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terça-feira, 23 de abril de 2024

Há 50 anos

«Registe-se que, nos últimos anos do regime, quer os membros do PCP, quer os das organizações de luta armada e da esquerda radical maoísta e marxista-leninista, foram alvo de terríveis torturas. Toda a oposição à guerra colonial era também violentamente reprimida, não escapando mesmo à sanha torturadora da DGS alguns católicos progressistas e até padres que se ergueram contra o regime. Com a data de 23 de abril de 1974 (!!!), uma exposição enviada ao presidente do Conselho e remetida ao Ministério do Interior, assinada por Alberto Arons de Carvalho, Urbano Tavares Rodrigues e Gilberto Lindim de Carvalho, revelava preocupações com a "verdadeira escalada da violência da polícia". os signatários assinalavam "a coincidência deste agravamento da brutalidade policial com os problemas atravessados pelo governo". No dia seguinte á entrega deste abaixo-assinado, o regime e o governo caíram.»

Irene Flunser Pimentel - Os cinco pilares da PIDE. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2018, p. 261

Ver aqui e aqui uma conversa de Mário Figueiredo com Alberto Arons e Urbano Tavares Rodrigues e Luís Filipe Costa.

sábado, 6 de dezembro de 2014

O Fim do Amor Trágico e Romântico?

Lembrar Urbano Tavares Rodrigues que faria hoje anos. Soube-o através da  Livraria Lumière.


O Fim do Amor Trágico e Romântico?

Vivemos, de facto, numa época em que a noção de amor trágico e romântico, que herdámos do século dezanove, se tornou inactual, embora continue ainda a ser vivida por muitos - e até com o carácter de construção moral e estética - essa relação extremamente apaixonada, exigente e exclusiva. A reclamação da liberdade erótica não me parece que de algum modo tenda a degradar a vida, conquanto possa dessublimizá-la e do mesmo passo desmistificá-la, precisamente no propósito de a tornar mais lúcida e mais generosa. Afigura-se-me que na contestação de todas as prepotências firmadas em preconceitos, em princípios estabelecidos apriorísticamente, há sempre um nexo muito íntimo entre a reinvindicação da liberdade erótica, da liberdade no trabalho e da liberdade política. E, naturalmente, quando se dá uma explosão desta espécie, é como uma pedra que rola e que vai agregando uma série de materiais e descobrindo a sua própria composição até às zonas mais profundas da sua estrutura. 

 Urbano Tavares Rodrigues, in "Ensaios de Escreviver" (citador)

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Boa noite!

Letra de Urbano Tavares Rodrigues e música de Adriano.
Rui Pato na viola.

Ó Alentejo dos pobres
Reino da desolação
Não sirvas quem te despreza
É tua a tua nação.

Não vás a terras alheias
Lançar sementes de morte
É na terra do teu pão
Que se joga a tua sorte.

Terra sangrenta de Serpa
Terra morena de Moura
Vilas d'angústia em botão
Dor cerrada em Baleizão.

Ó margem esquerda do verão
Mais quente de Portugal
Margem esquerda deste amor
Feito de fome e de sal.

A foice dos teus ceifeiros
Trago no peito gravada
Ó minha terra morena
Como bandeira sonhada.

Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013)

Foto Miguel Manso.

Urbano Tavares Rodrigues faleceu hoje; faria 90 anos no próximo dia 6 de dezembro. Foi jornalista, escritor e professor. É como escritor que é mais conhecido, tendo publicado romances, contos e novelas, teatro,  crónicas, ensaios e relatos de viagens.
Foi um escritor que me acompanhou na minha adolescência. Hoje leio-o pouco; o último romance de sua autoria que li foi Filipa nesse dia (1989).

Alguns dos livros de Urbano, nas diversas áreas que cultivou, que li e que me deram muito prazer na época em que o fiz. 
E uns cravos para o Urbano!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Urbano Tavares Rodrigues

Foto João Rodrigues

O escritor Urbano Tavares Rodrigues vai ser homenageado no próximo dia 30 de Maio, quarta-feira, às 18h00, no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 
No dia 18 de junho será posto à venda o mais recente livro de Urbano Tavares Rodrigues, Escutando o rumor da vida seguido de Solidões em brasa.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Citações - 157


Em Portugal, houve um abuso de consumo num país em que, para além de pouco produzir, obedeceu à má-gestão da União Europeia em áreas como a da agricultura e das pescas. Sectores que não foram protegidos nem defendidos, como se pretendessem transformar o País numa estância de turismo e sem poder criar riqueza. (...)

-
Urbano Tavares Rodrigues
, no Diário de Notícias de hoje.