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domingo, 2 de junho de 2024

Leituras no Metro - 2927

Dois livros da col. Essencial que ofereci ontem, no Dia da Criança, a dois jovens. Não os li, folheei-os.



Lembro-me que o n.º 1 desta col. Essencial - O  essencial sobre Irene Lisboa, de Paula Morão - saiu em 1985 e custava 100$00, o que correspondia então ao preço de um maço de tabaco. Qualquer destes livros, publicados em 2024, tem um PVP de €7,50 e, pelo que vi na net, hoje o preço médio de um maço de tabaco é de €4,93, de modo que o preço do livro deveria ser de €5,00.

terça-feira, 23 de abril de 2024

Há 50 anos

«Registe-se que, nos últimos anos do regime, quer os membros do PCP, quer os das organizações de luta armada e da esquerda radical maoísta e marxista-leninista, foram alvo de terríveis torturas. Toda a oposição à guerra colonial era também violentamente reprimida, não escapando mesmo à sanha torturadora da DGS alguns católicos progressistas e até padres que se ergueram contra o regime. Com a data de 23 de abril de 1974 (!!!), uma exposição enviada ao presidente do Conselho e remetida ao Ministério do Interior, assinada por Alberto Arons de Carvalho, Urbano Tavares Rodrigues e Gilberto Lindim de Carvalho, revelava preocupações com a "verdadeira escalada da violência da polícia". os signatários assinalavam "a coincidência deste agravamento da brutalidade policial com os problemas atravessados pelo governo". No dia seguinte á entrega deste abaixo-assinado, o regime e o governo caíram.»

Irene Flunser Pimentel - Os cinco pilares da PIDE. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2018, p. 261

Ver aqui e aqui uma conversa de Mário Figueiredo com Alberto Arons e Urbano Tavares Rodrigues e Luís Filipe Costa.

sábado, 16 de março de 2024

A caminho do 25 de Abril - 11

«Cinco dias antes da sublevação falhada do Regimento de Infantaria das Caldas da Rainha, um agente de Coimbra relatou, à direção da DGS, a situação de prevenção a que tinham sido sujeitas as unidades militares, na sequência da publicação do livro do general Spínola. Poucos dias depois ocorria [...] uma tentativa golpista frustrada de oficiais spinolistas, a partir das caldas da rainha. Fracassada a tentativa. os envolvidos foram presos.»
Irene Flunser Pimentel - Os cinco pilares da PIDE. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2018, p. 280


O Levantamento das Caldas, Revolta das Caldas ou Golpe das Caldas, foi uma tentativa de golpe de Estado frustrada, ocorrida em 16 de MNesse arço de 1974, nas Caldas da Rainha. 
O golpe foi descrito por Garcia dos Santos, um dos capitães de Abril, como «uma tentativa de avançar com o golpe que não foi devidamente preparada». 
A coluna militar que saiu das Caldas era composta por 200 homens que foram todos presos no Forte da Trafaria.
Ler mais na Wikipédia.


Estava eu na esplanada da piscina do Campo Grande com um amigo à espera que os militares chegassem a Lisboa e já estavam todos presos. Sem rádio, de vez em quando fazíamos umas chamadas de uma cabina.

Ouvir o podcast De Cravo ao Peito na RTP Play.

sábado, 23 de setembro de 2023

O que estamos a ler? - 29

Lisboa: A Esfera dos Livros, 2018

Já tinha consultado este livro várias vezes, mas agora li-o de fio a pavio.
A PVDE foi criada em 29 de agosto de 1933, pela fusão de várias polícias, tendo dado lugar à PIDE em 22 de outubro de 1945.
Uma história muito bem documentada, tendo como base a biografia de cinco figuras sinistras: Barbieri Cardoso, Sachetti, Pereira de Carvalho, Rosa Casaco e Casimiro Monteiro.
Até Silva Pais era espiado. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Marcadores de livros - 2463


Lisboa: Temas e Debates: Círculo de Leitores, 2020

«Quando ocorreu a Shoá e que etapas levaram a esse crime? Quando souberam os Aliados e o mundo da Shoá, e poder-se-ia tê-la evitado? Como e quando soube o governo português do genocídio nazi dos judeus europeus? Esteve também Portugal, embora neutral, na rota da Shoá? Como foram descobertos os campos de concentração e de extermínio e de que forma foram julgados os criminosos nazis? E a opinião pública portuguesa, a viver em ditadura, quando e o que soube? 
«"É para desfazer confusões, contribuindo para um conhecimento maior da Shoá, e também do papel de Portugal face a esse terrível acontecimento, com base na minha própria investigação, mas também na profusa bibliografia existente sobre o tema, em geral, e relativamente a Portugal, em particular, que proponho este livro."» (Sinopse)


