio
por estúrdias e volteios, por tangos e seus braços
com esplenderosas curvas de meneio,
até à cama infinda, ao pleno enleio
de converter em sono o que era cio,
até ao céu de astros e guindastes
com vozes em surdina, de cansaço,
até ao marulhar do Tejo rio.

É entre uma sirene e uma guitarra,
é entre uma gaivota e uma falua
que está bem preso o teu cabo de amarra
de transformar laranja numa lua,
de transformar em sal o sul da lava,
de semear de limo as tuas ruas.

João Rui de Sousa


Quem sabe se com uma passagem pelo British Bar...


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«No British Bar os anos passam, as gerações mudam, vêm literatos, vêm contrabandistas, vêm estivadores à mistura com meninas de civilização, mas o espírito e a cor local mantêm-se inconfundíveis.»
José Cardoso Pires - Lisboa, livro de bordo

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Lisboa: Bar Procópio

«Nem toda a gente saberá que, durante os tempos escaldantes da revolução, era por aquelas noites que no Procópio tudo acontecia: as últimas notícias militares e civis, insinuações, entendimentos divergências, as pequenas e médias conspirações, e os ciciados segredos, que misteriosamente esvoaçavam pelo ar.» (Raul Solnado)

Abriu em Lisboa em 1972, no Alto de S. Francisco, 21, junto à Praça das Amoreiras. José Cardoso Pires e Raul Solnado foram dois dos seus mais assíduos frequentadores.
«O PROCÓPIO é para sempre, porque se sabe sempre como se entra mas ninguém pode jurar como é que vai sair» (José Fonseca e Costa, in Procópio. Lisboa: Bar Procópio, 2007, p. 109).

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Bestiário-mistério

Painel de Azulejos: Bestiário, século XVII, Palácio Fronteira

Imagem retirada de Lisboa Livro de Bordo, p.50

"Longe, noutra Lisboa, São Domingos de Benfica, existe um bestiário-mistério guardado em palácio há mais de trezentos anos.Está envolvido em jardins e floresta na base da Serra do Monsanto e tem um aval de marqueses ilustrados a dar-lhes majestade. Palácio Fronteira, eis o lugar. (...) Pascal Guignard descreveu-o em corpo inteiro na novela «A Fronteira». Senhor de Jaume, de seu nome e, pelo que se sabe, entre assassino à traição e demónio das alcovas, não houve força que o travasse na sua cavalgada de sedutor. Os anjos libertinos cobriam-no com as suas asas protectoras, é um facto, mas, sádicos por devoção, num golpe de sarcasmo lançaram-no depois à desgraça e o cavaleiro acabou castrado pela única mulher dos seios vegetais.
Ponto final, não. Porque, só escarnecido, o garanhão castrado foi pedir clemência ao Senhor do palácio e logo ali recebeu abrigo até aos seus últimos dias. É nesse tempo de misericórdia que alguém de traço escarninho e jamais identificado desenhou não a tragédia do Cavaleiro de Jaume mas a sociedade que ele frequentou.
Lá a temos. é um fabulário de relações farsantes que está figurado nesses azulejos. ali as personagens humanas têm rostos de macacos compenetrados de sapiência e os animais assumem-se como humanos nas expressões e nas atitudes. Há gatos palacianos a estudar música com um mestre de solfejo e com umfrade de mono, e há outros em cadeira de barbeiro com um homem-símio aos pés. Num gabinete de curandeiro um bichano de bigodes austeros e olhos frios estendeuma pata à observação do físico que encobre toda a sua ignorância com um monóculo posto à pressa (...)"

José Cardoso Pires, Lisboa Livro de Bordo, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1998, p.51-52.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Cabra-cega

Cabra-cega foi o primeiro romance de Roger Vailland que li. Depois, ao longo de anos, devorei tudo o que dele foi saindo em Portugal, o último dos quais, Escritos íntimos, devo dizer que me chocou um pouco. Talvez um dia destes o releia.


Trad. de Hélder Macedo; pref. de José Cardoso Pires
Capa de António Garcia

Lisboa: Ulisseia,1959




Trad. de Casais Franco.
Mem Martins: Europa-América, 1987


«Cabra-cega é um romance – no sentido em que se diz romanesco -, uma ficção, uma criação da imaginação.
«Não é um romance histórico. Se eu tivesse pretendido esboçar um quadro da Resistência, ele seria inexacto e incompleto na medida em que não ponho em cena os guerrilheiros nem os sabotadores das fábricas (para não citar outros exemplos), que se contaram entre os mais puros e mais desinteressados heróis da Resistência. Mas Cabra-cega não é um romance sobre a Resistência. Não pode por conseguinte fornecer matéria para qualquer espécie de polémica – a não ser a puramente literária - , e todos os argumentos de ordem histórica ou política que nele se colham são, por definição, desprovidos de valor.
«Se, enfim, se desse o caso de o nome ou o pseudónimo de um dos meus ‘heróis’ pertencer a uma personagem realmente existente, estar-se-á perante uma mera coincidência, independente da minha vontade e sem o mínimo significado.»
Roger Vailland - «Advertência»

«E Vailland, escritor vigoroso, ao descrever tão corajosamente uma época da sua pátria, lavra também mensagem profética própria dos antepassados libertinos segundo a qual o futuro é do homem interessado que em toda e qualquer circunstância se obriga a tomar posição, a experimentar, a intervir.» (José Cardoso Pires)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

José Cardoso Pires, de mão pensada

Domingo, 26 de Outubro – Centro Cultural de Belém
(nos 10 anos da sua morte)
Comissário: João Paulo Cotrim

PROGRAMA:

Leituras:
14h30 - Sala Almada Negreiros – entrada livre até máximo da sua lotação
António Mega Ferreira – 14h30
Inês Pedrosa – 14h45
José Eduardo Agualusa – 15h15
Mário de Carvalho – 15h45
Lídia Jorge – 16h15

Conferência:
17h15- Sala Almada Negreiros – entrada livre até máximo da sua lotação
João Lobo Antunes – “Memória e auto-ficção”

Filme:
18h30 - Sala Almada Negreiros – entrada livre até máximo da sua lotação
“O Delfim”
Realização Fernando Lopes baseado na obra de José Cardoso Pires, 2002, 83’
(Argumento de Vasco Pulido Valente, com Rogério Samora e Alexandra Lencastre)
Seguido de conversa com o realizador.

Exposição - entrada livre
Ilustrações de João Abel Manta para “Dinossauro excelentíssimo”
Foyer da Sala Almada Negreiros