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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Marcadores de livros - 695

Obrigada, Luisa!
Deste autor li os dois primeiros livros dele publicados em Portugal: Sputnik, meu amor e Kafka à beira-mar. Leem-se bem, mas não acho que seja autor para ganhar o Nobel.

Acrescentado às 12h15:
Ontem no Metro li no livro M Train (Lisboa: Quetzal, 2016) de Patti Smith a descoberta que ela fez de Murakami:
Trad. Hélder Moura Pereira

Talvez eu venha a ler Crónica do pássaro de corda. Veremos...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

De Hélder Moura Pereira - 3

A tua pele, a veia azul ao sol,
o momento de interromper o ruído
da água. Morder os lábios no começo
da manhã! Pensar que és quem eu quero!
A tua pele vai entre sombras, azul,
vai tocar violetas, cardos, nomes
assassinos. Veia azul descobrindo
no mapa o ponto frágil, deitando
a perder o que julgavas ganho. Morder
os lábios e por uma vez negar-te.


- Hélder Moura Pereira, DE NOVO AS SOMBRAS E AS CALMAS, Poesia 1976/1990, Contexto, 1990.



quinta-feira, 26 de março de 2009

A HISTÓRIA DE UMA HISTÓRIA

Era uma vez uma história

acabava antes de começar
e começava depois do fim

os seu heróis entravam nela
depois de terem morrido
e abandonavam-na
antes de nascerem

os eus heróis falavam
de um certo mundo de um certo céu
diziam toda a espécie de coisas

só não diziam
o que eles próprios não sabiam
que eram apenas heróis de uma história

de uma história que acaba
antes de começar

e começa antes de acabar

Vasco Popa
In: Ted Hughes – O fazer da poesia / trad. Hélder Moura Pereira. Lisboa: Assírio & Alvim, 2002, p. 129

Abri este livro porque li no jornal que Nicholas Hughes, filho de Ted Hughes e Sílvia Plath, se suicidou no dia 16 passado.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

De Hélder Moura Pereira - 2

Quieto deixarei no tempo da tua ausência
tudo no mesmo sítio, um écran passa
aos meus olhos numa velocidade calculada,
na minha estreita rua continua havendo papéis
e folhas distraindo atenções por outras
letras, pequenas palavras desbotando
do seu azul para larga mancha, verso destruído.
Traços de pó nos vidros e eu a mirá-los, nada
faz com que saia desta cadeira e queira ver
o outro sol que se esconde por trás das imagens.
A meio da alegria recusei o fácil caminho
da aceitação, ia dar a cisternas sem espelhos,
não sei como faria depois, olhar para dentro
da terra e não ver a cara do homem. Os ciclos
da vida organizam o tempo, cansado era
de objectos e cores, repito a colocação
das mãos, reaprendo mais vontades para lá
do corpo. Quieto, sem horas para nada,
aguardo o teu regresso.

- Hélder Moura Pereira, DE NOVO AS SOMBRAS E AS CALMAS- Poesia 1976/1990, Contexto, 1990.

sábado, 22 de novembro de 2008

De Hélder Moura Pereira - 1

Como dizer que este amor não morre ? Mil
vezes olhei essa porta, por ti desejei
chegar a terra, perder um grito onde ninguém
ouvisse. E quando íamos falando de tudo
só isso proibia calar o amor. Algumas vezes
não sabes as coisas que mais guardo.

- Hélder Moura Pereira, De novo as sombras e as calmas- Poesia 1976/1990, Contexto Editora, 1990, p.45