Lisboa: Bertrand, 2023

«Um herói complexo. Uma história esquecida. A primeira testemunha a revelar toda a verdade sobre o Holocausto. 
«Em abril de 1944, Rudolf Vrba, de 19 anos, e Fred Wetzler tornaram-se os primeiros judeus a fugir de Auschwitz. Passaram sob cercas eletrificadas e por torres de vigilância fortemente armadas, escaparam a milhares de homens das SS e aos seus cães enraivecidos, percorreram pântanos, montanhas e rios em direção à liberdade. A missão de Vrba: revelar ao mundo a verdade do Holocausto. 
«Na fábrica da morte de Auschwitz, Vrba tornou-se uma testemunha ocular de quase todas as fases arrepiantes do processo industrial de genocídio nazi. Quanto mais via, mais convicto ficava da necessidade de avisar os judeus da Europa acerca do destino que os aguardava. Vrba reteve cada detalhe na sua memória, arriscando tudo para recolher os primeiros dados da Solução Final. Após a sua fuga, essa informação formaria um inestimável relatório de trinta e duas páginas que chegaria às mãos de Roosevelt, de Churchill e do papa e que acabaria por salvar mais de 200 000 vidas. 
«Mas a fuga de Auschwitz não foi a sua última. Depois da guerra, continuou a fugir do seu passado, do seu país de origem, do seu país adotivo, e até mesmo do seu próprio nome. Poucos sabiam da ação verdadeiramente extraordinária que tinha levado a cabo. 
«Graças ao trabalho de Jonathan Freedland, podemos conhecer finalmente o heroísmo de Rudolf Vrba. Ele passará a ocupar o merecido lugar ao lado das personalidades cujas histórias definem o capítulo mais sombrio da história.» (Sinopse)

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Leituras na pandemia - 39

Lisboa: Esfera dos Livros, 2013

Entre Lisboa e o Estoril, nos átrios e nos bares dos hotéis como o Avenida Palace, Metrópole e Borges (Lisboa), Hotel Palácio ou o Hotel Atlântico (Estoril), circulavam, durante a II Guerra Mundial, espiões da Alemanha e Grã-Bretanha, bem como espiões dos serviços secretos italianos, franceses, norte-americanos, polacos, checos, romenos e soviéticos. Atuavam em Portugal Continental, nas suas Ilhas atlânticas e nas suas colónias de África, Índia e Timor. Espiões em Portugal durante a II Guerra Mundial trata destas movimentações.

Vida Mundial, 28 ago. 1941

«Em finais de 1939, quando o horário das emissões [radiofónicas] foi adiado para as 22 horas. alguns proprietários de cinemas queixaram-se de que as suas salas de cinema tinham ficado desertas. Em abril de 1941, a legação italiana em Lisboa denunciaria um agente da Philips, em Olhão (Algarve),, que, através da instalação, na rua, de um rádio, ligado nas horas de emissão da BBC, provocava manifestações públicas contra o Eixo. A partir dessa ano, a PVDE começou a vigiar e a reprimir os donos de  aparelhos que abriam as janelas e aumentavam o som na hora de difusão da emissora inglesa. O governo salazarista exigiria mesmo, mais tarde, a remoção da BBC de um dos locutores portugueses, o antissalazarista António [i. é Armando] Cortesão, que, com o apoio da Embaixada  da Grã-Bretanha em Lisboa, acabaria por ser de facto demitido.» (p.78)

sábado, 2 de outubro de 2010

Citações - 122

(...) Eu sou de esquerda, toda a gente sabe. Mas a esquerda teve algumas culpas no nosso sistema educativo. Houve uma altura em que se passou a achar que a Educação devia ser uma coisa lúdica. Sou muito a favor da avaliação. Dos professores e dos alunos. A escolha criteriosa dos professores seria um bom começo.

Irene Flunser Pimentel, no Expresso de hoje.



E eu só acrescento que seria bom que alguns ex-governantes assumissem um dia as suas responsabilidades sobre o estado a que chegou o nosso sistema educativo: da indisciplina à avaliação. Mas não, caladinhos que nem uns ratos, a começar por uma sra.ex-secretária de Estado que vejo amiúde na Mexicana...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Biografias, autobiografias e afins - 68





A mais recente obra de Irene Flunser Pimentel é uma biografia do Cardeal Cerejeira, incontornável figura da Igreja Católica Portuguesa durante o século XX e do regime do Estado Novo. O subtítulo do livro está muito certo: O Príncipe da Igreja. Manuel Gonçalves Cerejeira foi realmente o nosso último cardeal-patriarca a incarnar a figura cardinalícia com a pompa de outros tempos, como se vê nestas fotos que encontrei onde está a usar a famosa (e longa) capa magna.
Não me recordo de algum dos seus sucessores alguma vez a ter usado. Et pour cause...
A edição é da Esfera dos Livros.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Biografias, autobiografias e afins - 40

Irene Flunser Pimentel biografou José Afonso, e o livro foi lançado há dois dias na Casa da Imprensa, integrado na colecção Biografias do séc.XX dirigida por Joaquim Vieira, e como habitualmente é publicado pelo Círculo de Leitores e pela Temas e Debates.

- Será que Miss Tolstoi já o tem?