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quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Humor pela manhã



Afinal, são as crianças que comem comunistas :). Nunca tinha visto Lenine em bolo, mas já poucas coisas me espantam ...

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Leituras no Metro - 992

Lisboa: Temas e Debates: Círculo de Leitores, 2017

Foi o primeiro livro de Catherine Merridale que li, que escolheu para epígrafe desta obra uma citação de N. K. Krupskaia, mulher de Lenine: «Deve contar-se toda a verdade, a verdade nua e crua, às massas, sem medo de que a verdade as assuste e afaste.»
Gostei, parece-me uma historiadora imparcial, tanto quanto se pode ser em relação a um personagem como Lenine. 
Merridale fez esta viagem cem anos depois, quando certas linhas de comboio desapareceram ou foram alteradas. 
Em abril de 1917, Lenine saiu de Zurique a 9 de abril, atravessou a Alemanha em guerra (com a ajuda das autoridades deste país) e chegou a Haparanda onde foi metido num comboio selado, tendo chegado à estação Finlândia em Petrogrado a 16 de abril. Churchill, anos mais tarde, escreveu a este respeito o seguinte: «Temos de tomar plenamente em consideração as apostas desesperadas em que os líderes de guerra alemães já estavam empenhados. Todavia, foi com um sentimento de pavor que viraram contra a Rússia a mais sinistra de todas as armas. Transportam Lenine num vagão selado, como um bacilo da peste, da Suíça para a Rússia.» (cit. p. 18).

«Neste momento, há quase tanta instabilidade no Planeta como existiu no tempo de Lenine e um conjunto ligeiramente diferente de grandes potências continua a trabalhar arduamente para garantir a sua supremacia no topo. Uma técnica que utilizam nos conflitos regionais, uma vez que o envolvimento militar direto tem tendência para custar demasiado, é ajudar e financiar rebeldes locais, sendo que alguns estão no terreno, mas outros têm de ser colocados lá precisamente como aconteceu com Lenine. […] A história do comboio de Lenine não é propriamente exclusiva dos soviéticos. Em parte, é uma parábola sobre a intriga das grandes potências e uma das regras, aí, é que as grandes potências quase sempre interpretam mal as coisas.» (p. 19)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Leituras no Metro - 87

Lenine costumava frequentar o café Odeon durante o seu exílio em Zurique.

«[...] dizia-se que Lenine vivia em Zurique. [...] Um dia quando passávamos defronte de um café, [a minha mãe] mostrou-me um homem com um crânio enorme sentado perto da janela; sobre a mesa, ao lado dele, havia uma pilha de jornais [...]. Ele atirou bruscamente a cabeça para trás, virou-se para o homem sentado ao seu lado e falou-lhe ao ouvido. A minha mãe disse: "Olha bem. É Lenine. Ainda vais ouvir falar dele."»
Elias Canetti - Histoire d'une jeunesse (1905-1922). Paris: Albin Michel, cop. 1980, p. 225-226

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Soldadinhos (?) de chumbo





Estes "soldadinhos" de chumbo estão à venda no Corte Inglês de Barcelona: desde Mussolini a Franco e do general de Gaulle ao rei Juan Carlos, há de tudo um pouco... Nunca tinha visto estes, apesar de eu ter dois Lenine que comprei em Moscovo.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cultos




Recente visita a Portugal de conhecido caudilho, este ainda assim com a sensatez de não invocar a Graça de Deus, conjugadamente com o também recente processo sucessório da dinastia republicana norte-coreana, lembrou-me uma historieta sobre o culto de personalidade, a afectar paragens em que, à partida, dir-se-ia ter diluído o indivíduo num vasto mural colectivo.

Um tio meu, escassos meses após o 25 de Abril, integrou uma delegação que visitou a União Soviética, deslocando-se a inúmeras cidades e contabilizando visitas a “municípios”, sedes partidárias, kolkhozes, fábricas, etc.

Contou-me esse meu tio que, em cada cidade a que chegavam, a primeira informação que recebiam era sobre o número de vezes e a data em que o camarada Lenine tinha visitado a referida localidade. De tanto se repetir, esta prática como que passou a ser tão natural como receber os votos de boas-vindas.

Eis que, chegados a certa cidade, por exemplo X, começou o apparatchik local a narrar os feitos alcançados pelo socialismo, omitindo o registo de eventuais visitas leninianas (dir-se-á assim?).

No período de perguntas e respostas, timidamente, levantou-se uma voz portuguesa e indagou: “Desculpe, mas podia-me esclarecer quantas vezes veio o camarada Lenine a X?”. Resposta do local, com um ar desolado: “Infelizmente nenhuma...”, para depois, com ar mais satisfeito, consolado terminar “mas telefonou!”.

Independentemente dos projectos e das acções, dos efeitos que estas tiveram, a dimensão histórica de V. I. Lenine nada tem que ver com a dos caudilhos de hoje, sejam os de leste, como os de oeste, isto face ao nosso eurocêntrico ponto de vista.
Deixo uma gravação que encontrei, ao que parece colocada no Youtube por um lusófono bastante devoto das realizações soviéticas. Mas lá que a música é bonita, não haja dúvida!



quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Citações - 111 : Lenine, livros e editores...


(...) a maior parte dos editores ou são ignorantes ou são vigaristas, oferecendo ao público pacotilha impressa: um bom editor, tal como um bom leitor, é mais raro que um bom livro. Uma editora comercialmente bem sucedida é má, ou então tem que fazer compromissos. A casa alemã onde estou, por exemplo, possui um catálogo honesto, dividido em duas partes, literatura e best-sellers.
O argumento temos de pôr as pessoas a ler é idiota: o que temos é de ensinar as pessoas a ler. Até Lenine compreendia isto, ao afirmar que a arte não tem de descer ao povo, é o povo que tem de subir à arte.(...)
António Lobo Antunes, De livros e editores, na Visão da semana passada.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A orquídea destes dias

A cattleya labiata, uma das 3.000 espécies de orquídeas existentes no Brasil, tem sido muito falada por estes dias. O motivo é o mais recente álbum do cantor brasileiro Lenine que se chama precisamente Labiata, sendo o cantor um apaixonado por orquídeas. E no dia 22, canta na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Yakutsk: a cidade mais fria da Terra


Finalmente, as temperaturas subiram um pouco afastando o frio polar que nos gelou nos últimos dias. A mesma sorte não terão os habitantes de Yakutsk, uma cidade na Sibéria Oriental conhecida por ser a mais fria da Terra. Por esta altura os termómetros marcam 40ºC negativos podendo chegar a -55ºC e a névoa que cobre a cidade restringe a visibilidade a escassos 10 metros. Durante o Inverno em Yakutsk deve proteger-se o mais possível todas as partes do corpo porque a partir dos 35ºC negativos a pele exposta ao ar corre o risco de ficar dormente podendo causar necrose. No exterior jamais usar óculos para evitar que o metal se cole ao rosto e às orelhas rasgando a pele quando se decide tirá-los. O frio e a humidade são de tal ordem que os automobilistas têm por hábito deixar os motores dos seus carros a trabalhar mesmo se vão parar apenas por meia hora, e alguns deixam-nos ligados todo o dia enquanto estão nos empregos para garantir uma temperatura minimamente tolerável nos veículos para o regresso a casa.
Mesmo com este clima adverso, Yakutsk, que no século XIX foi usada como prisão aberta para dissidentes políticos (Lenine e Stalin foram dois presos políticos ali exilados) é hoje uma cidade que ostenta hotéis, cinemas, uma ópera, universidades e até jardim zoológico.