Jean Siméon Chardin - Menino jogando ao pião, 1741
(Retrato de Auguste Gabriel Godefroy)
São Paulo, Museu ed arte de São Paulo
O jogo do pião. Litografia de J. Brodtmann a partir de desenho de Joh. Siebert, ca 1830
O jogo do pião, Valado de Frades, anos 1940
O jogo do pião, Lisboa. Fotografia de Ferreira da Cunha
Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta
Joga tudo no gesto ríspido de vida
Reergue o braço a prumo arrisca nessa roda
riscada entre parede e tronco a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida
O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos… Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? nada
Mas do breve pião levanta ao céu a enxada
e que esta vida extensa para sempre seja
– será? – tão bem coberta que nem Deus a veja
Ruy Belo


























